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quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Vídeo aula: HISTÓRIA - MERCANTILISMO - CAPITALISMO - SOCIALISMO

No vídeo de hoje vamos falar um pouco de História e a visão histórica sobre o Mercantilismo, o Capitalismo e o Socialismo. Sem mais discussões políticas, acompanhe abaixo:


domingo, 10 de outubro de 2021

HISTÓRIA - UM POUCO SOBRE A I GUERRA MUNDIAL

Nesta postagem quero dividir com vocês alguns pontos importantes sobre a Primeira Guerra Mundial. Tal assunto é cobrado intensamente nos vestibulares e Enem pois seu acontecimento influenciou diversos assuntos importantes e influencia até na atualidade.

Alguns pontos de destaque sobre a I Guerra Mundial:

  • Ocorreu de 1914 a 1918;
  • Era entendida como a Guerra que acabaria com todas as guerras (quanta ingenuidade)
  • É entendida como uma disputa por colônias, sendo os principais nessa guerra Inglaterra, França e Alemanha;
  • Tem como estopim (e desculpa) a morte do Príncipe Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, assassinado em Saravejo (Bósnia);
  • Um dos pontos de destaque da I Guerra Mundial é o desenvolvimento bélico e científico;
  • É encerrada com o Tratado de Versalhes, em que Alemanha se sentindo prejudicada, desenvolve meios que culminam na II Guerra Mundial, em 1939;

Veja no vídeo como foi o desenrolar desta Guerra:


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segunda-feira, 6 de abril de 2020

VIDEOAULA: HISTÓRIA DA CHINA - parte II

Confira neste vídeo abaixo a continuação do vídeo HISTÓRIA DA CHINA - PARTE I. Nesta  segunda parte falaremos mais do período equivalente ao final da Idade Média, alguns aspectos dinásticos, invasões mongóis, governo de Gengis Khan, a questão da Manchúria, até a Revolução Chinesa organizada pelos comunistas.

Se você gosta de História da China, acompanhe comigo:


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sexta-feira, 1 de março de 2019

Educação de Jovens e Adultos no Magistério (EJA)

Desde que comecei a fazer a Licenciatura em História tive resistência com as matérias pedagógicas pois embora eu goste de dar aula, eu achava tudo muito repetitivo e não me encantava nenhuma disciplina nesse sentido. Eu não gostava da Teoria.

Mas eis que em Dezembro do ano passado eu decidi começar o Magistério de Nível Médio (antigo normal) pois as oportunidades pra professor de História são muito escassas e eu quero lecionar, não importa o nível. Estou cursando o 3º mês (módulo) do curso e estou amando viver essa experiência porque no Curso Normal temos a sensação de aprender a ser professor de verdade (contei um pouco como é o curso aqui).

Enfim, uma das primeiras matérias que tive foi LIBRAS (que eu já tinha cursado na faculdade) e Abordagem II, que é voltada pra Educação de Jovens e Adultos (EJA) e simplesmente me apaixonei por essa última ❤️💗🖤

Eu já tinha estagiado numa escola com EJA e a prática foi um pouco superficial na medida que eu já estava exausta do ambiente escolar nos finais do dia. Porém, entender a Filosofia e os princípios dessa matéria me fez ver um novo horizonte.

Paulo Freire

A Disciplina de EJA nos ensina a dar aulas para jovens a partir dos 15 e adultos até a idade que for. Parece um trabalho fácil mas não é. O professor precisa lutar pra não infantilizar o ensino e entender que cada aluno tem sua particularidade. A EJA está disciplinada na LDB, em especial nos artigos 37 e 38, e possui DCN própria para sua oferta.

Vou colocar aqui neste texto alguns pontos importantíssimos da disciplina EJA que aprendi no curso, principalmente os que me fizeram amar essa matéria:


  • A Educação como Direito de todos: Logo no primeiro dia de aula a professora de EJA nos apresentou um vídeo sobre a menina Malala Yousafzai, militante paquistanesa que lutou pelo direito das meninas de sua comunidade ter acesso aos estudos. Entender que a educação deve ser de todos parece algo simples e subjetivo, mas se pensarmos que há comunidades que ainda restringem o direito à educação a pequenos grupos (geralmente elites financeiras) criando barreiras de sexo, cor e religião, o Brasil e sua Constituição Federal está a frente de muitos outros povos;
  • Não infantilização do Ensino: Como mencionado anteriormente, é de suma importância pensarmos na EJA como construtor de conhecimento. O professor não deve passar o que sabe para o aluno mas sim despertar no aluno um olhar para um conhecimento que pode vir de dentro. Agir com maturidade e seriedade (sem rispidez) para que o aluno não se sinta um bobo ao voltar aos estudos depois de certa idade;
  • A EJA é modalidade de ensino: Assim como a Educação Especial, o Ensino Profissional, a Educação do Campo, A Educação Quilombola e Indígena e a Educação à Distância;
  • Conhecer a realidade do Aluno: Todo mundo sabe que ao voltar aos estudos, muitos o fazem pra acrescentar algo em seu perfil profissional mas também por problemas pessoais, auto estima fragilizada, etc. O público alvo da EJA, geralmente, são pessoas que passaram por algum tipo de dificuldade no passado e tiveram que abandonar os estudos. Cabe ao educador um olhar diferenciado e sensível para com este público;
  • Questões Sociais: Hoje em dia a EJA não é vista apenas como um meio para que a pessoa obtenha um diploma, a EJA hoje é encarada pela lei e pelos professores como maneira corretiva de questões sociais. Como mencionado anteriormente, a Educação no Brasil é direito de todos e promovê-la é um modo de avanço e desenvolvimento social;
  • Paulo Freire: A EJA no Brasil está muito ligada à filosofia e ao trabalho do mestre Paulo Freire. O projeto de alfabetização que ele desenvolveu em 1963 atendeu 380 trabalhadores em Angicos, Rio Grande do Norte foi de suma importância na desconstrução da ideia de alfabetização para fins meramente mercadológicos. Embora já houvessem, anteriormente, projetos similares, nunca um foi tão bem desenvolvido como nesse caso, tomando, inclusive, repercussão internacional. Infelizmente o projeto foi sufocado pelo golpe militar de 1964;
  • A não culpabilização do aluno: É comum entre os alunos do EJA (principalmente os mais jovens) e entre educadores mal preparados entender que a evasão escolar advém de falta de responsabilidade dos alunos. Contudo, se considerarmos o número ainda muito elevado de evasão e vermos que as estruturas sociais no Brasil fazem o jovem abandonar os estudos pra buscar trabalho muito cedo, percebemos que é um problema muito mais coletivo que individual. Em outras palavras, o professor da EJA jamais deve tratar seu aluno como um "encostado" que não quer nada da vida, ainda mais porque muitos deles estão voltando justamente por motivo contrário, por almejarem algo melhor;

Enfim, estudar a EJA me fez se apaixonar pela pedagogia e pelo ensino, hoje estou muito feliz de conhecer esse universo e estou pensando até em me especializar em Educação de Jovens e Adultos 😊 Enfim, espero que tenham gostado de conhecer um pouco mais dessa modalidade de ensino tão especial!!

domingo, 27 de janeiro de 2019

Curso Técnico ou Faculdade? Video com DICAS (motivacional)

Se tem uma coisa que atormenta muitos jovens ao ir pro ensino médio e/ou final dele é a escolha da profissão. Mas também a nossa geração tem sido atormentada com mudança de profissão, desemprego e volta pro mercado de trabalho. Enfim, tá difícil pra todos!

