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quarta-feira, 7 de junho de 2023

Se fala "preto" ou "negro" no Brasil? Qual é a maneira correta?

A anos atrás eu trabalhei fazendo recenseamento domiciliar pelo IBGE. O recenseamento são aquelas entrevistas em que uma pessoa vai à casa dos entrevistados para colher dados sobre sua vida. Estes dados servem, dentre muitas finalidades, para organizar politicas públicas. Ou seja, o governo, teoricamente, usa destas informações para criar e ajustar leis em prol de desenvolvimento social.

O ano era 2010, eu era muito jovem e quase não tinha experiência profissional (nem experiência de vida). Eu tinha apenas 23 anos de idade, cursava a faculdade de Direito sem perspectivas de desenvolvimento pleno, estava ali apenas por estar. Mas, tudo que vivemos e estudamos fica de aprendizado, não é?

E nesta época recebi um aprendizado que levei para vida, mas que vive em constante manutenção: o de etnia e identidade racial. Em 2010 pouco falava-se sobre Racismo, Colorismo, Raça e etnia, mas neste vídeo conto um pouco mais sobre o que é definido como identidade étnica no Brasil atualmente.

sábado, 17 de outubro de 2020

A origem da pobreza na África e a Colonização Europeia

É comum associar a imagem do continente africano à miséria e pobreza, escassez de recursos hídricos, baixa taxa de nutrição populacional, dentre outras coisas negativas. Mas você sabe como isso começou? Se na África há tanta terra fértil, por que tanta gente ainda passa fome?

É importante dizer que muita gente passa fome no mundo todo, isso não é uma exclusividade africana, e isso ocorre porque há uma péssima distribuição de renda no planeta. Não falta comida, falta boa vontade dos governantes de criar políticas para que isso não ocorra.

É interessante para países que exploram o continente africano (como os países europeus e os EUA) manter essa imagem negativa da população africana pois assim tem mais "liberdade" de intervir, explorar, como se salvadores da pátria fossem. E nesse sentido, preparei uma aula que mostra um pouco de como ocorreu a Colonização no Continente Africano.

Veja também: História da África pré-colonização

Confira 👇


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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

HISTÓRIA: Mitologia Africana

Quem mora no Brasil sabe da enorme influência das religiões de matriz africana no nosso dia a dia, nas nossas gírias, na nossa culinária. E antes do Islã chegar à África, dominando grande parte do continente, a mitologia/ religião praticada era a que vou compartilhar com vocês no vídeo abaixo: 


Ainda que você não acredite nesses mitos, é importante conhecê-los pois toda mitologia é um fator de grande importância no estudo da História de qualquer povo.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

HISTÓRIA DA ÁFRICA - PRÉ-COLONIAL

Confira nessa postagem um resumo de História da África e os reinos de Gana, Mali, Congo, etc. Esses reinos foram de suma importância antes da chegada dos colonizadores europeus (ou seria invasores?). Enfim... confira no vídeo abaixo essa História que tem influência direta na vida do negro brasileiro.


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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Indicação de leitura: A Cor Púrpura

Nesse vídeo compartilhei um pouco sobre o livro "A Cor Púrpura", da escritora feminista Alice Walker.

Eu já tinha falado sobre esse livro anteriormente aqui no Blog, mas decidi fazer um vídeo exclusivo pra falar do assunto porque é um livro extremamente importante e de boa leitura.

Confira o vídeo:


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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Conheça o IPN - Instituto Pretos Novos, no Rio de Janeiro


Em 1996 foi descoberto, numa área central do Rio de Janeiro, ossadas de africanos trazidos ao Brasil na condição de escravos. Isso ocorreu graças a uma obra que estava sendo realizada por um casal de moradores da área e foram surpreendidos com material arqueológico.


Após análise profissional de biólogos e arqueólogos, descobriu-se que naquela região eram enterrados, sem nenhum tipo de formalidade, estes africanos traficados e a área hoje tornou-se um centro cultural de preservação dessa memória.

