Mostrando postagens com marcador Negritude. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Negritude. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Se fala "preto" ou "negro" no Brasil? Qual é a maneira correta?

A anos atrás eu trabalhei fazendo recenseamento domiciliar pelo IBGE. O recenseamento são aquelas entrevistas em que uma pessoa vai à casa dos entrevistados para colher dados sobre sua vida. Estes dados servem, dentre muitas finalidades, para organizar politicas públicas. Ou seja, o governo, teoricamente, usa destas informações para criar e ajustar leis em prol de desenvolvimento social.

O ano era 2010, eu era muito jovem e quase não tinha experiência profissional (nem experiência de vida). Eu tinha apenas 23 anos de idade, cursava a faculdade de Direito sem perspectivas de desenvolvimento pleno, estava ali apenas por estar. Mas, tudo que vivemos e estudamos fica de aprendizado, não é?

E nesta época recebi um aprendizado que levei para vida, mas que vive em constante manutenção: o de etnia e identidade racial. Em 2010 pouco falava-se sobre Racismo, Colorismo, Raça e etnia, mas neste vídeo conto um pouco mais sobre o que é definido como identidade étnica no Brasil atualmente.

sábado, 17 de outubro de 2020

A origem da pobreza na África e a Colonização Europeia

É comum associar a imagem do continente africano à miséria e pobreza, escassez de recursos hídricos, baixa taxa de nutrição populacional, dentre outras coisas negativas. Mas você sabe como isso começou? Se na África há tanta terra fértil, por que tanta gente ainda passa fome?

É importante dizer que muita gente passa fome no mundo todo, isso não é uma exclusividade africana, e isso ocorre porque há uma péssima distribuição de renda no planeta. Não falta comida, falta boa vontade dos governantes de criar políticas para que isso não ocorra.

É interessante para países que exploram o continente africano (como os países europeus e os EUA) manter essa imagem negativa da população africana pois assim tem mais "liberdade" de intervir, explorar, como se salvadores da pátria fossem. E nesse sentido, preparei uma aula que mostra um pouco de como ocorreu a Colonização no Continente Africano.

Veja também: História da África pré-colonização

Confira 👇


Acompanhe novidades no Canal do Youtube
Se inscreva
↓↓↓↓


SIGAM

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

HISTÓRIA: Mitologia Africana

Quem mora no Brasil sabe da enorme influência das religiões de matriz africana no nosso dia a dia, nas nossas gírias, na nossa culinária. E antes do Islã chegar à África, dominando grande parte do continente, a mitologia/ religião praticada era a que vou compartilhar com vocês no vídeo abaixo: 


Ainda que você não acredite nesses mitos, é importante conhecê-los pois toda mitologia é um fator de grande importância no estudo da História de qualquer povo.

Acompanhe novidades no Canal do Youtube
Se inscreva
↓↓↓↓


SIGAM

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

HISTÓRIA DA ÁFRICA - PRÉ-COLONIAL

Confira nessa postagem um resumo de História da África e os reinos de Gana, Mali, Congo, etc. Esses reinos foram de suma importância antes da chegada dos colonizadores europeus (ou seria invasores?). Enfim... confira no vídeo abaixo essa História que tem influência direta na vida do negro brasileiro.


Acompanhe novidades no Canal do Youtube
Se inscreva
↓↓↓↓


SIGAM

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Indicação de leitura: A Cor Púrpura

Nesse vídeo compartilhei um pouco sobre o livro "A Cor Púrpura", da escritora feminista Alice Walker.

Eu já tinha falado sobre esse livro anteriormente aqui no Blog, mas decidi fazer um vídeo exclusivo pra falar do assunto porque é um livro extremamente importante e de boa leitura.

Confira o vídeo:


Dê o seu apoio, curta a Fanpage ↓↓↓↓



Quer comprar o livro "A Cor Púrpura" pelo menor preço e frete mais rápido do mercado? Compre usando o link abaixo ↓↓↓

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Feira Cultural do Curso Ação Magistério - Tema: Nordeste

Não é novidade pra quem acompanha o Blog que estou cursando o magistério, indo num processo inverso de tudo que a gente aprende na vida (faz parte...).

Dia destes rolou a Feira Cultural lá como trabalho de Metodologia de História e Geografia e eu simplesmente AMEI!

Feira das Regiões Brasileiras
Meu grupo e nossa querida professora Jenifer

Feira Nordestina
Nossa mesa de comidas típicas. A região sorteada para nosso grupo foi a Nordeste 😍
A professora havia indicado o trabalho que consistia na criação de uma mesa com um cartaz sobre uma região do Brasil. Felizmente meu grupo pegou a região que eu mais amo, que é o Nordeste Brasileiro.

Feira Nordestina
Cartaz lindo que minha amiga Emmilt fez: simplesmente apaixonada 😍

Por que sou apaixonada pelo nordeste brasileiro? Porque qualquer pessoa que ame História do Brasil sabe que tudo começou por lá. Além disso, o nordeste brasileiro é palco de uma forte oposição de esquerda ao governo fundamentalista atual.

Não o bastante, o nordeste brasileiro possui uma cultura riquíssima, uma culinária vasta e muito local lindo. As praias não são encantadoras? Infelizmente eu só conheço Porto Seguro, na Bahia, mas pretendo conhecer outros lugares.

E por falar em cultura riquíssima, foi difícil escolher um tema e uma música só para nos apresentarmos, tanto que decidimos cada uma usar uma roupa e dançar uma música em forma de pout pourri, pois escolher somente um elemento seria injusto com os outros estados.