Fiz este vídeo falando sobre minha visão do mercado de trabalho e dicas pra ajudar quem tem dúvidas de qual profissão escolher, se opta por um curso técnico/ profissionalizante ou uma graduação de nível superior.

Assistam

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Vamos falar de Direitos Trabalhistas?

Eu não sou nenhuma especialista em Direito do Trabalho mas resolvi trazer até esse Blog um vídeo alerta para ser assistido antes da Eleição de domingo.



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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriott) e A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels)

Nesta postagem quero deixar registradas minhas impressões sobre os livros A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriott)A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels).

Vamos entender o seguinte: muitas pessoas compram estes livros "compactados" na esperança de aprender em 200 páginas o ensinado em quatro anos do curso de História, ou de aprender rápido sobre um assunto pra impressionar alguém: não se iludam! Quem já se graduou em História nunca sabe 100% de tudo que já aconteceu no mundo e todo estudante de História precisa se especializar em uma área de conhecimento: isto é mais certo que a morte. Até as áreas mais comuns (História do Brasil, Egito Antigo, Medievo Oriental, por exemplo) precisam ser estudadas dentro de um recorte temporal para que o trabalho desenvolvido seja cada vez mais específico e crédulo. Então, você não vai aprender História com um livro deste tipo. 

Mas, se estes livros não servem pra aprender história, pra que servem então? Acompanhe abaixo nesta resenha dos livros A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriot) e A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels).

Resenha dos livros A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriot) e A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels)

A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriot): A autora, que é historiadora pela Universidade de Warwick na Inglaterra, é especialista em História Contemporânea. Atualmente trabalha como editora, escritora e resolveu reunir em 200 páginas a história do mundo, da Antiguidade até o final da 2ª Guerra Mundial.

De fato o livro aborda os assuntos mais importantes da história desde a invenção da escrita, o problema é que não relaciona os assuntos publicados de modo a compreendermos dentro de uma linearidade. 

Nós, estudantes de história e historiadores evitamos linhas do tempo rígidas que nos deem a sensação de rupturas bruscas no passar dos anos. Contudo, o método "linha do tempo" ainda é usado para fins didáticos, facilitando o estudo/ ensino.

Para quem nunca estudou história antes, este livro se mostra uma chuva de informações agressivas deixando o leitor totalmente perdido. Se você nunca gostou de História mas agora resolveu estudar, sugiro a leitura de livros específicos por eras, exemplo: Grécia e Roma antiga, Antiguidade Oriental, Medievo Oriental, Medievo Ocidental, Sistema Feudal, etc (futuramente farei posts de indicações de livros destes temas). A calma é sua melhor amiga!

O livro A História do Mundo Para Quem Tem Pressa é indicado pra quem já está familiarizado com os assuntos acima mencionados tendo estudado, pelo menos, uma vez na vida. Eu uso muito o livro em vésperas de provas para me lembrar assuntos que já conheço, logo, o livro tem o seu valor. Ele é ideal pra quem já tem experiência como estudante de história pois, mesmo quem conhece dos assuntos, muitas vezes falta a "teoria". A Teoria da História nos mostra métodos de estudo que desenvolvem o senso crítico do estudante de modo a fazê-lo compreender melhor tudo que estuda. Assim, um estudante experiente neste ramo terá mais facilidade de usar o livro.

A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels): O autor, graduado em Cambridge, estudou linguística e clássicos, seja lá o que isto signifique em termos educacionais na Inglaterra. Na micro biografia na orelha do livro, orgulha-se de ter desenvolvido um trabalho pesado na elaboração, ou seja, na base de muita pesquisa. Se isto realmente ocorreu eu não sei, mas gostei bem mais deste livro que do anterior. Obs: pela sorte do tipo de tema, não pelo modo de criação.

Mitologia é uma coisa que costuma variar com o tempo pois o "disse me disse" tende a criar versões para uma mesma estória. Assim como o livro anteriormente resenhado, é primordial que você já tenha contato com os assuntos abordados e você vai sentir isto ao ler sobre os mitos das culturas mais famosas (Egípcias, Gregas, Nórdicas, etc). Ao se deparar com conteúdo pouco falado (mitologia australiana, chinesa, etc) encontrará mais dificuldade pois são assuntos pouco presentes em nosso dia a dia.

A Mitologia não é menos importante que a História pois muitas vezes a explica. No Egito antigo, por exemplo, a mumificação de corpos acontecia por causa da religião e contribuiu muito para os estudos históricos. Na Grécia antiga os jogos olímpicos também se desenvolveram dentro de um contexto mitológico. É importante, então, conhecermos sobre mitos e lendas de um povo.

Por que gostei mais deste livro em relação ao "A História do Mundo Para Quem Tem Pressa"? Porque ao falarmos de mitologia há possibilidades de várias versões, facilitando o ensino e a compreensão (apesar de também rolar um certo "derramamento" de informações desconexas, desta vez, em relação aos acontecimentos históricos da época em que tais mitos se desenvolveram). Enfim... Tendo em vista a finalidade que você usará os livros, os recomendo pois são bem acessíveis financeiramente.

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Consumismo e Militância

Eu adoro ler e escrever sobre política, gosto mesmo, mas infelizmente é difícil pôr em prática o que se acredita 100% do tempo. Diante de tantas tentações em nossas vidas fica difícil não cair em contradição. Explicando: Eu tenho um ideal político em mente e pra que ele aconteça eu preciso fazer coisas que nem sempre serão agradáveis. Uma delas é abrir mão de comprar coisas fúteis.

Economizar grana pra mim nunca foi um grande problema pois sempre ganhei mal e nunca tive um emprego estável (a ideia de não ter nada no mês seguinte me apavorava), assim, eu nunca fui de gastar mais do que ganho. Mas de vez em quando dá vontade de ter coisas que não são importantes, principalmente pra casa e decoração (latinhas, caixinhas, panos de prato, etc).

