sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Livro: A Bela e a Fera - SEM SPOILERS

Muitos contos de fadas não tem autoria certa, são estórias passadas de boca em boca através do tempo e que, geralmente, adapta-se de diversas maneiras. Não é bem o caso d'A Bela e a Fera.

Resenha do livro a Bela e a Fera, versão original

Sempre achei lindo este desenho criado pela Disney e, assim como a maioria das pessoas, achava que a própria havia construído esta estória. Só que não! A Disney usa em suas animações diversas estórias já consagradas, algumas até baseada em fatos reais, mas não foi ela quem criou A Bela e a Fera. Esta estória é bem mais antiga que isto...

Eu vou comentar especificamente desta edição, da editora Zahar que consumi em apenas um dia e adorei conhecer melhor.

O livro começa com uma apresentação de Rodrigo Lacerda, escritor e historiador, que nos mostra haver duas versões "oficiais". Na verdade, a versão original foi criada pela escritora Madame de Villeneuve e publicada em 1740. Mas a versão mais conhecida foi adaptada por Madame de Beaumont, em 1756, e tornou-se a mais popular (provavelmente a que você conhece dos filmes).

Madame de Villeneuve escreveu a estória d'a Bela e da Fera focando em seus antepassados, nos pais da Bela e da Fera (desta última, mais especificamente a mãe). Já Beaumont, com a versão mais popular, tentou buscar um caminho mais lúdico e infantil, numa versão focada somente no romance dos protagonistas.

Este último é como conhecemos e ainda sim há versões diferentes. No desenho da Disney da década de 1990 e no último filme com Hermione Emma Watson, temos o personagem Gastão, por exemplo, que não existe nas versões originais.

A família da Bela também é controversa, pois ora aparece numerosa, ora aparece como filha única. O elemento "irmãs invejosas", tão comum nos contos de fadas, aparece na versão de Beaumont, mas não nos filmes de grande bilheteria.

Enfim, vale muito a pena ler este livro, mesmo que você já conheça a estória dos desenhos pois você irá se surpreender 😉 A Bela e a Fera não é um livro infantil, é um conto cheio de surpresas e sentimentos adultos.

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

O Dia a dia de uma Agente de Apoio à Educação Especial


Nesta postagem quero dividir com vocês como é a experiência de trabalhar como Agente de Apoio à Educação Especial na SME/RJ. Primeiramente quero deixar abaixo alguns detalhes sobre o cargo e depois como é na prática.

O cargo de Agente de Apoio à Educação Especial é de nível médio, sendo que a maioria das agentes tem formação além; são pedagogas ou normalistas aguardando pra trabalhar como professora. Muitas de nós já possuímos experiência no trabalho com crianças por fazermos licenciatura ou ter atuado em mediações, creches, etc. Eu mesma já fiz trabalho voluntário em creche e já fui Au pair, então, o trabalho com os alunos não chega a ser grande novidade.

O salário é baixo devido à formação exigida e só temos direito à auxílio transporte e vale alimentação de R$12,00 ao dia e não temos direito à enquadramento 🙁(aumento no salário devido à formação superior). Também temos direito à plano de saúde ASSIM mas é optativo: desconta-se cerca de 2% do nosso salário caso optemos por filiar. Temos todos os direitos de um servidor do município do Rio de Janeiro: recebemos férias, décimo terceiro, contribuímos com a Previdência e temos a estabilidade do servidor após três anos de estágio probatório. O concurso foi realizado em 2014 e só em 2016 a prefeitura foi obrigada, por determinação judicial, a convocar os 150 primeiros aprovados. Em fevereiro de 2017 o Prefeito Marcelo Crivella convocou mais 300 agentes pra posse, e foi nessa leva que tomei posse. A prefeitura ainda disse que iria convocar em Abril de 2017 mais 900 agentes, mas até hoje nada.