Feira Nordestina
Nossa mesa e nosso grupo

Decidimos nos organizar da seguinte maneira:
  • Uma falaria sobre as festas de Micareta, sobre a cultura da "pegação" que é atribuída a esse tipo de festividade, como começou, seu significado e tals. A minha amiga responsável por isso levou a tapioca, muito popularizado no sudeste pelos também frequentadores de micaretas;
  • A Emmily, que fez o cartaz, foi vestida de Baiana e falou sobre as religiões de matriz africana, sobre o que isso representa na Bahia e como as baianas são vistas ao longo da história: é uma cultura riquíssima;
  • A Taísa, minha outra amiga, falou do Cangaço e como ele é visto no imaginário popular. Levou o Cuscuz salgado que, por sinal, estava uma delícia;
  • A Camila falou das Festas Juninas, mais precisamente como elas são encaradas no nordeste e do São João de maneira turística;
  • E euzinha, bem colorida, falei do Frevo e da Cultura Pernambucana ♥ meu prato foi um bolo de rolo que é 100% pernambucano e foi tombado como patrimônio histórico e cultural em 2007.

Enfim, a feira também apresentou as outras regiões do Brasil com outros grupos e foi de uma riqueza de detalhes e capricho que vocês não tem noção.

Uma das coisas que muito me alegra de estar nesse curso são as meninas que dividem essa jornada comigo, são pessoas que tem uma vida aqui fora mas mesmo assim se animam de acordar cedo nos sábados para dar seu melhor.

Sinto cada dia mais que aprendo nesse curso de somente um ano e que não aprendi em quase quatro anos de licenciatura... fico muito feliz de ter a oportunidade de estudar nesse ambiente tão gostoso e lúdico.

Um grande beijo, Thainá

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Conheça o IPN - Instituto Pretos Novos, no Rio de Janeiro


Em 1996 foi descoberto, numa área central do Rio de Janeiro, ossadas de africanos trazidos ao Brasil na condição de escravos. Isso ocorreu graças a uma obra que estava sendo realizada por um casal de moradores da área e foram surpreendidos com material arqueológico.


Após análise profissional de biólogos e arqueólogos, descobriu-se que naquela região eram enterrados, sem nenhum tipo de formalidade, estes africanos traficados e a área hoje tornou-se um centro cultural de preservação dessa memória.

Os negros trazidos ao Brasil passaram muitos anos tendo sua cultura e identidade apagadas e o IPN trás ao visitante uma tentativa de reavivar essa memória tão forte, mesmo com o advento da diáspora.

A visita começa com um vídeo explicando tudo isso e mostrando o que foi feito nestes últimos anos pra valorização do espaço e a guia nos mostra o material arqueológico. Além disso, também há uma sala de exposição de arte afro-brasileira e uma biblioteca com títulos de famosos escritores negros, principalmente os que tocam em assuntos referentes à escravidão e ao racismo.


Enfim, é um lugar muito importante para a História do Brasil porque nos mostra como a escravidão foi nociva em várias aspectos da sociedade e nunca deve ser esquecida no sentido de valorização dos direitos humanos fundamentais juntamente com a luta de combate a qualquer tipo de preconceito de natureza racial e social.

Além da questão histórica e social, o lugar tem uma energia fortíssima. Mal cheguei e, ao ver as ossadas, comecei a chorar. Não sou do tipo de pessoa religiosa mas estar naquele ambiente mexeu muito comigo. Vale a pena a visita!! A entrada é gratuita e o lugar é muito simples, não tem a estrutura de um super museu, então, vale a pena deixar aquela contribuição para a manutenção desse espaço tão importante 😉

Endereço: R. Pedro Ernesto, 32-34 - Gambôa, Rio de Janeiro - RJ, 20220-350

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Conheça o Museu Afro Brasil, em São Paulo - Semana da Consciência Negra

A uns anos atrás me despertou uma vontade de conhecer São Paulo e eu não sei de onde essa vontade veio, mas simplesmente me recusava acreditar que essa cidade não tinha nada. Quando comentava com alguém aqui do Rio sobre esse desejo quase sempre era bombardeada por perguntas do tipo "_Fazer o quê em São Paulo?" afirmando que São Paulo não tem nada. Obviamente essas pessoas nunca devem ter pisado na cidade ou tem uma concepção de divertimento muito diferente da minha.

Estudando História, principalmente a do Brasil Colonial (que é a parte que eu mais gosto), eu pude conhecer a enorme importância que essa capital tem para o país e no fim de semana do feriado de finados pude conhecer a cidade. Fiquei encantada com as opções de lazer e recomendo muitooooo pra quem gosta de História e Cultura 😊❤✈ (só queria deixar registrado como fiquei impressionada com a educação, simpatia e gentileza dessas pessoas - precisamos superar o fato que o trabalhador paulistano é mais educado que o carioca) 😂😂 (OBS: falando mal porque EU POSSO)

Mas enfim... eu tinha planejado conhecer alguns pontos turísticos de São Paulo como o MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), a Carlo's Bakery (confeitaria do idealizador do programa de TV Cake Boss), o Mercado Municipal, a Catedral da Sé, etc. Dentre essas escolhas eu fui, inclusive, no Parque do Ibirapuera, mas nem curti tanto pois estava muito calor, e eu estava cansada.

Semana da Consciência Negra

Semana da Consciência Negra

Mas ainda bem que fui: dentro do Parque do Ibirapuera tem o Maravilhoso Museu Afro Brasil, que é um Museu relativamente jovem sobre cultura negra, africana, brasileira, e afro-brasileira.