Meus blogs e redes sociais eu sempre usei pra compartilhar coisinhas que amo pra dentro do meu lar e isto acaba me fazendo querer gastar dinheiro que não tenho. Vocês já viram perfis bombados de algumas donas de casa no Instagram? São compartilhadas cada coisa linda!! Não são moças multimilionárias que sigo, mas que elas tem uma grana sobrando pra comprar estes objetos pra casa, ah, elas tem. Eu adoro, não nego; fico com muita vontade de comprar... Mas além da grana não permitir, minha visão política socialista também impede.

No mundo socialista não deve haver lucro (teoricamente) pois tudo que é produzido por um trabalhador lhe é pago na sua integralidade. Os meios de produção são tomados pelos trabalhadores (não pelo empresário dono da fábrica) e assim vive-se numa sociedade mais igualitária. Infelizmente no Brasil não é isto que vemos: assistimos sentados cada dia mais uns poucos enriquecerem em cima do trabalho alheio. E uma das coisas que alienam estes trabalhadores é justamente este consumismo, essa vontade de ter o que não se precisa, e eu não estou imune a isto. A mídia contribui e muito com propagandas pesadas pra nos fazer crer precisar de coisas que não precisamos.

A gente pode notar que até os movimentos sociais e a militância atual viraram alvo de campanhas publicitárias e meios de vender cada vez mais. Quantas vezes você já viu o rosto de Frida ou Che estampados por ai? Eu, diversas!!

Eu evito ao máximo frequentar locais como shoppings e feiras que me farão querer gastar. A educação financeira é uma das grandes inimigas do sistema capitalista que precisa empurrar-nos goela abaixo seus produtos, desse modo, nunca vão incentivar seu ensino nas escolas por exemplo.

Sendo assim sigo fazendo minha parte evitando essas besteiras mas me perdoando quando caio em tentação, afinal, ninguém é perfeito. Quando me virem compartilhar algo distante da cultura socialista entendam que vivemos no capitalismo e é dele que nós sobrevivemos, infelizmente.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Marcelo Freixo e o "esquerdomachismo"

Por mais que nós, militantes comunistas, tenhamos nossas ressalvas em relação ao casamento monogâmico tradicional, é impossível viver nos dias de hoje sem o julgo de sua influência. A gente é tão bombardeado desde pequeno pela ideia cristã-ocidental de um casamento perfeito, hetero-normativo, monogâmico, com finalidade de reprodução, que, qualquer coisa diferente disto, é considerada "putaria".

Se desenvolver neste ambiente nos faz repudiar qualquer ideia de relacionamentos abertos, poligamia, amor livre, etc. Claro que algumas pessoas mais desprendidas desses modelos convivem bem em famílias alternativas, mas ainda são poucas. Dessa maneira, a traição é um tabu (principalmente a feminina).

A ex-esposa do deputado estadual Marcelo Freixo, quem sempre voto aqui no Rio, está acusando-o de machismo por ter difamado-a diante de seus conhecidos. Dizem as más línguas que ela o traiu e com isto Freixo tem falado mal de sua pessoa.

Marcelo Freixo é acusado de abusar da esposa

Sinceramente? Isto é somente um desabafo de um relacionamento acabado. Não temos como saber a verdade, toda história tem dois lados. Priscilla Soares postou em sua conta do Instagram um texto bem subjetivo sem uma acusação concreta. A oposição à Freixo está se deliciando, usando disto pra atacar a esquerda e a militância feminista. Não estou defendendo-o, estou apenas constando fatos, sei que há muitos machistas na Esquerda.

Entretanto, curiosamente, Priscilla também é de esquerda, feminista assumida e presente na vida política. As pessoas que estão acusando Freixo de machismo pra manchar sua carreira são as mesmas que repudiam o feminismo e simplesmente "cagam" para acusações do tipo. São conservadores, direitosos, fãs de Bolsonaro, que sempre relativizam acusações deste tipo, passam pano pra amiguinhos machistas e sempre desconfiam de acusações de estupro, por exemplo.

Espero sinceramente que caso Freixo seja esta pessoa, pague pelo que fez e deixe de agir desta maneira. E também será uma pena ver um deputado tão atuante nesta cidade nesta situação. Mas não devemos aceitar críticas "construtivas" de quem nunca construiu nada (no caso, a direita).

Também é tenso como o feminismo pós-moderno fecha os olhos para as questões sociais mais importantes, sob um falso pretexto de sororidade.

Enfim... vamos seguir acompanhando. Eu fecho com Freixo e não é uma acusação subjetiva que mudará isto. Claro que políticos podem nos decepcionar com o tempo, mas meu apoio é honesto e sinceramente, humanos são assim, sempre sujeitos a frustrações.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O Mundo não Linear

Dia destes voltei a estudar na faculdade e muita coisa mudou pra mim. Alguns sabem que iniciei a graduação em História numa faculdade convencional durante o ano passado e cada dia que passa me apaixono mais pelo curso. Por motivos trabalhistas tive que mudar de instituição e estou fazendo faculdade a distância. Ainda estou me acostumando, vamos ver no que dá. Ainda amo a História mais que tudo nesse mundo 💛

Antes do curso eu tinha acesso a um conteúdo militante de esquerda e me encantava cada dia mais por esse universo. Não me via como uma pessoa radical, mas talvez eu estivesse sendo sem perceber. Daí decidi estudar para, ao menos, ter mais convicção no que falo. Isso me trouxe uma certa insegurança e um medo de perder a naturalidade, me encher de academicismo, enfim... Mas ainda sim decidi ir em frente e ter mais cautela, porque não quero deixar registrado coisas mal feitas, sem fontes, sem segurança.

Quando criei esse blog eu tinha em mente levar para pessoas conteúdo, cultura e militância de Esquerda. Ainda é um propósito na minha vida atingir o máximo de pessoas possíveis, mas ainda que isso não ocorra, viver num mundo com menos desigualdades já me fará mais feliz. História, Literatura, Filosofia... Todo universo das ciências humanas com quem gosta de conversar é minha meta para este blog também. Se você curte, chega mais!!

A questão é que: Se eu amo as ciências Humanas, por que exigir uma atitude radical e exata? Estava sendo incoerente. Eu me posicionei contra os "isentões" durante muito tempo e ainda tenho uma certa aversão com quem não se posiciona (o famoso: não sou de direita nem de esquerda). Mas pensando racionalmente, estas pessoas que estão certas. Reparem só como nós nos portamos ao estar perto de pessoas contrárias a nossas ideologias mas que temos apreço: nos portamos como isentões. A vontade de estar perto daquela pessoa querida + a educação que papai e mamãe nos deu nos faz agir como isentões e não há mal nenhum nisto, não se culpe. É bem melhor ser assim que enfiar algo goela abaixo, afastando as pessoas.