Os negros trazidos ao Brasil passaram muitos anos tendo sua cultura e identidade apagadas e o IPN trás ao visitante uma tentativa de reavivar essa memória tão forte, mesmo com o advento da diáspora.

A visita começa com um vídeo explicando tudo isso e mostrando o que foi feito nestes últimos anos pra valorização do espaço e a guia nos mostra o material arqueológico. Além disso, também há uma sala de exposição de arte afro-brasileira e uma biblioteca com títulos de famosos escritores negros, principalmente os que tocam em assuntos referentes à escravidão e ao racismo.


Enfim, é um lugar muito importante para a História do Brasil porque nos mostra como a escravidão foi nociva em várias aspectos da sociedade e nunca deve ser esquecida no sentido de valorização dos direitos humanos fundamentais juntamente com a luta de combate a qualquer tipo de preconceito de natureza racial e social.

Além da questão histórica e social, o lugar tem uma energia fortíssima. Mal cheguei e, ao ver as ossadas, comecei a chorar. Não sou do tipo de pessoa religiosa mas estar naquele ambiente mexeu muito comigo. Vale a pena a visita!! A entrada é gratuita e o lugar é muito simples, não tem a estrutura de um super museu, então, vale a pena deixar aquela contribuição para a manutenção desse espaço tão importante 😉

Endereço: R. Pedro Ernesto, 32-34 - Gambôa, Rio de Janeiro - RJ, 20220-350

terça-feira, 8 de maio de 2018

A mudança das palavras ao longo do Tempo

Antigamente quando você se definia uma pessoa justa e correta, você podia até se auto denominar "um cidadão de bem". Hoje em dia este nome, "cidadão de bem", virou sinônimo de sujeito hipócrita, que prega uma coisa e não faz. Este nome é muito usado pra indicar pessoas que normalmente pregam uma ideologia política conservadora, mas é o caso de uma expressão mais usada por determinado grupo social (não é uma expressão de significado unânime, de alcance geral).

Outro fato curioso a respeito da origem de certas palavras é entender e conhecer suas mudanças ao longo do tempo. Quando usamos a palavra "crioulo" para indicar uma pessoa de pele negra, estamos incorrendo em algo considerado ofensivo, mas esta palavra pode assumir diferente significado quando conhecemos sua origem. Explicando: quando da colonização espanhola na América no Sul, os "criollos" eram os filhos de espanhóis nascidos na América, pertencentes a uma elite econômica considerável na época.

Eu não sei como este nome tornou-se o que hoje consideramos repulsivo, mas é interessante saber que muitas palavras assumem novos significados ao longo do tempo e nossos atos sociais interferem muito nisto. Aliás, ainda hoje, existem condutas humanas que não são definidas com um nome exato, mas pode chegar a um momento futuro que se tornem objeto de nomeação/ definição.

Assim aconteceu com "homofobia", "gordofobia", e tantas outras palavras que hoje são usadas para definir uma conduta que já existe a muito tempo. O português é uma língua riquíssima e não é de hoje que prego pela valorização de sua fala (vamos evitar esses nomes em inglês que nos são empurrados diariamente).

Mas voltando a falar de semântica e das palavras, o preconceito com o gay sempre existiu na maioria das sociedades. E com o gordo também. Logo, criar uma palavra para definir isto não torna estes temas menos importante, ao contrário, serve para facilitar a identificação de um problema.

Acontece que muitos idiotas sentem-se ofendidos com essas nomenclaturas, acham que é exagero tocar nesse assunto e qualquer reclamação é chamada de "mimimi". Porém, independentemente destas palavras existirem ou não, estes problemas existem e estas pautas são reais.

Se você não é homofóbico nem gordofóbico, não tem porquê se doer, certo? A vontade de levar essas discussões a público não deveria incomodar quem alega não praticar esses atos de grosseria. Alias, tais condutas não devem ser consideradas mera opinião pois, opinião que não respeita o outro como ele é, é discurso de ódio, e deve ser punido com o rigor da lei.

Antes de dizer que qualquer reclamação sobre algo é mimimi, tente-se colocar no lugar daquele que discursa, o mundo está precisando mais disto, de pessoas que saibam se colocar no lugar do outro.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Como celebrar o Dia do Índio?