Semana da Consciência Negra
Vista de fora do Museu: o Parque do Ibirapuera
Museu Afro Brasil
Será que é só eu ou todo estudante de História ama mapas?
O Museu foi inaugurado em 2004 a partir da coleção particular do Curador Emanuel Araújo e ao longo do tempo constituiu valorosa instituição para fomento da cultura nacional voltada para a história afro-brasileira.

Desde 2009, o Museu Afro Brasil, é uma instituição pública, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, subordinado ao Governo do Estado de São Paulo e foi apoiado com recursos vindos da Petrobrás e da Lei Rouanet.

Biblioteca Escritora Carolina Maria de Jesus
Biblioteca Escritora Carolina Maria de Jesus

Um dos principais espaços do Museu é a Biblioteca Carolina Maria de Jesus, que conta com cerca de 10.000 títulos sobre temas relativos a Escravidão, Tráfico Negreiro, Brasil Colonial, Elementos da Cultura Africana e do sincretismo Afro-brasileiro, etc. Maria Carolina de Jesus foi uma importante escritora negra, falecida em 1977, moradora de uma comunidade carente em São Paulo e sustentava seus filhos com o trabalho de catadora de lixo. Tomou conta da cena literária brasileira ao ter seu diário publicado (Quarto de Despejo) na década de 1960.

Museu Afro Brasil

O Museu também possui um acervo riquíssimo voltado pra festividades nacionais como Carnaval do Rio de Janeiro, Festas folclóricas do Norte do país, etc. Há um Teatro dentro do Museu cujo espaço é usado para apresentações de dança e eventos universitários, levando o nome da considerada “Sacerdotiza da Dramaturgia - Ruth Souza”, atriz negra, importante nome na TV e no Teatro Brasileiro.

Há uma parte do Museu voltada também para a História do séc. XVI quando as grandes navegações chegaram ao Brasil e posteriormente, colonizadores portugueses escravizaram africanos por comércio. Também há uma parte interessante onde é mostrado os heróis do esporte, mais precisamente do futebol, que no Brasil é dominado por atletas de origem afro (OBS: Em São Paulo também há o Museu do Futebol, cujo conteúdo, infelizmente, não pude conhecer).

Não postei mais fotos porque não acho certo, já que a função do museu é justamente expôr e resguardar, mas não deixe de conferir se for o caso pois lá há MUITA, mas MUITA coisa!!

Enfim, o Museu é muito rico e aos sábados (dia que fui) estava com a entrada gratuita, sendo que é possível fazer uma doação em dinheiro de qualquer valor para ajudar na manutenção e valorização do Museu - modelo adotado em muitos museus ao redor do mundo.

Espero que tenham gostado da postagem e indiquem para quem se interessa por cultura negra e afro-brasileira 😊

Aproveite para se inscrever no Canal mostrando assim seu apoio a esse Blog e aos conteúdos aqui compartilhados 🙂


INSCREVA-SE ↓

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Existe racismo/ preconceito nos EUA?

Quando comecei a escrever em blogs, por volta de 2011, eu gostava de postar sobre diversas coisas, sempre amei escrever e amo até hoje. Uma coisa pouco explorada aqui e que eu gosto muito é o mundo da beleza e da estética, ainda sinto vontade de cursar algo nessa área, já bloguei muito sobre isto, mas depois falo deste assunto.

Em 2013 fiz outro Blog pra compartilhar minha experiência de intercâmbio como Au pair nos EUA e me deparei muito sobre estes questionamentos: o preconceito. Eu era uma jovem fissurada pela cultura norte-americana e, na verdade, até hoje gosto de muitas coisas, mas isso mudou um pouco, depois explico melhor. Nessa época eu só enxergava coisas positivas na vivência estadunidense e o desgosto com as oportunidades de trabalho no meu próprio país agravavam isso. Enfim, eu queria tentar a vida nos "states".

Isso veio cedo: desde meus 15 anos eu era louca pra fazer intercâmbio e insisti para meus pais me matricularem num curso de inglês: eu era determinada a sair do Brasil, mas não sabia como. Aos 20 e poucos anos vi a oportunidade de ser Au pair e com 25 embarquei. Era comum algumas pessoas falarem mal da minha decisão por não entenderem ou simplesmente por inveja, algumas pareciam ficar torcendo pra dar errado, não foi um mar de rosas a aceitação.

Em alguns momentos elas me questionavam sobre o "preconceito" que o latino sofre nos Estados Unidos mas isto não me preocupava. Chegando lá pude conferir com meus próprios olhos como as coisas funcionam e vou compartilhar aqui com vocês.

Primeiramente a gente não pode determinar o comportamento inteiro de uma nação pois as pessoas são diferentes e no caso dos EUA, isso é mais forte ainda, já que existem mais estrangeiros que nativos americanos residindo por lá. Se no Brasil há uma polaridade imensa de idéias, imagina por lá.

Um país cuja taxa de imigrantes é maior que que a de nativos, é de se supor que não seja preconceituoso, certo? Não exatamente. Na época que morei por lá, se alguém me questionasse esse fato, eu diria que não, os Estados Unidos não é um país preconceituoso, afinal, usava de parâmetro meu próprio país e minhas experiências de vida. Já postei no antigo Blog sobre isto num texto sobre "Curiosidades sobre Morar nos EUA" e isto aconteceu em 2013, quando morei nos EUA e minha consciência política era zero: eu não me interessava por esse assunto.