Não podemos apoiar uma ideologia em 100% de sua natureza sem questioná-la, isso é burrice. Sempre questione e tente não ser radical, estou praticando isto como exercício diariamente. Enfim, espero que esta postagem deixe claro os objetivos do Blog, quero que saibam que, embora eu apoie a Esquerda, questiono suas ideias e convido a todos para fazer o mesmo.

Um ponto importante a se destacar é a vivência: não que ela seja tudo numa discussão, mas tem um peso imenso. Estudando sobre conflitos israelenses, por exemplo, a gente tem uma visão bem dura e concreta sobre o movimento sionista. Mas ao visitar a Palestina e outros locais no oriente médio chegamos a conclusão que nem tudo é como parece. Primeiramente: a mídia mente. Segundo: Nunca sabemos ao certo como é a vida de alguém, só a pessoa sabe exatamente o que se passa. Muito provavelmente se um dia você for a Israel, escutará versões justas dos dois lados.

Não estou defendendo o Estado de Israel mas apenas exemplificando como o mundo é não linear. Não existem santos. A faculdade de História me surpreende cada dia mais ao me ensinar como estudar e como questionar o mundo de uma maneira mais livre. Recomendo a todos!!

sábado, 1 de abril de 2017

O que é ser de Esquerda? Síndrome do Novo Convertido

Ser de Esquerda é um estilo de vida, é uma filosofia, quase uma religião.

Qual a diferença entre direita e esquerda
Nas postagens anteriores eu compartilhei por aqui porquê me identifico politicamente com o viés esquerdista e também contei uma experiência pessoal. Infelizmente nós quase sempre visualizamos o mal só quando ele ocorre com a gente. Eu demorei a enxergar a vida e o mercado de trabalho como ele é, precisei passar por uma experiência ruim pra me dar conta disto. Talvez pra você ser de esquerda não faça sentido, mas não precisa fazer, hoje eu não me importo mais com isso. Mas já me importei muito.

Existe uma situação que chamo de "síndrome do novo convertido" e é algo que sempre critiquei, mas acabei pagando a língua. Minha mãe sempre dizia que "Os evangélicos que frequentavam a igreja desde pequenos não são um problema, o problema são os que se converteram depois de adultos". Eu não entendia esta frase na época mas hoje tudo faz sentido.

Eu desmerecia pessoas religiosas que no passado "pecaram" e hoje em dia se converteram. Não me importo com a submissão de alguém a uma nova religião mas me incomodava bastante quando estas pessoas queriam me converter também. De fato, isto ainda me incomoda: Detesto gente que quer empurrar sua religião goela abaixo dos outros. Mas hoje em dia tenho um pouco mais compreensão e paciência.

Quando me descobri comunista e feminista eu pensava: Como alguém pode ser contra esta ideologia? Em minha cabeça parecia algo tão perfeito que era inadmissível outra filosofia. Eu ficava revoltada com as críticas e quando alguém negava essa política. Ficava pra morrer com mulheres negando o feminismo, com pessoas pobres negando a esquerda e com a desinformação acerca de políticas comunistas. Mas então comecei a enxergar na vida política muitas semelhanças com a religião: isso abriu muito minha mente.

Ainda gostaria que o mundo fosse feminista, ainda gostaria de uma revolução comunista no Brasil, mas entendo o quanto é chato empurrar esses ideais para alguém.

Peço desculpas a quem ofendi no passado, estou dia a dia tentando me policiar e extrair de bom tudo que puder, seja de quem for. Quando perdemos a capacidade de enxergar nossos próprios erros é porque entramos em estado de alienação.

Sei que a Esquerda é frequentemente alvo de críticas mas uso este espaço deste blog pra expôr o que penso e o que sei sobre o assunto. Não existe modelo social perfeito, não existe modelo econômico perfeito e não existe filosofia de vida perfeita em prática, mas vivo de um jeito que tento ser o melhor que posso pra minha sociedade e pra mim mesma. Foi na Esquerda que encontrei respostas para muitos dilemas, aprendi o sentido verdadeiro dos estudos na nossa vida, aprendi amar as ciências humanas e também a me colocar no lugar dos outros.

Se sua religião/ crença/ filosofia de vida ou viés político faz isto por você, saiba que tens meu apoio. Não há sentimento maior no coração de um revolucionário que o amor 💖

quarta-feira, 22 de março de 2017

Terceirização irrestrita do trabalho no Brasil

Em 2015 eu trabalhei num escritório em que pegava 3 ônibus (2 entupidos) pra chegar no pior lugar do RJ: Barra da Tijuca.

Acordava as 5h da manhã, fazia essa via crucis e muitas vezes corria (literalmente) pra chegar antes das 8:30h. Enquanto isso, outras funcionárias iam de carro, se maquiavam e se embelezavam porque moravam por ali mesmo.

Como funciona a terceirização

Eu ouvia piadinhas todos os dias sobre minha aparência, meu corpo, meu cabelo e minhas roupas. Tudo que eu fazia era olhado com um ar de reprovação misturado com pena e deboche. Não sou um floquinho de neve especial: isso também acontecia com outros funcionários.

A princípio eu sentia que era minha culpa, que estava neurótica, porque tudo era sutil, e eu achei que era coisa de minha cabeça. Outra funcionária que morava mais distante me enchia os ouvidos com discursos meritocratas pra me fazer acreditar ser normal ter curso superior e ganhar a miséria que eu ganhava. Ela queria deixar claro que bastava eu me esforçar, um dia eu chegaria onde ela chegou.

Eu chorava todas as noites ao chegar em casa porque sabia que aquilo ali não era meu lugar. Eu não podia respirar de um jeito diferente sem que virasse motivo pra deboche. Eu pensava em meios pra melhorar meu currículo, fazer pós, cursos, qualquer coisa que me fizesse crescer na empresa, e em troca tomei um belo pé na bunda. Eu fazia tudo que os chefes pediam, até resolver problemas pessoais, inclusive.

Mas no final eu sempre soube: não nasci para aquele lugar, não nasci para aquelas pessoas. Elas passavam o dia ofendendo minorias, falando do quanto o PT estragou o país enquanto planejavam publicamente suas viagens a Paris. Nunca vi reclamar de crise e gastar 300 reais num almoço. Agora vocês sabem porque eu sou DE ESQUERDA. Não existe espaço para pessoas como eu no capitalismo.