Este cargo foi criado pelo vereador Paulo Messina, que atualmente é Presidente da Comissão de Educação da Câmara do Município e queria botar em prática o estabelecido na Declaração de Salamanca, realizada na Espanha, na década de 1990. Esta Convenção estabeleceu as diretrizes pra inclusão da criança com deficiência na escola e, mesmo com todos os problemas, a prefeitura do RJ ainda é um referencial. Acontece que as escolas particulares não tem essa iniciativa de inclusão do portador de necessidades especiais e por lei, toda criança especial é obrigada a estar matriculada em algum colégio.

Nós agentes de apoio à educação especial damos suporte à essas crianças em vários sentidos: ajudamos com a alimentação, higiene, integração no espaço escolar e com os deveres elaborados pelos professores. Nós não temos como obrigação "criar" tarefas para os alunos incluídos, elas devem ser realizadas pelo professor responsável e nós ajudamos a executar, mas claro que ideias são sempre bem vindas pois acho que não há problema algum sugerir coisas que são para o bem estar do aluno.


Claro que nem tudo são flores: existem alunos difíceis, violentos e até alguns pais são difíceis de se lidar também. No entanto, mais de 90% dos alunos incluídos são amorosos e seus pais são excelentes, então, é muito gratificante. Neste ano conheci mães excepcionais, histórias lindas de superação e hoje tenho uma profissão que me orgulho muito. Amo ser Agente de Apoio à Educação Especial e o único problema é a baixa remuneração. Tirando isto, é uma profissão muito gratificante 💗

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Obstáculos enfrentados pelos alunos ao longo da Formação

Ano passado assisti uma palestra com um profissional da área de saúde que expôs os principais obstáculos enfrentados pelos alunos de graduação ao longo de sua formação; em outras palavras, as coisas que mais atrapalham o estudante na universidade, nos estudos em geral.

Quando pensei a respeito do tema da palestra me veio a mente a dificuldade dos alunos que dependem de transporte público pra se locomover. Aqui no Rio de Janeiro é uma porcaria depender de ônibus, trem ou van, ainda mais se você mora na Zona Oeste da Cidade. Empatado com a questão mobilidade, entra a questão trabalho, que também é muito difícil de conciliar.

Mas esta palestra falava sobre saúde mental, em como é alta a taxa de suicídio no meio acadêmico e como isto é pouco divulgado. Muitos alunos se sentem tão cobrados sem ter apoio emocional e acabam caindo em profunda depressão, grande causadora de evasão mas também suicídios.

Enfim, mas quais os principais obstáculos pelas palavras dos próprios alunos?

  • Estágio: O período de estágio pode ser o mais enriquecedor mas também o mais atribulado, justamente por conta da mobilidade e horários a conciliar. Além disto, a maioria dos que fornecem o estágio não respeitam seu horário de trabalho, explorando ao máximo o pupilo, muitas vezes em funções nada a ver. Quem faz Direito e estagia em escritório particular sabe como é 🙁 Quando estagiei em escritório foi muito difícil já que eu precisava daquela remuneração (ainda que pouca) e precisava assistir as aulas: ou seja, só fazia estágio nas férias, nenhum respeitava meu horário de aula e eu precisava me formar;
  • TCC/ Monografia: O ideal seria tirar um ano somente pra pesquisa de TCC ou monografia, já que o ideal é pesquisar ao máximo o assunto proposto. Acontece que além de trabalharmos (precisamos pagar nossas contas) também temos outras disciplinas pra estudar, aí fica difícil a dedicação integral no trabalho de conclusão de curso. Para muitos, esse é o período mais difícil da faculdade;
  • Descaso dos orientadores: Todo mundo que já se formou sabe que poucos são os orientadores que realmente ajudam no trabalho de conclusão de curso, a maioria só assina e as vezes nem lê. Tem orientador que só quer auxiliar se você abordar o tema que ele quer.. Fora a questão do "puxassaquismo"...
  • Competitividade: Embora eu nunca tenha passado por isso (se passei, não percebi), alguns alunos relatam que a concorrência não-saudável entre os alunos pode atrapalhar e muito os estudos, pois muitos passam a realizar feitos pra aparecer, não pra, de fato, acrescentar algo útil na formação;
  • Saúde mental: A gente leva tanta porrada da vida que acha que tem que ser forte o tempo todo. Eu ainda não descobri o caminho de como admitir a fraqueza, talvez o peso de sustentar uma casa não me permita fraquejar, mas estar ciente de que apoio psicológico é tão importante como qualquer outro, já é um primeiro passo;
  • Questão financeira: Se você realmente não estiver determinado a se formar, qualquer dificuldade financeira te fará trancar a faculdade, e depois, pra voltar, é muito desanimador. Tente se programar financeiramente, ter uma reserva pra emergências e sempre que a dificuldade pintar, procure negociar os valores com sua faculdade. Para eles é mais interessante manter um aluno pagando menos que perder uma matrícula, a maioria das faculdades oferecem bolsas de descontos, procure se informar;