Dia 19 de abril foi instituído, na década de 1940, como o Dia do Índio, graças a iniciativas de lideranças que participaram do Congresso Indigenista Interamericano, no México. E nesta data é comum vermos professores pintando seus alunos de índio, usando fantasias que reforçam estereótipos e ignoram a singularidade das diversas comunidades no país.

19 de Abril, dia do índio
Quando os portugueses chegaram a terra que hoje chamamos "Brasil", dividiram os grupos étnicos em dois: Os Tapuias (nome pejorativo) e os Tupi-Guaranis. Os Tapuias eram sociedades indígenas que viviam em regiões mais interioranas e os Tupi-Guaranis eram os grupos residentes na região compreendida entre São Vicente (atualmente, na área de São Paulo) e o sul do Maranhão, uma área mais voltada para o litoral.

Os Tupi-Guaranis eram assim denominados por compartilhar de um dialeto similar e os Tapuias eram basicamente os "não-tupis" mas não se identificavam como uma unidade, afinal, esse conceito foi criado pelos portugueses. Entre os dois grupos haviam diversas comunidades indígenas e nem todas viviam da mesma maneira; compreender as particularidades de cada grupo é importante pra nos despirmos da ideia que de "índio é tudo igual".

Além disto, é importante também eliminarmos a ideia do índio como ser indefeso que não se opôs à colonização portuguesa. Ao estudarmos a História dos povos indígenas e afro-descendentes no Brasil estaremos diante de muitos conflitos ocorridos na época e só há conflito quando há resistência, certo?

O nativo brasileiro/ latino-americano impôs-se muitas vezes para preservar sua cultura e espaços territoriais. Mas também graças mesmo a essa cultura cedeu em nome de acordos, alianças, ameças, etc.

Então, ao invés de pintarmos nossos alunos e ensinar-lhes que o índio caça, pesca e anda vestido com "penas", que tal ensinarmos que até hoje existe uma queda de braço entre imperialismo e sociedades indígenas? E que este conflito é alimentado pelo capitalismo, pela ganância e pela desunião, inclusive, desses povos? Porque as guerras vividas entre os indígenas à época da colonização enfraqueceram o povo de uma maneira que facilitou a dominação portuguesa.

Índios não são seres exóticos, não são ingênuos/ indefesos, não vivem sob as mesmas condições e não são todos iguais. Buscar fontes indígenas e ouvir o que elas tem a dizer também é de suma importância na valorização da cultura indígena. Nós não devemos falar por eles e sim ouvir o que há pra ser dito.

Que neste Dia do Índio nossas crianças tenham mais contato com esse universo através dele mesmo, conhecendo aldeias e quilombos, ouvindo lideranças dos povos indígenas e absorvendo o que for de bom para a construção do seu caráter.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Existe racismo/ preconceito nos EUA?

Quando comecei a escrever em blogs, por volta de 2011, eu gostava de postar sobre diversas coisas, sempre amei escrever e amo até hoje. Uma coisa pouco explorada aqui e que eu gosto muito é o mundo da beleza e da estética, ainda sinto vontade de cursar algo nessa área, já bloguei muito sobre isto, mas depois falo deste assunto.

Em 2013 fiz outro Blog pra compartilhar minha experiência de intercâmbio como Au pair nos EUA e me deparei muito sobre estes questionamentos: o preconceito. Eu era uma jovem fissurada pela cultura norte-americana e, na verdade, até hoje gosto de muitas coisas, mas isso mudou um pouco, depois explico melhor. Nessa época eu só enxergava coisas positivas na vivência estadunidense e o desgosto com as oportunidades de trabalho no meu próprio país agravavam isso. Enfim, eu queria tentar a vida nos "states".

Isso veio cedo: desde meus 15 anos eu era louca pra fazer intercâmbio e insisti para meus pais me matricularem num curso de inglês: eu era determinada a sair do Brasil, mas não sabia como. Aos 20 e poucos anos vi a oportunidade de ser Au pair e com 25 embarquei. Era comum algumas pessoas falarem mal da minha decisão por não entenderem ou simplesmente por inveja, algumas pareciam ficar torcendo pra dar errado, não foi um mar de rosas a aceitação.