Hoje, estudando mais Ciências políticas, História, Sociologia, etc, minha opinião mudou: Os Estados Unidos é um país preconceituoso sim, mas seus habitantes não. Explico: Os Estados Unidos é o berço do Capitalismo e não existe Capitalismo sem opressão. Nesse sistema econômico onde, supostamente, sobe na vida quem se esforça mais, não há espaço para todos que se esforçam. A criação de estereótipos negativos sobre as pessoas se faz então necessária para sua exclusão e funcionamento do capital: a origem de todos os preconceitos.

Além disto, o norte-americano "raiz" é conservador, intolerante e tenta disseminar sua cultura sobre pretexto de "democratização": assim é o governo norte-americano, IMPERIALISTA. Basta ver as atitudes do governo no Oriente Médio, por exemplo, e tirar suas próprias conclusões.

Com isto podemos afirmar: O Governo norte-americano e o sistema capitalista são preconceituosos, excludentes e imperialistas, contudo, não podemos julgar todos os residentes daquele país desta maneira. Quando morei nos EUA fui muito bem tratada por diversos nativos, mas também passei por situações difíceis nas mãos de outras pessoas: nada diferente do que poderia acontecer aqui no Brasil.

Um fenômeno comum e alvo de protestos nos EUA é a ação policial racista, principalmente nos "downtows" (centros das grandes cidades), algo que infelizmente também acontece no Brasil e só confirma a tese de racismo estrutural, ou seja, do racismo estar nas bases de organização governamental do próprio país.

Enfim... este é um pouco de como vejo o racismo norte-americano e um texto pra me retratar sobre as afirmações que fiz no passado (e fui questionada por uma seguidora). Atualmente existem movimentos de empoderamento negro, feminino, dentre tantos outros, o que só mostra que a necessidade fez isto ocorrer. Um abraço, Thainá.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

História Antiga Oriental - parte 2

Veja a primeira parte aqui!

Nesta segunda parte dos estudos sobre História Antiga Oriental veremos o desenvolvimento da Sociedade Egípcia ao longo do tempo e sua grande influência em diversas culturas ao redor do mundo.

O Egito não se desenvolveu apenas pela sua geografia favorável decorrente do Rio Nilo, também se desenvolveu por ação humana e existem lendas até sobre interferência alienígena. As pirâmides foram construídas não somente com utilidades funerárias (que eram seus objetivos principais), também serviram para marcar dinastias e deixar para a posteridade como símbolo de poder. 

Ptolomeu, general macedônio de Alexandre o Grande, foi um faraó egípcio de grande importância na História. Você já ouviu falar de Tutancâmon? Tutancâmon foi uma múmia intacta encontrada que possibilitou entender os funerais e rituais egípcios como um todo, tendo assim seu nome gravado na história do Antigo Egito. O entendimento dos rituais funerários nos permitiu compreender a dinâmica política daquela época, como as questões relativas a maldições para evitar saques por exemplo, dentre outras tradições e costumes egípcios.

Filme "O Escorpião Rei", 2002
Em torno de 3000 a.C. surge a figura de Menés, sua representação nos hieróglifos é de um escorpião, daí a figura do “Escorpião Rei”. Sua representação é mítica pois une o alto e baixo Egito.

O Faraó como administrador controlava uma série de terras comuns, nelas haviam os trabalhadores egípcios e também os escravizados. No antigo Egito tudo girava em torno da figura do Faraó, que era visto como um deus vivo. Havia também a responsabilidade das grandes construções e quem ficava à frente deste trabalhos era o “Vizir”, construtor e auxiliar direto do Monarca. No governo de Djoser, o segundo (ou o primeiro) faraó da Terceira Dinastia do Império Antigo, reinou durante quase duas décadas e o Egito ganhou de fato sua estrutura Faraônica. Nesse sistema era presente a imobilidade social, a servidão coletiva e hereditariedade das funções (apesar desta última não ser tão rígida).

Sobre a Cultura e Religiosidade no Egito Antigo temos o primeiro período intermediário, onde ocorre a transformação do poder para figura do Faraó. Para o Médio Império a figura faraônica passa a ser sagrada, assim se isolando das questões mundanas.

Os Poderes locais e a Aristocracia passa a ter uma força singular na estrutura social: o próprio Faraó é fruto de uma representação mítica de uma batalha, que seria a reprodução de Maat, a reprodução da terra perante os deuse, sendo a própria casa da coroa de Hórus. Na mitologia consiste o seguinte: Atum, o princípio criador, “cuspiu” e de seu cuspe originou-se o casal de gêmeos Shu e Tefnut. Estes se reproduziram dando origem à Nut (céus) e a Geb (Terra) que eram interligados. Contudo, Atum ordenou que fossem separados proibindo-lhes qualquer união sexual. Geb e Nut desobedeceram esta ordem e Nut, os céus, engravidou de quatro gêmeos: Osíris, Isis, Seth e Néftis. Osíris (lua) casou-se com Ísis e tornou-se rei da Terra, ou seja, o primeiro faraó do Egito, eis que Ísis era herdeira legítima do trono.

Seth casou-se com Néftis mas como era estéril não tiveram filhos. A inveja dele para com Osíris o faz matá-lo e esquartejá-lo em 14 pedaços (1 para cada noite de lua minguante) e espalhou por todo Egito. Ísis procurou juntar os pedaços esquartejados para tentar ressuscitar o seu amado, mas de sua busca ainda faltava o “falo” (pênis). Nada deu resultado, Osíris continuava moto e Isis, num momento de tristeza, transformou-se num Falcão. Ao se transformar ela pousou no local do falo faltante e o fez surgir, com magia: assim foi concebido seu filho Hórus, que significa a união da vida e da Morte.