Sei que não devemos usar experiências pessoais como militância, mas como viver numa sociedade que diz valorizar meritocracia e não reconhece seu esforço? No final das contas você sempre acaba perdendo sua vaga para alguém mais bonito, mais jovem, com mais recursos e que esteja disposto a fazer o mesmo por menos. Assim age o capital, assim é o "livre" mercado.

Por que estou postando isto hoje? Porque é pra esse destino que caminha o Brasil. Enquanto essa lei permitir terceirização de qualquer tipo de serviço, nós trabalhadores nunca teremos segurança de nada. Sempre perderemos nossas vagas para o "sobrinho" do chefe.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Por que o vídeo de Clarice Falcão é associado à Esquerda?

As vezes fico um pouco decepcionada de associarem certas pautas a nós da Esquerda e ultimamente o que tem sido visto é justamente o vídeo clipe da cantora Clarice Falcão, onde há nudez explícita. O mesmo aconteceu com aquela peça "Macaquinhos", onde havia sexo explícito.

Por que o vídeo de Clarice Falcão é associado à Esquerda?
Ser de Esquerda é defender um modelo econômico estatal, é defender liberdades individuais (desde que não afetem a vida de outras pessoas), é saber que numa sociedade há diferença entre as pessoas então todos devem colaborar para que elas sejam minimizadas... Ser de Esquerda não é querer ver pênis e vaginas coloridxs.

Sei que a liberdade sexual e a liberdade individual tornaram-se pautas da esquerda pelo simples fato do conservadorismo aliado ao capitalismo excluí-los. Respeitamos as causas onde isto é mais evidente, queremos a promoção da tolerância e da diversidade, mas parem de dizer que clipes como o da Clarice e atitudes onde há promiscuidade sexual é coisa de esquerdista pois 99% das pessoas na esquerda criticaram esse clipe e os outros 1% não se importaram. Não vi ninguém abraçar a causa e compartilhar tal vídeo querendo revolucionar. Não vi um militante na esquerda elogiar esse clipe.

Clarice Falcão é uma mulher que vive bem financeiramente, está dentro dos padrões impostos pelo conservadorismo/ machismo, é estudada e famosa. Talvez não precise tanto de apoio da esquerda para suas demandas mas ainda sim é bem vinda como militante. Eu, como feminista, sempre irei apoiar mulheres que falam por nós mesmas. No entanto, ela está promovendo sua carreira, isso nada tem a ver com política, com ativismo e se analisarmos no cenário atual, até afasta os trabalhadores da luta da esquerda. Esse é um ponto importante que a "nova esquerda" precisa se dar conta.

A maior parte da população pobre e trabalhadora teve criação conservadora, cristã e provavelmente se chocaria com um clipe deste (eu mesma achei super desnecessário). Se operários que sofrem as mazelas do capitalismo não se sentem confortáveis nessa luta podem procurar outras referências, enfraquecendo assim a luta de classes, consequentemente adotando um estilo de vida desrespeitoso e intolerante com a comunidade LGBT, por exemplo. O fim do capitalismo é a única maneira de se obter uma sociedade igualitária, onde homens e mulheres possam exercer suas liberdades individuais sem serem mal falados e consequentemente a nudez deixe de ser um tabu.

Muitas vezes é preciso entendermos o contexto social onde o conservadorismo ocorre, por que ocorre e lembrar que nem todo mundo que pratica um ato retrógrado é fascista. A essas pessoas pode ocorrer a falta de instrução, educação e não é expondo genitálias que farão se desconstruir. Precisamos nos organizar didaticamente pra atrair a militância mais necessária, que é a do pobre trabalhador. O fim dos tabus sexuais e do desrespeito para com a diversidade será apenas a consequência 😉

domingo, 18 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 4

Continuando os textos sobre "Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil", quero compartilhar com vocês uma visão totalmente diferente do que já vimos por aqui, eu diria até com um caráter reacionário, mas que também é abordada na faculdade de História, sobre africanidade, negritude, período escravocrata, etc.

Confira aqui as postagens anteriores:
Tive em mãos durante minhas aulas de Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil um texto do autor Mia Couto, escritor moçambicano, cujo objetivo é demonstrar que os problemas enfrentados na África subsaariana não são de exclusividade da colonização européia.

Sabemos que europeus e estadunidenses tentam dominar meio mundo, invadem países impondo sua cultura, seus modos de viver e roubando suas riquezas mas não podemos culpá-los 100% como responsáveis pelos problemas no planeta, até porque isto não ocorreria sem a conivência de nativos destes locais "colonizados".

Mia Couto cita em seu texto "Os sete sapatos sujos" sete atitudes que contribuem para que o estado de pobreza extrema se perpetue tanto tempo em certos locais na África. A questão não trata-se de responsabilizar o negro africano por seus problemas no geral mas entender como uma auto crítica. As mesmas coisas citadas por Mia podem facilmente ser aplicadas no Brasil, se pararmos pra analisar:

O que é entendido como problema para o desenvolvimento africano:

  • A ideia de que o culpado são sempre os outros e nós somos as vítimas: Mia Couto acredita que o domínio europeu na África causou seus enormes prejuízos mas também criou uma mentalidade de não responsabilidade por parte de alguns nativos africanos;
  • A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho: Muitos nativos africanos se acomodam em suas situações sociais por acreditar que quem avançou em escalas sócio-econômicas teve "sorte", é espiritalmente abençoado, coisas do tipo;
  • A ideia de que as críticas são sempre negativas: Acreditar que o quem orienta de forma correta e dura está fazendo-o apenas por inimizade;
  • A ideia de que mudar as palavras muda a realidade: Mia Couto entende que se importar com certas expressões usadas no dia a dia impede o progresso pois o que importa de fato seriam as "atitudes" das pessoas;
  • A vergonha de ser pobre e o culto das aparências: O nativo africano muitas vezes se sabota ao tentar ser o que não é, adotando um estilo de vida não condizente com suas condições financeiras. É um incentivo a um mundo de aparências. Aqui no Brasil chamamos de "ostentação";
  • A passividade perante as injustiças: Mia acredita que muitos nativos africanos são inertes em casos de violência, principalmente a contra às mulheres e crianças. Ainda existem comunidades africanas que mantém rituais violentos como a Excisão (mutilação genital feminina) e o "achatamento dos seios femininos" nas garotas mais jovens;
  • A ideia de que para sermos modernos devemos imitar os outros: Mia é específico em seu texto ao definir "os outros" como os colonizadores da maior parte da África;


Quis deixar este texto bem resumido de acordo com o que foi dado em sala de aula, não digo que concordo com tudo que é mencionado mas alguns pontos achei importante. Nos próximos textos posso adentrar em cada tópico mencionado dando meu ponto de vista e de outros autores mas na postagem de hoje ficaremos somente com o lecionado na faculdade.