Em alguns momentos elas me questionavam sobre o "preconceito" que o latino sofre nos Estados Unidos mas isto não me preocupava. Chegando lá pude conferir com meus próprios olhos como as coisas funcionam e vou compartilhar aqui com vocês.

Primeiramente a gente não pode determinar o comportamento inteiro de uma nação pois as pessoas são diferentes e no caso dos EUA, isso é mais forte ainda, já que existem mais estrangeiros que nativos americanos residindo por lá. Se no Brasil há uma polaridade imensa de idéias, imagina por lá.

Um país cuja taxa de imigrantes é maior que que a de nativos, é de se supor que não seja preconceituoso, certo? Não exatamente. Na época que morei por lá, se alguém me questionasse esse fato, eu diria que não, os Estados Unidos não é um país preconceituoso, afinal, usava de parâmetro meu próprio país e minhas experiências de vida. Já postei no antigo Blog sobre isto num texto sobre "Curiosidades sobre Morar nos EUA" e isto aconteceu em 2013, quando morei nos EUA e minha consciência política era zero: eu não me interessava por esse assunto.

Hoje, estudando mais Ciências políticas, História, Sociologia, etc, minha opinião mudou: Os Estados Unidos é um país preconceituoso sim, mas seus habitantes não. Explico: Os Estados Unidos é o berço do Capitalismo e não existe Capitalismo sem opressão. Nesse sistema econômico onde, supostamente, sobe na vida quem se esforça mais, não há espaço para todos que se esforçam. A criação de estereótipos negativos sobre as pessoas se faz então necessária para sua exclusão e funcionamento do capital: a origem de todos os preconceitos.

Além disto, o norte-americano "raiz" é conservador, intolerante e tenta disseminar sua cultura sobre pretexto de "democratização": assim é o governo norte-americano, IMPERIALISTA. Basta ver as atitudes do governo no Oriente Médio, por exemplo, e tirar suas próprias conclusões.

Com isto podemos afirmar: O Governo norte-americano e o sistema capitalista são preconceituosos, excludentes e imperialistas, contudo, não podemos julgar todos os residentes daquele país desta maneira. Quando morei nos EUA fui muito bem tratada por diversos nativos, mas também passei por situações difíceis nas mãos de outras pessoas: nada diferente do que poderia acontecer aqui no Brasil.

Um fenômeno comum e alvo de protestos nos EUA é a ação policial racista, principalmente nos "downtows" (centros das grandes cidades), algo que infelizmente também acontece no Brasil e só confirma a tese de racismo estrutural, ou seja, do racismo estar nas bases de organização governamental do próprio país.

Enfim... este é um pouco de como vejo o racismo norte-americano e um texto pra me retratar sobre as afirmações que fiz no passado (e fui questionada por uma seguidora). Atualmente existem movimentos de empoderamento negro, feminino, dentre tantos outros, o que só mostra que a necessidade fez isto ocorrer. Um abraço, Thainá.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 3 - Um pouco da cultura Africana

Nos textos anteriores (parte 1 e parte 2) dividi os com vocês alguns conceitos estudados na disciplina "Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil". Hoje, continuando o estudo, vamos conhecer através do professor Kabengele Munanga alguns pontos importantes quando falamos de cultura africana.

Kabengele Munanga é professor especialista em antropologia da população afro-brasileira, mora no Brasil mas nasceu em no Congo, onde iniciou seus estudos e graduou-se em Ciências Sociais.
Resumo sobre Cultura Africana
Professor Munanga: Mito!!

É interessante notar o quanto a cultura africana é semelhante a brasileira. Não podemos cair no erro de achar que há unanimidade comportamental em todos os países mas existem pontos em comum que formam a verdadeira identidade africana. A África subsaariana é a que mais apresenta tais características e é delas que falaremos abaixo.