Seu tio Seth também tentou matá-lo mas Ísis o escondeu quando nasceu. Quando Hórus cresceu ele desafiou o seu tio e numa das batalhas Seth arrancou seu olho, lançando no oceano Celestial. De acordo com a mitologia egípcia nunca houve um vencedor entre eles. Foi decidido que Hórus deveria reinar sobre o Egito e Seth sobre deserto.

Existe também o mito/ texto na Estela da Fome que o Faraó DJoser estava muito triste e que este foi um período difícil e compreensão histórica por conta dos muitos caracteres místicos. De acordo com o texto, Djoser mantinha-se em seu palácio com sentimentos de profunda tristeza. O Egito era assolado por uma seca que já durava anos, o Nilo não transbordava, conseqüentemente, não depositava o lodo que fertilizava as terras para a prática agrícola e a população passava fome.

O Ritual de Mumificação no Antigo Egito usava de uma técnica para preservar os corpos após o óbito que não era acessível aos pobres. Desse modo só temos registros de pessoas influentes no reino faraônico, pessoas ricas, familiares do Faraó. Havia também a figura da “mentepsicose”, que era a crença de que a alma voltaria para o corpo do falecido após a morte.

O Zoomorfismo era a crença de que haviam deuses cuja aparência manifestava-se metade homem, metade animal. Este é um elemento mítico muito presente na mitologia egípcia. Já o Antropomorfismo era a representação divina com aspecto humano. O politeísmo teve origem nos Nomos e sua unificação, deste modo a maior parte do tempo o Egito Antigo cultou diversos deuses, renegando o monoteísmo.

Os elementos míticos das religiões egípcias abrangeram uma riqueza de detalhes sem igual. A ideia de um Tribunal de Osíris permeava o ritual de mumificação e todas as questões voltadas à morte nesse tempo. Os antigos egípcios acreditavam na vida após a morte. Para eles, após a morte física a alma passava pelo Tribunal de Osíris onde o indivíduo seria julgado pelas suas ações. O morto tinha que provar para os deuses que tinha tido uma conduta guiada pelos princípios morais da época. Até hoje podemos sentir esta influência quando usamos da expressão “Juízo Final”, por exemplo, ao nos referirmos a um suposto julgamento de almas com o advento da morte.

Falando de Política, temos a Co-regência como modelo de sucessão. Era comum entender a escolha do Faraó como política e religiosa, era algo que envolvia muitos poderes. Àquele que conseguia atingir uma sociedade pacífica era considerado o descendente legítimo de Hórus, obtendo grande influencia diante da população.

Ainda falando de política, os Nomos, regiões de domínio ao longo do Rio Nilo não desapareceram em momento algum nem estabeleceram exércitos pra definir suas fronteiras. Também temos as figuras do Vizir e do Sacerdote que exerciam papéis importantes na administração pública do Antigo Egito. Os poderes futuros denominados "tardios" são de um Novo Egito cada vez mais ligado ao Mar Mediterrâneo, às dominações Gregas e ao Império Romano.

No Primeiro Período Intermediário rolaram disputas políticas e a existência dos Nomos marcam a região, afastando-se de uma centralização. O Médio Império é considerado frágil pois tornou-se alvo de invasões, sendo a mais grave orquestrada pelos Hicsos. A História contada pelos egípcios não reconhece nenhum faraó nesta época justamente por causa deste domínio. Fator que facilitou o ocorrido foi a falta de associação militar na época.

O Segundo Período Intermediário é considerado obscuro pela História, uma vez que muitos dos seus registros foram destruídos no Novo Império. Neste período, a figura do Faraó foi reinventada como "Guerreiro", graças a nova organização desempenhada pelos grupos de egípcios revoltosos.

Tutmés III foi o consolidador e para garantir o apoio dos nomos utiliza-se do prestígio da rainha Hatshepsut. O nome do faraó era uma escolha política, sempre mudado ao assumir o poder e no Novo Império o nome mais famoso é o de Ramsés; os sucessores buscaram seu prestígio e a recorrência será perceptível. Ele tornou-se famoso por conduzir os egípcios na Batalha de Kadesh e por ser, provavelmente, os dos protagonistas do Êxodo. Era de origem nobre pois seu avô já havia sido general das dinastias que fundaram o Novo Império.

De 1070 à 715 a.C. ocorreu o Terceiro Período Intermediário acabando no que chamamos de "Baixa Época" até 332 a.C., com a conquista de Alexandre, O Grande. Desde aí o Egito não conseguiu mais conhecer seu antigo poder (apesar dele não ter desaparecido por completo).

domingo, 18 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 4

Continuando os textos sobre "Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil", quero compartilhar com vocês uma visão totalmente diferente do que já vimos por aqui, eu diria até com um caráter reacionário, mas que também é abordada na faculdade de História, sobre africanidade, negritude, período escravocrata, etc.

Confira aqui as postagens anteriores:
Tive em mãos durante minhas aulas de Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil um texto do autor Mia Couto, escritor moçambicano, cujo objetivo é demonstrar que os problemas enfrentados na África subsaariana não são de exclusividade da colonização européia.

Sabemos que europeus e estadunidenses tentam dominar meio mundo, invadem países impondo sua cultura, seus modos de viver e roubando suas riquezas mas não podemos culpá-los 100% como responsáveis pelos problemas no planeta, até porque isto não ocorreria sem a conivência de nativos destes locais "colonizados".