Um abraço, Thainá Santos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Por que há mulheres contra o Feminismo?

A tempos atrás conversando com uma amiga ela vira e diz que "odeia feministas". Pouco tempo depois conheci uma página no Facebook cujo título é: "Moça, não sou obrigada a ser feminista". Eu me perguntava: _Onde estas mulheres estão com a cabeça? Como elas podem ser contra nós mesmas? Porque Feminismo pra mim sempre foi um movimento político-social em busca de igualdade entre gêneros. Daí que comecei a perceber que pra muitos não é.

De 2013 pra cá fala-se MUITO sobre Feminismo nas redes sociais mas eu sempre ouvi falar, desde criança. Quando mais jovem assistia muito a novela "O Cravo e a Rosa" onde a Catarina, personagem principal, era feminista. Também assistia a série "Married with Children" (Um amor de família) em que a vizinha amiga da família protagonista também é feminista. Sempre conheci os estereótipos negativos (mulheres que odeiam os homens, não se depilam, não gostam de sexo) mas consciente de que eram apenas besteiras, que o real feminismo não é isto.

Daí quando comecei a ver páginas anti feminismo, mulheres postando contra o feminismo, eu pensava: Como assim gente? Feminismo não é isto!! A primeira reação é de ataque, a gente quer colocar na cabeça das pessoas a verdade, quer fazê-las enxergar que estão erradas e o risco de cometer um erro é grande. Nos tornamos pessoas agressivas e em nenhum momento paramos pra pensar porque muitos pensam diferente da gente.

A verdade que a militância feminista mudou. Antes, um movimento burguês meramente limitado a questões de gênero e direitos civis. Hoje em dia o Feminismo está diretamente ligado a esquerda, ao comunismo, aos movimentos sociais, a luta LGBT, ao movimento negro, etc. Claro que isto é ótimo mas também há pessoas exaltadas que não sabem ser didáticas, impacientes e que acham que todos vivem no ambiente de militância. Estas pessoas são a resposta do porquê muitos pensarem diferente da gente, do porquê muitas mulheres não gostarem do feminismo (fora o poder do patriarcado que faz certas moças acreditarem não precisar de direitos). 

A verdade que, em relação ao número de brasileiros, os militantes ativos da esquerda ainda são muito poucos. Nem todos tem acesso a universidades, ambientes acadêmicos e virtuais, páginas de feminismo e esquerda, bibliotecas, livros, etc. Nós devemos ser pacientes pra ensinar essas pessoas mas acima de tudo entender quem prefere se dizer "não-feminista".

Mulheres que odeiam o feminismo

Claro que fico triste das pessoas terem uma impressão ruim do feminismo, chegarem a informações distorcidas, mas ultimamente a pratica do feminismo na vida tem sido mais relevante que as palavras, pelo menos pra mim. A participante vencedora do Masterchef disse que não se sente ícone feminista e não se considera feminista, mas surpreendeu a todos vencendo numa competição onde o machismo impera, trabalha num ambiente onde mulheres são minoria (entre chefs de cozinha), mostrou seu talento e calou a boca de muita gente. Então Dayse, você não precisa se dizer feminista, não precisa se dizer nada, você praticou o feminismo sem saber, sem querer e pra mim isto que importa. Parabéns pela sua vitória 💛💓

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Anacronismo, Homofobia e Fidel Castro

Anacronismo é o ato de atribuir a um determinado período histórico um caráter errôneo, cobrar de indivíduos certos comportamentos não condizentes com a realidade vivida naquele momento.

Durante muito tempo vi pessoas dizendo que criminalizar a homofobia é "privilégio" pro gay, casamento civil igualitário é "privilégio" pro gay, ensinar sobre gênero nas escolas é "doutrinação gayzista" e que "Deus abomina o pecado mas ama o pecador".

Daí Fidel Castro morre e começa uma linda preocupação dessa gente com o quanto ele era homofóbico... que hipocrisia...

Fidel era um homem homofóbico sim (no conceito atual da palavra), assim como todos naquela época, assim como a maioria dos idosos é hoje em dia. Essa era a cultura daquele tempo, até a própria medicina considerava o gay um doente (hoje em dia estudos mostram que não são). Só pra constar, no ano 2010 Fidel Castro admitiu o erro e pediu desculpa a comunidade LGBT (e você aí curtindo "Orgulho Hétero")...

Então xingar a esquerda com o argumento de que Fidel Castro era homofóbico é de uma má fé sem tamanho, pois além dele ter se retratado, estas pessoas não estão preocupadas verdadeiramente com a Homofobia. Vivem reproduzindo jargões carregados de preconceito e dizem que é apenas "a opinião delas". Será?

Existem discursos rasos que incitam a homofobia ("Gay não é normal", "Deus ama o pecador mas não o pecado", "Pode ser gay mas não pode desmunhecar", etc)... Se você já reproduziu uma delas não quer dizer que você seja homofóbico por completo, mas ainda não parou pra pensar na mensagem dessas frases prontas.

sábado, 26 de novembro de 2016

5 mitos sobre Fidel Castro e Cuba

Hoje é um dia triste para os ideais socialistas, nosso eterno comandante Fidel Castro se foi e deixou seu nome na história e na cultura Cubana. Mas além da dor da perda, ainda temos que lidar com a ignorância de grupos reacionários que deturpam seus ideais.

Ainda que você tenha preferência por um sistema econômico diferente do Cubano, tenha ao menos a decência de respeitar o nome de Castro, que revolucionou ao não prostituir seu país ao interesses Estadunidenses (já não podemos dizer o mesmo do Brasil).