Um aspecto cultural muito marcante na África subsaariana é como seus nativos encaram a morte. Para eles a perder a vida não é um fim com caráter separativo pois entende-se que há união entre os vivos e os mortos, através do legado deixado pela ancestralidade. Em outras palavras, os vivos são "unidos" aos mortos, por transmissão de forças inter parentais.

Maturidade: Para uma pessoa ser considerada adulta entendemos que deve sair da casa dos pais e ser capaz de sustentar-se sem ajuda de ninguém. Também associamos isto ao casamento. Já na África a vida adulta é caracterizada pela capacidade de suportar dores. Rituais de sacrifício servem para demonstrar o quanto madura e evoluída uma pessoa está.

Governo: Nos povos africanos é comum entender-se que o soberano é o povo, que este é o ser mais importante para representá-los, tanto que quando um governante caiu doente, por exemplo, deve ser afastado para que seu povo não "torne-se doente também". Muitas vezes são induzidos ao suicídio. Os chefes de estados são mantidos no poder por ancestralidade e socialização.

Unanimidade: A África possui um aspecto que eu, Thainá, considero de um caráter pacífico que é a unanimidade. Os mais maduros de um vilarejo ou localidade tendem a tomar decisões somente quando há um consenso sobre os mais diversos assuntos, evitando assim conflitos e possíveis guerras.

Família: É comum os africanos manterem proximidade com suas mães até a vida adulta e casarem-se por conveniência (casamento arranjado). Muitas vezes a ficção nos mostrou o casamento arranjado como algo negativo e repudiante mas devemos entender que o "amor romântico" e o "casamento por amor" são coisas relativamente modernas: a maioria das sociedades viviam assim no passado e não chegou-se a criar problemas sociais graves por conta disto. Na África o casamento também revela um status de acordo com quem você é arranjado, a qual família pertence e pertencerá (isso não é muito diferente daqui, né?). Há um laço forte de ternura entre os netos e os avós, uma certa cumplicidade porque avós = 💗 e também vemos muito disso em outras culturas. Na sociedade africana não há papel social para o solteiro e é incentivado o casamento e reprodução de pessoas com graus de parentesco muito distantes ou zero (exogamia).



>>> Confira aqui a quarta e última parte desta leitura

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 2

No primeiro texto acerca do Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil compartilhei por aqui alguns aspectos da vinda dos negros africanos para o Brasil que foram escravizados pela colônia portuguesa.

Vimos que os negros africanos foram escravizados, afastados de seus conhecidos e familiares que também vieram juntos, tiveram sua cultura demonizada para perder sua identidade como unidade e apesar disto, ainda sim, tornaram-se parte da cultura brasileira escrevendo sua história.

Hoje em dia já possuímos políticas públicas de reparação destes danos e tentamos pagar esta dívida histórica mas nem sempre isto tem se mostrado suficiente. Esta frágil democracia é muito mais teórica que prática. Nossa Constituição Federal já indica punição para casos de racismo, mas pouco acontece na prática e quase nada impede novas situações.

Sociólogos já constaram que quando alguém comete um crime, esta pessoa tende a "clarear" sua pele diante da justiça para obter uma pena menor. Não é difícil notar que os brancos ainda vivem em situação melhor que os negros: chegam a maiores níveis educacionais, são maioria dentre os mais bem remunerados, réus negros tendem a sofrer maior perseguição, dentre outras coisas que não é uma suposta doutrinação que indica, são fatos que podemos observar facilmente no nosso dia a dia.

O conceito de Negritude é aliado a uma ideia de movimento social que pretendeu romper com o padrão europeu imposto por nossos "colonizadores". O Movimento Negro sempre pretendeu a busca da valorização da cultura negra e respeito por ser quem é. Muitas vezes entrou em contradição com seus aliados, mas uma coisa é certa: É unânime o não querer voltar a um estado de alienação (escravidão).