Mia Couto cita em seu texto "Os sete sapatos sujos" sete atitudes que contribuem para que o estado de pobreza extrema se perpetue tanto tempo em certos locais na África. A questão não trata-se de responsabilizar o negro africano por seus problemas no geral mas entender como uma auto crítica. As mesmas coisas citadas por Mia podem facilmente ser aplicadas no Brasil, se pararmos pra analisar:

O que é entendido como problema para o desenvolvimento africano:

  • A ideia de que o culpado são sempre os outros e nós somos as vítimas: Mia Couto acredita que o domínio europeu na África causou seus enormes prejuízos mas também criou uma mentalidade de não responsabilidade por parte de alguns nativos africanos;
  • A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho: Muitos nativos africanos se acomodam em suas situações sociais por acreditar que quem avançou em escalas sócio-econômicas teve "sorte", é espiritalmente abençoado, coisas do tipo;
  • A ideia de que as críticas são sempre negativas: Acreditar que o quem orienta de forma correta e dura está fazendo-o apenas por inimizade;
  • A ideia de que mudar as palavras muda a realidade: Mia Couto entende que se importar com certas expressões usadas no dia a dia impede o progresso pois o que importa de fato seriam as "atitudes" das pessoas;
  • A vergonha de ser pobre e o culto das aparências: O nativo africano muitas vezes se sabota ao tentar ser o que não é, adotando um estilo de vida não condizente com suas condições financeiras. É um incentivo a um mundo de aparências. Aqui no Brasil chamamos de "ostentação";
  • A passividade perante as injustiças: Mia acredita que muitos nativos africanos são inertes em casos de violência, principalmente a contra às mulheres e crianças. Ainda existem comunidades africanas que mantém rituais violentos como a Excisão (mutilação genital feminina) e o "achatamento dos seios femininos" nas garotas mais jovens;
  • A ideia de que para sermos modernos devemos imitar os outros: Mia é específico em seu texto ao definir "os outros" como os colonizadores da maior parte da África;


Quis deixar este texto bem resumido de acordo com o que foi dado em sala de aula, não digo que concordo com tudo que é mencionado mas alguns pontos achei importante. Nos próximos textos posso adentrar em cada tópico mencionado dando meu ponto de vista e de outros autores mas na postagem de hoje ficaremos somente com o lecionado na faculdade.

Um abraço, Thainá Santos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 3 - Um pouco da cultura Africana

Nos textos anteriores (parte 1 e parte 2) dividi os com vocês alguns conceitos estudados na disciplina "Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil". Hoje, continuando o estudo, vamos conhecer através do professor Kabengele Munanga alguns pontos importantes quando falamos de cultura africana.

Kabengele Munanga é professor especialista em antropologia da população afro-brasileira, mora no Brasil mas nasceu em no Congo, onde iniciou seus estudos e graduou-se em Ciências Sociais.
Resumo sobre Cultura Africana
Professor Munanga: Mito!!

É interessante notar o quanto a cultura africana é semelhante a brasileira. Não podemos cair no erro de achar que há unanimidade comportamental em todos os países mas existem pontos em comum que formam a verdadeira identidade africana. A África subsaariana é a que mais apresenta tais características e é delas que falaremos abaixo.

Um aspecto cultural muito marcante na África subsaariana é como seus nativos encaram a morte. Para eles a perder a vida não é um fim com caráter separativo pois entende-se que há união entre os vivos e os mortos, através do legado deixado pela ancestralidade. Em outras palavras, os vivos são "unidos" aos mortos, por transmissão de forças inter parentais.

Maturidade: Para uma pessoa ser considerada adulta entendemos que deve sair da casa dos pais e ser capaz de sustentar-se sem ajuda de ninguém. Também associamos isto ao casamento. Já na África a vida adulta é caracterizada pela capacidade de suportar dores. Rituais de sacrifício servem para demonstrar o quanto madura e evoluída uma pessoa está.

Governo: Nos povos africanos é comum entender-se que o soberano é o povo, que este é o ser mais importante para representá-los, tanto que quando um governante caiu doente, por exemplo, deve ser afastado para que seu povo não "torne-se doente também". Muitas vezes são induzidos ao suicídio. Os chefes de estados são mantidos no poder por ancestralidade e socialização.

Unanimidade: A África possui um aspecto que eu, Thainá, considero de um caráter pacífico que é a unanimidade. Os mais maduros de um vilarejo ou localidade tendem a tomar decisões somente quando há um consenso sobre os mais diversos assuntos, evitando assim conflitos e possíveis guerras.

Família: É comum os africanos manterem proximidade com suas mães até a vida adulta e casarem-se por conveniência (casamento arranjado). Muitas vezes a ficção nos mostrou o casamento arranjado como algo negativo e repudiante mas devemos entender que o "amor romântico" e o "casamento por amor" são coisas relativamente modernas: a maioria das sociedades viviam assim no passado e não chegou-se a criar problemas sociais graves por conta disto. Na África o casamento também revela um status de acordo com quem você é arranjado, a qual família pertence e pertencerá (isso não é muito diferente daqui, né?). Há um laço forte de ternura entre os netos e os avós, uma certa cumplicidade porque avós = 💗 e também vemos muito disso em outras culturas. Na sociedade africana não há papel social para o solteiro e é incentivado o casamento e reprodução de pessoas com graus de parentesco muito distantes ou zero (exogamia).



>>> Confira aqui a quarta e última parte desta leitura

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 2

No primeiro texto acerca do Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil compartilhei por aqui alguns aspectos da vinda dos negros africanos para o Brasil que foram escravizados pela colônia portuguesa.