Abaixo, alguns mitos e verdades sobre Fidel Castro e Cuba:

  • Fidel Castro era homofóbico? Eu sou totalmente contra a homofobia e sei que ela não se limita à violência direta mas também está contida em discursos travestidos de opinião. Não aceito de jeito nenhum, mas entendo que no passado a cultura era homofóbica e sendo assim, relevo casos onde a homofobia é perpetrada por um idoso. Fidel Castro pode ter se posicionado homofobicamente no passado mas já se declarou na década de noventa pedindo desculpas aos homossexuais. O curioso que a maioria das pessoas que dizem que Fidel era homofóbico são homofóbicas: não estão nem aí pra comunidade LGBT, só querem difamar Fidel. Hipocrisia define!! A sobrinha de Fidel Castro, Mariela Castro, é, atualmente, militante na causa gay;
  • Fidel Castro era ditador? Fidel concentrou os poderes nas mãos dos trabalhadores impedindo privatizações e intervenções norte-americanas na economia. O conceito de ditadura e democracia são muito frágeis diante do que vivemos então é bom estudar um pouco e principalmente observar a vida prática antes de soltar esse tipo de acusação. Aqui no Brasil por exemplo achamos que vivemos numa democracia, mas atualmente passaram por cima de nossos votos colocando um presidente golpista no poder, então, é bom refletir. Uma bom meio de pensar nisto é observar o que temos em relação a "liberdade de expressão". Você acha possível noticiar qualquer tipo de coisa aqui no Brasil? Você não acha que deve haver um filtro que impeça propagação de notícias falsas e discursos de ódio? 
  • Cubanos fogem para os EUA? Estar insatisfeito com seu país não é exclusividade cubana. Quantos brasileiros você conhece que sonham em emigrar? E o Brasil é um país capitalista.!! Cuba não é um país perfeito mas dedica-se a investir no que realmente importa: Educação e Saúde;
  • Há racionamento de comida em Cuba? NÃO!! Em Cuba as pessoas têm acesso a alimentação gratuita e esta sim é racionada, porém, caso queiram adquirir um pouco mais, paga-se por isso. O que há de anormal nisto? Nada!
  • Cuba é um país perfeito? Não. Não existem países perfeitos. Até as nações mais desenvolvidas como as do norte europeu possuem problemas (se não em seu país, nos países que exploraram). No entanto Cuba é um local com acesso gratuito a educação e saúde. É considerada a nação com mais pessoas estudiosas e cultas, menor desigualdade de gênero e modelos educacionais mais desenvolvidos. A taxa de analfabetismo é zero, assim como a de crianças moradoras de rua. Cuba é considerado o melhor país da América Latina para mulheres e crianças viverem, e a comida distribuída gratuitamente é de acordo com as demandas de cada família (onde moram pessoas doentes é distribuído de acordo com dieta adequada). Todos que vão a Cuba conseguem perceber que há tratamento igualitário entre todos os profissionais, sendo o gari tratado com o mesmo respeito que o advogado;

Existem somente dois tipos de pessoa no Brasil atualmente, as que estudam História e as que consomem a mídia. É lógico que o imperialismo norte-americano faz de tudo pra distorcer o que sabemos sobre a vida em Cuba mas Fidel Castro já fez seu nome na história, e como ele mesmo disse, condenaram-o, mas a História o absolverá ✊ #HastaSiempreComandante

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Direitos Humanos (Esquerda) defendem "bandidos"?

Existe um pensamento infundado de que quem se posiciona politicamente à esquerda do conservadorismo, necessariamente, defende criminosos.

Vamos começar do início: a lei brasileira caminha para uma maior "suavização" de penas e multas em caso de criminalidade, isto já é uma tendência legislativa e você vai entender o porquê: acontece que máquina carcerária brasileira já está saturada e o principal objetivo, que é a ressocialização, tornou-se impossível na maior parte dos presídios. Isto também acontece pra criar brechas que possibilitem criminosos de maior poder aquisitivo (como políticos, por exemplo) de continuar cometendo seus crimes. Vergonha né?

Mas esta "suavização" não ocorre só no Brasil: a tendência mundial é que todos são inocentes até que se prove o contrário. Quando este fenômeno ocorre pra beneficiar quem não merece nós devemos sim nos indignar mas não é sempre que isto acontece.

O princípio de que todos são inocentes até se prove o contrário advém da ideia de que, é melhor um criminoso solto do que um inocente preso, pois o criminoso pode mudar, deixar de cometer crimes, mas um inocente preso nunca terá seu tempo perdido recuperado, nem mediante indenizações, será um trauma eterno na vida da pessoa.

A própria história nos mostra que políticas de tolerância zero aliadas à práticas violentas causaram mais prejuízos que benefícios; o holocausto judeu na Alemanha nazista é um bom exemplo disso, e a partir dele criou-se a ideia de Direitos Humanos.

Os Direitos Humanos são princípios que permeiam nossa lei e nossa cultura, mas infelizmente usam de má fé pra difundi-los. Eu, particularmente, acho que todos devem pagar pelo mal que cometem, mas infelizmente quando pensam nisso só se lembram do pobre e negro que bate carteira. Dificilmente você vê alguém pedir linchamento de empresário explorador, de playboyzinho que bate na namorada, de amigo que estupra a própria esposa... enfim... toda a atual esquerda é contra esta injustiça que fecha os olhos para os bandidos "ricos". Daí quando defendemos que um pobre e negro tenha uma pena justa, dá a entender alguma espécie de defesa anulatória de pena. Não é!

A verdade que os trabalhadores do poder judiciário, se praticarem o que aprendeu, vão saber que justiça é diferente de vingança e não passamos mais de cinco anos numa faculdade de Direito pra qualquer pessoa achar que sabe o que está fazendo. Existe uma lei, um estudo e principalmente uma Constituição que deve ser respeitada, uma Constituição que proíbe justiça com as próprias mãos.

Além disto, não é razoável que se mate uma pessoa por um crime de furto, por exemplo, pois a realidade socio-cultural influencia demais nesse tipo de crime. Sei que existem ladrões que vivem em boas condições e mesmo assim praticam barbaridades, no entanto, estou falando daqueles que por uma dificuldade prestou-se ao crime. Se notarem, todos os países que investem em educação fortemente apresentam baixas taxas de criminalidade, isto porque é mais do que claro que o ambiente influencia sim a conduta de uma pessoa.

Enfim, deixem a justiça para que os próprios profissionais executem e lembrem-se: A esquerda não defende bandido, a esquerda defende que TODOS paguem pela mesma maneira, sem injustiças ou brechas que beneficiem ricos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Trabalho no Mundo Contemporâneo - A História do Trabalho no Brasil

Anteriormente postei aqui neste blog dois textos com a temática do Trabalho ao longo da História (ou Trabalho no Mundo Contemporâneo) num aspecto amplo, mundial. Confiram aqui e aqui.

Hoje quero dividir com vocês alguns conhecimentos a cerca do trabalho e da industrialização especificamente no Brasil.


O trabalho rural (agropecuário) sempre foi forte no Brasil até a década de 1930. No cenário mundial, percebia-se a crise iniciada nos EUA por conta da Quebra da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, bem como uma Europa se recuperando no pós guerra e com pouco dinheiro disponível. No Brasil, a Revolução de 1930 fez os governos locais (estaduais e municipais) perderam força centralizando-se no governo federal.