Outro consenso dentro dos Estudos das Relações Étnico Raciais no Brasil é o silenciamento do Índio e do Negro na época da colonização. A escravidão poderia ter ocorrido com outros grupos étnicos e até nos dias de hoje ainda ocorre (de outras maneiras, com outras pessoas), mas daí negar sua existência é muita má fé. Existem grupos reacionários agindo online que tentam deslegitimar o Movimento Negro como se este fosse inútil, mas isto é um bom exemplo do que o racismo e a escravidão deixou como legado. O racismo e a escravidão do negro africano deixou uma cicatriz tão profunda em nossa cultura que muitos negros não se identificam com o movimento negro, acreditam que denúncias de racismo é "frescura" e que qualquer ofensa é vitimização por parte de seus semelhantes, logo, nem todos vivem esse conceito de Negritude.

Pode-se entender como início dessa tomada de consciência por parte dos escravizados a ação de Zumbi no Quilombo dos Palmares. Este incentivou os escravizados a fugirem de seus senhores para assim tornarem-se donos de si mesmo. Este comportamento de fato foi revolucionário e por conta disto a data de 20 de novembro (morte de Zumbi) foi escolhida para celebrar o Dia da Consciência Negra. Poderia ter, por exemplo, sido escolhido a data de 13 de maio (Lei Áurea/ Dia da Abolição da Escravidão) mas isto pouco significou na época, eis que a abolição não criou medidas de inserção do negro no mercado de trabalho formal, escolas, universidades, por exemplo.


O próximo texto vai falar sobre costumes e cultura africana, não percam!! Siga o Blog pra acompanhar de perto das atualizações. Um abraço, Thainá Santos.

>>> Veja aqui a terceira parte desta leitura

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 1

Nesta postagem quero dividir com você que chegou agora alguns conceitos e aspectos dos Estudos das Relações Étnico Raciais no Brasil. Esta disciplina cursei no primeiro período da faculdade de História e, embora aborde um contexto quase que 100% histórico, também é lecionada nas faculdades de Pedagogia, Letras, Serviço Social, etc.

Mesmo sabendo que no Brasil há uma grande miscigenação graças a imigrantes de outros países, o foco desta matéria é encima da cultura afro-brasileira, eis que os negros africanos foram o grupo social mais negligenciado em nossa historiografia. Como a História do Brasil foi escrita utilizando a colonização européia como parâmetro e o negro africano foi escravizado durante muito tempo, nada mais justo que o Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil focar-se na valorização desta cultura.

O Brasil foi o último país latino-americano que aboliu a escravidão: o cativeiro durou por mais de três séculos deixando marcas sociais muito fortes, podemos percebê-las até hoje. Isto inibiu discussões sociais por muito tempo além de ter criado "hierarquia" nos nossos modos de viver. A violência tornou-se intensa e o trabalho manual era quase que 100% exclusivamente destinado ao negro.

Resumo sobre Escravidão negra no Brasil
Negros africanos escravizados ao chegar no Brasil
Quando chegava ao Brasil, o negro africano era escravizado e perdia parte de sua cultura. Embora isto não pareça grave pode-se observar o quanto influenciou para a manutenção de privilégios do povo branco. A cultura de um povo é tão importante mas tão importante que quando este é dominado, umas das primeiras coisas que ocorrem é a destruição de seus símbolos e monumentos. Isto o faz enfraquecer como unidade tornando-se mais vulneráveis. Desse modo, "demonizar" e escarnecer tudo que era relativo a cultura africana era um dos principais objetivos de nossos colonizadores. Ao negro africano era negado o conhecimento sobre seus antepassados, sua cultura, seus deuses, etc. O afastamento de seus conhecidos ao chegar em nossas terras contribuiu muito pra isso também.

As vezes ocorriam atos de rebeldia como suicídios coletivos, rebeliões, fugas, etc. O banzo era o sentimento de tristeza e depressão que assolava a maioria dos negros escravizados, com saudades de sua vida na África, levando-os a loucura, estresse, vontade de morrer. De certa forma isto contribuiu para a imagem de uma sociedade paternal pois os senhores tratavam os escravizados de maneira proprietária.

Pela ausência de leis específicas segregadoras, como o Aphartheid na África do Sul por exemplo, o Brasil vive até hoje um racismo velado. As pessoas escondem o preconceito atrás de "brincadeiras" e se ofendem quando o negro não as aceita. O silêncio sobre o racismo não quer dizer que ele não exista.