Vimos que os negros africanos foram escravizados, afastados de seus conhecidos e familiares que também vieram juntos, tiveram sua cultura demonizada para perder sua identidade como unidade e apesar disto, ainda sim, tornaram-se parte da cultura brasileira escrevendo sua história.

Hoje em dia já possuímos políticas públicas de reparação destes danos e tentamos pagar esta dívida histórica mas nem sempre isto tem se mostrado suficiente. Esta frágil democracia é muito mais teórica que prática. Nossa Constituição Federal já indica punição para casos de racismo, mas pouco acontece na prática e quase nada impede novas situações.

Sociólogos já constaram que quando alguém comete um crime, esta pessoa tende a "clarear" sua pele diante da justiça para obter uma pena menor. Não é difícil notar que os brancos ainda vivem em situação melhor que os negros: chegam a maiores níveis educacionais, são maioria dentre os mais bem remunerados, réus negros tendem a sofrer maior perseguição, dentre outras coisas que não é uma suposta doutrinação que indica, são fatos que podemos observar facilmente no nosso dia a dia.

O conceito de Negritude é aliado a uma ideia de movimento social que pretendeu romper com o padrão europeu imposto por nossos "colonizadores". O Movimento Negro sempre pretendeu a busca da valorização da cultura negra e respeito por ser quem é. Muitas vezes entrou em contradição com seus aliados, mas uma coisa é certa: É unânime o não querer voltar a um estado de alienação (escravidão).

Outro consenso dentro dos Estudos das Relações Étnico Raciais no Brasil é o silenciamento do Índio e do Negro na época da colonização. A escravidão poderia ter ocorrido com outros grupos étnicos e até nos dias de hoje ainda ocorre (de outras maneiras, com outras pessoas), mas daí negar sua existência é muita má fé. Existem grupos reacionários agindo online que tentam deslegitimar o Movimento Negro como se este fosse inútil, mas isto é um bom exemplo do que o racismo e a escravidão deixou como legado. O racismo e a escravidão do negro africano deixou uma cicatriz tão profunda em nossa cultura que muitos negros não se identificam com o movimento negro, acreditam que denúncias de racismo é "frescura" e que qualquer ofensa é vitimização por parte de seus semelhantes, logo, nem todos vivem esse conceito de Negritude.

Pode-se entender como início dessa tomada de consciência por parte dos escravizados a ação de Zumbi no Quilombo dos Palmares. Este incentivou os escravizados a fugirem de seus senhores para assim tornarem-se donos de si mesmo. Este comportamento de fato foi revolucionário e por conta disto a data de 20 de novembro (morte de Zumbi) foi escolhida para celebrar o Dia da Consciência Negra. Poderia ter, por exemplo, sido escolhido a data de 13 de maio (Lei Áurea/ Dia da Abolição da Escravidão) mas isto pouco significou na época, eis que a abolição não criou medidas de inserção do negro no mercado de trabalho formal, escolas, universidades, por exemplo.


O próximo texto vai falar sobre costumes e cultura africana, não percam!! Siga o Blog pra acompanhar de perto das atualizações. Um abraço, Thainá Santos.

>>> Veja aqui a terceira parte desta leitura

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 1

Nesta postagem quero dividir com você que chegou agora alguns conceitos e aspectos dos Estudos das Relações Étnico Raciais no Brasil. Esta disciplina cursei no primeiro período da faculdade de História e, embora aborde um contexto quase que 100% histórico, também é lecionada nas faculdades de Pedagogia, Letras, Serviço Social, etc.

Mesmo sabendo que no Brasil há uma grande miscigenação graças a imigrantes de outros países, o foco desta matéria é encima da cultura afro-brasileira, eis que os negros africanos foram o grupo social mais negligenciado em nossa historiografia. Como a História do Brasil foi escrita utilizando a colonização européia como parâmetro e o negro africano foi escravizado durante muito tempo, nada mais justo que o Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil focar-se na valorização desta cultura.

O Brasil foi o último país latino-americano que aboliu a escravidão: o cativeiro durou por mais de três séculos deixando marcas sociais muito fortes, podemos percebê-las até hoje. Isto inibiu discussões sociais por muito tempo além de ter criado "hierarquia" nos nossos modos de viver. A violência tornou-se intensa e o trabalho manual era quase que 100% exclusivamente destinado ao negro.

Resumo sobre Escravidão negra no Brasil
Negros africanos escravizados ao chegar no Brasil
Quando chegava ao Brasil, o negro africano era escravizado e perdia parte de sua cultura. Embora isto não pareça grave pode-se observar o quanto influenciou para a manutenção de privilégios do povo branco. A cultura de um povo é tão importante mas tão importante que quando este é dominado, umas das primeiras coisas que ocorrem é a destruição de seus símbolos e monumentos. Isto o faz enfraquecer como unidade tornando-se mais vulneráveis. Desse modo, "demonizar" e escarnecer tudo que era relativo a cultura africana era um dos principais objetivos de nossos colonizadores. Ao negro africano era negado o conhecimento sobre seus antepassados, sua cultura, seus deuses, etc. O afastamento de seus conhecidos ao chegar em nossas terras contribuiu muito pra isso também.

As vezes ocorriam atos de rebeldia como suicídios coletivos, rebeliões, fugas, etc. O banzo era o sentimento de tristeza e depressão que assolava a maioria dos negros escravizados, com saudades de sua vida na África, levando-os a loucura, estresse, vontade de morrer. De certa forma isto contribuiu para a imagem de uma sociedade paternal pois os senhores tratavam os escravizados de maneira proprietária.