Isto implicou na aceleração da industrialização e aumento do fluxo migratório campo ==> cidade. Getúlio Vargas inicia seu governo fazendo concessões ao setor cafeeiro e investindo em setores de base, como o siderúrgico, por exemplo. A modernização era visível e Vargas concentrava cada dia mais poder em suas mãos.

No cenário mundial, graças as crises iniciadas na década de 1930, os sindicatos e setores trabalhistas fervilhavam conquistando o apoio de trabalhadores: o socialismo, através de partidos comunistas, começou a ganhar voz e no Brasil nasceu o "Getulismo".

Diante do crescimento das demandas trabalhistas e setores industriais, Getúlio Vargas objetivava conquistar apoio da população: criou assim a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1º de maio de 1943: um compilado de leis, usado até nos dias de hoje, discriminando direitos e deveres dos trabalhadores.

Era consenso que patrões e empregados possuem uma distância enorme. Entre outras palavras, até hoje notamos como o trabalhador se sente impotente diante do poder de seus chefes. Dessa maneira a Justiça do Trabalho se firmou como órgão de suma importância pra assegurar os direitos dos trabalhadores.

No Direito trabalhista, a figura da Tutela é a proteção estatal para que não haja total liberdade negocial entre patrões e empregados, de modo que deve-se obedecer o previsto em lei. Ainda que haja consenso entre ambas as partes, o estado entende que são partes desiguais, visto que a patrões podem chantagear, manipular e explorar seus trabalhadores em situações de Hipossuficiência.

Ocorre que, em períodos de altíssimas taxas de desemprego, falta de compradores e importadores, muitas empresas tentam flexibilizar os direitos dos trabalhadores para que não haja prejuízo. Isso faz com que setores da esquerda se sintam desrespeitados já que almeja-se poder nas mãos dos trabalhadores. Como lidar em casos assim? Deve-se colocar o acordado acima da lei?

Tal situação fez com que fábricas mudem-se de país em país, buscando sempre se estabelecer onde a lei trabalhista é liberal. Assim é nomeada a Flexibilização Geográfica.

Nos países considerados "primeiro mundo" é comum que  a população trabalhadora ativa no setores primários (agropecuária e criação de animais) seja menor em comparação a países subdesenvolvidos. Mas isto acontece não por falta de fazendas e colheitas mas sim pelo excesso de maquinário no lugar de gente. Como consequência disto a população economicamente ativa tende a diminuir, pelo menos no campo.

No Brasil e no mundo o medo é que esse avanço tecnológico afete outros setores também. Os trabalhadores bancários, por exemplo, estão perdendo espaços para máquinas de auto atendimento. Sendo assim podemos admitir a existência de três tipos de desemprego:

  • Desemprego Friccional: Aquele mais comumente conhecido, em ocasiões simples onde uma empresa necessita de um funcionário específico para determinada tarefa, mas ainda não o possui;
  • Desemprego Conjuntural: São aquelas demissões em massa decorrentes de crises financeiras, como em períodos de chuva prejudicial à colheitas, por exemplo. Tendem a ser temporários e flutuam entre altos e baixos nas sociedades;
  • Desemprego Estrutural: É a verdadeira extinção de vagas de trabalho. O mais comum é ocorrerem por avanço tecnológico;

Como consequência do desemprego estrutural vende-se a falsa ideia de empregabilidade, que é o pensamento de que se uma pessoa está desempregada a culpa é da falta de profissionalização dela, e não das falhas no mercado de trabalho. Alguns defendem até a redução da jornada de trabalho comum no Brasil (40 - 44 horas semanais) como meio de aumentar a oferta de vagas de trabalho. Esta seria mais uma maneira de flexibilizar leis trabalhistas.


Privatizações, terceirizações e parcerias

Na década de 1990 o Brasil entrou na onda das privatizações de empresas antes estatais, como a Usiminas, a Vale do Rio Doce, etc. A desculpa para tantas vendas foram que o serviço público e estabilidade dos funcionários geravam comodidade e queda na qualidade dos serviços. Ocorre que muitas das empresas privatizadas mostraram ao longo do tempo a mesmíssima prestação de serviço. Um exemplo é o antigo BANERJ que foi comprado pelo Itaú: as filas e o atendimento lento diminuíram? Não!

Outro fenômeno bastante usado e fortalecido pelas parcerias público-privadas foram as terceirizações. Se antes todos os funcionários de uma empresa (empregados produtores, serviços de limpeza, serviços de alimentação) eram representados por um único sindicato passaram a ser representados por uma empresa diferente que terceiriza seu serviço. Isto enfraquece o aspecto unitivo dos empregados dificultando greves e protestos em casos de abuso. Ocorre assim o fenômeno conhecido como Reestruturação Produtiva. De certa forma a terceirização contribuiu para a queda nos salários dos funcionários eis que é preciso pagar a empresa terceirizadora.

Algumas empresas apelam atualmente para a produção flexível: seus funcionários trabalham de acordo com a demanda de encomendas e em certas épocas trabalham mais ou menos, de acordo com seus bancos de horas. Os desejos dos clientes tornam-se norte para a produção e a Qualidade Total o principal lema da empresa.

Essa filosofia é falha no momento que só cobra do empregado o dito empenho, eis que ele precisa de um ambiente favorável a criação. O correto seria o empregador proporcionar os meios para conforto e criação impecável, e também estender-se aos outros funcionários, já que a uma produção não depende de uma única pessoa.


Economia Solidária

Atualmente com o crescimento do desemprego estrutural notamos uma certa iniciativa para evitar as pessoas no olho da rua, que seriam o tomamento de empresas falindo por seus funcionários. As cooperativas de trabalhadores unidos em serviços igualitários crescem cada dia mais como maneira de manter-se ativo, consequentemente manter tais vagas.

As pessoas sentem que sindicatos não são mais capazes de manter seus empregos pois a extinção de vagas de trabalho tem ocorrido com o avanço tecnológico. Hoje em dia no Brasil cresceu bastante o número de empresas tocadas pelos próprios trabalhadores e apenas 5% delas é limitada a consumo dos próprios operários.

Um dos pontos fortes da economia solidária é a recuperação de empresas falidas, a maior parte delas concentra-se no nordeste brasileiro, região super atacada pelo desemprego.



Referências bibliográficas:

1. DELGADO, Maurício Goldinho. Capitalismo, trabalho e emprego. São Paulo: LTR, 2005.
2. MARRAS, Jean Pierre. Relações trabalhistas no Brasil. São Paulo: Futura.
3. PINTO, Bernadete E. de Rosa. A flexibilização das relações de trabalho. São Paulo: LTR, 2005.