A escravidão do negro africano também contribuiu para o crescimento do Capitalismo pois este fortalece-se através da dicotomia social. Aos escravizados era negado o direito e relativizavam muito leis que pudessem beneficia-los de alguma maneira, sendo assim, a marginalização desse povo institui-se de um jeito muito forte em nossas terras.

O final da escravidão era paralelo ao fim da Monarquia. Mesmo assim houve resistência de senhores brancos que não queriam perder seus privilégios, desse modo surgiram "intelectuais" dispostos a provar por meio de estudos que o negro era inferior ao branco. Conhecemos também isto como "Racismo Científico". Posteriormente estas teorias foram todas refutadas mostrando seu descabimento, mas ainda hoje existem pessoas que acreditam nestas besteiras.

Disto também resultou a política de "embranquecimento populacional", quando a coroa portuguesa incentivou imigrantes de outros países a se alojarem no Brasil, desde que fossem brancos. Casamentos inter-raciais eram permitidos e também incentivados, desde que objetivassem um embranquecimento da população.

O fim da escravidão no Brasil nunca pode ser visto com um olhar revolucionário eis que não foram criadas medidas pra inserir o negro no mercado de trabalho formal nem políticas de empoderamento (esta estão sendo criadas agora, olha quanto tempo depois). Assim se deu os primeiros momentos do negro africano no Brasil, infelizmente, carregados de abusos, dor e sofrimento.



Espero que tenham gostado deste primeiro texto, vou fazer mais continuações e posto aqui sempre atualizando. Nesse primeiro momento é importante abordar como se deu a escravidão para depois adentrarmos em mais detalhes. Também quero deixar registrado que o estudo da cultura africana (não a afro-brasileira) também será compartilhado pois nunca é tarde pra recuperarmos a auto estima desse povo que praticamente construiu nosso país.

Beijos, Thainá.

>>> Veja aqui a segunda parte desta leitura

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Direitos Humanos (Esquerda) defendem "bandidos"?

Existe um pensamento infundado de que quem se posiciona politicamente à esquerda do conservadorismo, necessariamente, defende criminosos.

Vamos começar do início: a lei brasileira caminha para uma maior "suavização" de penas e multas em caso de criminalidade, isto já é uma tendência legislativa e você vai entender o porquê: acontece que máquina carcerária brasileira já está saturada e o principal objetivo, que é a ressocialização, tornou-se impossível na maior parte dos presídios. Isto também acontece pra criar brechas que possibilitem criminosos de maior poder aquisitivo (como políticos, por exemplo) de continuar cometendo seus crimes. Vergonha né?

Mas esta "suavização" não ocorre só no Brasil: a tendência mundial é que todos são inocentes até que se prove o contrário. Quando este fenômeno ocorre pra beneficiar quem não merece nós devemos sim nos indignar mas não é sempre que isto acontece.

O princípio de que todos são inocentes até se prove o contrário advém da ideia de que, é melhor um criminoso solto do que um inocente preso, pois o criminoso pode mudar, deixar de cometer crimes, mas um inocente preso nunca terá seu tempo perdido recuperado, nem mediante indenizações, será um trauma eterno na vida da pessoa.

A própria história nos mostra que políticas de tolerância zero aliadas à práticas violentas causaram mais prejuízos que benefícios; o holocausto judeu na Alemanha nazista é um bom exemplo disso, e a partir dele criou-se a ideia de Direitos Humanos.

Os Direitos Humanos são princípios que permeiam nossa lei e nossa cultura, mas infelizmente usam de má fé pra difundi-los. Eu, particularmente, acho que todos devem pagar pelo mal que cometem, mas infelizmente quando pensam nisso só se lembram do pobre e negro que bate carteira. Dificilmente você vê alguém pedir linchamento de empresário explorador, de playboyzinho que bate na namorada, de amigo que estupra a própria esposa... enfim... toda a atual esquerda é contra esta injustiça que fecha os olhos para os bandidos "ricos". Daí quando defendemos que um pobre e negro tenha uma pena justa, dá a entender alguma espécie de defesa anulatória de pena. Não é!