Pela ausência de leis específicas segregadoras, como o Aphartheid na África do Sul por exemplo, o Brasil vive até hoje um racismo velado. As pessoas escondem o preconceito atrás de "brincadeiras" e se ofendem quando o negro não as aceita. O silêncio sobre o racismo não quer dizer que ele não exista.

A escravidão do negro africano também contribuiu para o crescimento do Capitalismo pois este fortalece-se através da dicotomia social. Aos escravizados era negado o direito e relativizavam muito leis que pudessem beneficia-los de alguma maneira, sendo assim, a marginalização desse povo institui-se de um jeito muito forte em nossas terras.

O final da escravidão era paralelo ao fim da Monarquia. Mesmo assim houve resistência de senhores brancos que não queriam perder seus privilégios, desse modo surgiram "intelectuais" dispostos a provar por meio de estudos que o negro era inferior ao branco. Conhecemos também isto como "Racismo Científico". Posteriormente estas teorias foram todas refutadas mostrando seu descabimento, mas ainda hoje existem pessoas que acreditam nestas besteiras.

Disto também resultou a política de "embranquecimento populacional", quando a coroa portuguesa incentivou imigrantes de outros países a se alojarem no Brasil, desde que fossem brancos. Casamentos inter-raciais eram permitidos e também incentivados, desde que objetivassem um embranquecimento da população.

O fim da escravidão no Brasil nunca pode ser visto com um olhar revolucionário eis que não foram criadas medidas pra inserir o negro no mercado de trabalho formal nem políticas de empoderamento (esta estão sendo criadas agora, olha quanto tempo depois). Assim se deu os primeiros momentos do negro africano no Brasil, infelizmente, carregados de abusos, dor e sofrimento.



Espero que tenham gostado deste primeiro texto, vou fazer mais continuações e posto aqui sempre atualizando. Nesse primeiro momento é importante abordar como se deu a escravidão para depois adentrarmos em mais detalhes. Também quero deixar registrado que o estudo da cultura africana (não a afro-brasileira) também será compartilhado pois nunca é tarde pra recuperarmos a auto estima desse povo que praticamente construiu nosso país.

Beijos, Thainá.

>>> Veja aqui a segunda parte desta leitura

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Direitos Humanos (Esquerda) defendem "bandidos"?

Existe um pensamento infundado de que quem se posiciona politicamente à esquerda do conservadorismo, necessariamente, defende criminosos.

Vamos começar do início: a lei brasileira caminha para uma maior "suavização" de penas e multas em caso de criminalidade, isto já é uma tendência legislativa e você vai entender o porquê: acontece que máquina carcerária brasileira já está saturada e o principal objetivo, que é a ressocialização, tornou-se impossível na maior parte dos presídios. Isto também acontece pra criar brechas que possibilitem criminosos de maior poder aquisitivo (como políticos, por exemplo) de continuar cometendo seus crimes. Vergonha né?

Mas esta "suavização" não ocorre só no Brasil: a tendência mundial é que todos são inocentes até que se prove o contrário. Quando este fenômeno ocorre pra beneficiar quem não merece nós devemos sim nos indignar mas não é sempre que isto acontece.

O princípio de que todos são inocentes até se prove o contrário advém da ideia de que, é melhor um criminoso solto do que um inocente preso, pois o criminoso pode mudar, deixar de cometer crimes, mas um inocente preso nunca terá seu tempo perdido recuperado, nem mediante indenizações, será um trauma eterno na vida da pessoa.

A própria história nos mostra que políticas de tolerância zero aliadas à práticas violentas causaram mais prejuízos que benefícios; o holocausto judeu na Alemanha nazista é um bom exemplo disso, e a partir dele criou-se a ideia de Direitos Humanos.

Os Direitos Humanos são princípios que permeiam nossa lei e nossa cultura, mas infelizmente usam de má fé pra difundi-los. Eu, particularmente, acho que todos devem pagar pelo mal que cometem, mas infelizmente quando pensam nisso só se lembram do pobre e negro que bate carteira. Dificilmente você vê alguém pedir linchamento de empresário explorador, de playboyzinho que bate na namorada, de amigo que estupra a própria esposa... enfim... toda a atual esquerda é contra esta injustiça que fecha os olhos para os bandidos "ricos". Daí quando defendemos que um pobre e negro tenha uma pena justa, dá a entender alguma espécie de defesa anulatória de pena. Não é!

A verdade que os trabalhadores do poder judiciário, se praticarem o que aprendeu, vão saber que justiça é diferente de vingança e não passamos mais de cinco anos numa faculdade de Direito pra qualquer pessoa achar que sabe o que está fazendo. Existe uma lei, um estudo e principalmente uma Constituição que deve ser respeitada, uma Constituição que proíbe justiça com as próprias mãos.

Além disto, não é razoável que se mate uma pessoa por um crime de furto, por exemplo, pois a realidade socio-cultural influencia demais nesse tipo de crime. Sei que existem ladrões que vivem em boas condições e mesmo assim praticam barbaridades, no entanto, estou falando daqueles que por uma dificuldade prestou-se ao crime. Se notarem, todos os países que investem em educação fortemente apresentam baixas taxas de criminalidade, isto porque é mais do que claro que o ambiente influencia sim a conduta de uma pessoa.

Enfim, deixem a justiça para que os próprios profissionais executem e lembrem-se: A esquerda não defende bandido, a esquerda defende que TODOS paguem pela mesma maneira, sem injustiças ou brechas que beneficiem ricos.