Enfim, espero que este pequeno texto ajude os estudantes visualizar que não é somente com eles que ocorrem estes problemas e que há uma solução quase sempre. Mas também decidi escrever pra alertar os novos alunos que sonham ingressar numa faculdade. Dificuldades sempre vão existir e quase sempre dá vontade de desistir, mas vale a pena demais poder dizer, no futuro, que você tem uma profissão 🎓

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A falta de motivação diante do discurso empreendedor e suas consquências

Tenho notado nos últimos tempos uma ferrenha crítica à atividade empreendedora no Brasil, principalmente por parte de camaradas comunistas. Antes de me definir como socialista ou comunista, eu sou uma anti-capitalista. Vivo essa realidade e sei que é um sistema falho, discriminatório e excludente, sempre serei contra essa desigualdade. No entanto, se estamos vivendo no capitalismo, precisamos pagar nossas contas, e é aí que entra o empreendedorismo (e deveria entrar a compreensão por parte da esquerda).

Crítica ao discurso anti meritocrata
Você acha mesmo que essas pessoas fazem isso só pra aparecer?
O pequeno empreendedor jamais deverá ser comparado ao empresário que frauda, suborna e sonega. O pequeno empreendedor sou eu ou você fazendo malabarismo pra pagar as contas, batendo cabeça diante da concorrência, acreditando sim no discurso meritocrata porque simplesmente não há outra opção.

Quando fiquei desempregada em 2015 decidi vender bolinhos e sobremesas nas ruas e foi muito difícil aceitar que eu, uma pessoa graduada, estava fazendo isto. Por mais que a gente saiba que trata-se de um emprego digno, a gente fica desanimada. Tentei não fazer durante um tempo mas quando a necessidade bateu na porte eu fui, sem pensar muito, pois problematizar sobre as desigualdades sociais e sobre o capitalismo iria me fazer desanimar mais ainda. Existem momentos da vida que nós precisamos parar de pensar e refletir tudo academicamente pois o bolso ainda é o "órgão" que mais dói no nosso corpo. 

É perigoso pra nós da esquerda empregar essas frases do tipo "Empreendedor nem é gente" pois as vezes não existe outra opção pro desempregado. Não incentivo a hipocrisia semeada pela direita de que o sucesso se obtém somente através do esforço, mas também não devemos nos acomodar diante dessa crise difícil no país e nos afundar mais e mais em dívidas: o discurso empreendedor cresceu em conjunto com essa crise maldita criada pela direita, precisamos dar a volta por cima.

A falta de motivação diante do discurso empreendedor trás como consequências uma sociedade estagnada e submetida ao imperialismo, à dominação e falta de iniciativas. É mais saudável que saibamos equilibrar as duas partes do que somente incentivar a crítica ao capital. Se empreendedor nem é gente, não espere deles uma chance de trabalho. Espero que não encarem isso como apoio às políticas capitalistas que infelizmente permeiam nossa sociedade, é apenas um desabafo de quem vê na educação a única esperança de melhoria.