A verdade que os trabalhadores do poder judiciário, se praticarem o que aprendeu, vão saber que justiça é diferente de vingança e não passamos mais de cinco anos numa faculdade de Direito pra qualquer pessoa achar que sabe o que está fazendo. Existe uma lei, um estudo e principalmente uma Constituição que deve ser respeitada, uma Constituição que proíbe justiça com as próprias mãos.

Além disto, não é razoável que se mate uma pessoa por um crime de furto, por exemplo, pois a realidade socio-cultural influencia demais nesse tipo de crime. Sei que existem ladrões que vivem em boas condições e mesmo assim praticam barbaridades, no entanto, estou falando daqueles que por uma dificuldade prestou-se ao crime. Se notarem, todos os países que investem em educação fortemente apresentam baixas taxas de criminalidade, isto porque é mais do que claro que o ambiente influencia sim a conduta de uma pessoa.

Enfim, deixem a justiça para que os próprios profissionais executem e lembrem-se: A esquerda não defende bandido, a esquerda defende que TODOS paguem pela mesma maneira, sem injustiças ou brechas que beneficiem ricos.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Filmes sobre Dramas domésticos parecidos com Nossas Vidas

Nesta postagem trago a vocês algumas sugestões de filmes que muitas donas de casa se identificam. São filmes com temática doméstica ou que possui algum vinculo com este tipo de assunto que adoramos tanto conversar aqui no Blog ;)


Flores de Aço

Filme Flores de Aço

O filme de 1989 conta a história de amigas que se reúnem pra conversar sobre a vida e seus sentimentos, decisões e preocupações no salão de beleza de Truvy (Dolly Parton). São causos sobre casamento, filhos, dramas, tudo que nós mulheres temos facilidade pra conversar. Em 2012 foi feito um remake com atrizes negras, como Queen Latifah, mas manteve-se exatamente a mesma história, com alguns cortes. Fiquei um pouco decepcionada com o remake pois achei que iriam mudar alguns detalhes da história e mostrar um pouco mais sobre a vivência da mulher negra, mesmo assim, vale a pena conferir as duas versões (a mais recente tem na Netflix e a mais antiga no Youtube por apenas R$3,90)



A Vida Secreta das Abelhas

Filme A Vida Secreta das Abelhas

Ainda com a maravilhosa Queen Latifah, neste drama conferimos a história de uma menina que passa pelo abandono de sua mãe + abusos de seu pai, encontrando na empregada de sua casa uma amiga e uma oportunidade de ir embora viver uma vida nova. O filme é todo ambientado na época onde o racismo nos USA era forte, então, vale conferir como entretenimento mas também como uma espécie de aula de história. Este filme tem na Netflix ;)


Histórias Cruzadas

Filme Histórias Cruzadas

Este filme conta a história de uma jovem que segue contra a maré do machismo presente em décadas passada. Ela se torna escritora ao contar histórias de abusos sofridos por empregadas de famílias ricas americanas. Apesar de ser uma bonita história, recebeu algumas críticas pela maneira como se deu em relação a questão do racismo. Alguns militantes entendem que não é válido a luta anti preconceito racial quando protagonizada por alguém que não vivencia aquela situação de opressão, mas independentemente da crítica social, é um filme que vale a pena conferir (tem na Netflix ;) )


Joy - O nome do Sucesso

Filme Joy

Este filme conta a história real de Joy Mongano que passa por enormes dificuldades ao tentar equilibrar sua família louca, e ao mesmo tempo consegue superar estes perrengues tornando-se uma das empreendedoras mais bem sucedida nos USA ao criar um produto que auxilia donas de casa na limpeza, o famoso esfregão. Filme altamente inspirador pra quem pretende ter seu próprio negócio.



E aí pessoal, já assistiram alguma das sugestões? Deixe sua opinião abaixo nos comentários e compartilhe este artigo com seus amigos, tenho certeza que irão gostar :)