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terça-feira, 1 de março de 2022

Dia 1 de Março, Aniversário da Cidade do Rio de Janeiro

Bom, gostaria de falar desse tema pois sou nascida e criada na Cidade do Rio de Janeiro e notei que neste último dia 1º de Março, aniversário da cidade, surgiu umas pautas interessantes pra dividir com vocês aqui no Blog.

Para quem não mora aqui, entenda: muitos cariocas não tem noção da importância do local onde vivem. Estão tão habituados a tudo que rola por aqui e/ou vivem em condições tão difíceis (especialmente financeira) que simplesmente não enxergam como esta cidade é relevante a nível mundial.

Primeiro de tudo: a Cidade é linda! Isto é inegável. Pega uma imagem da cidade, das praias mais turísticas e veja como tudo é lindo. Lindo e resistente pois a depredação é grande, o mercado imobiliário é cruel, e mesmo assim a cidade continua linda. A gente passa por essas paisagens todo dia, nem todo mundo se dá conta de que está dentro de um cartão postal.

Alias, esses cartões postais que mostram a cidade usam de edições e recursos de Photoshop dando a entender que a cidade precisa de retoques, mas não, não precisa. Apesar dessas artimanhas, a cidade continua belíssima. O carioca muitas vezes se impressiona com o Mar do Caribe, com a Riviera Francesa ou com a Tailândia, mas não se dá conta que também mora num paraíso.

Outro ponto importantíssimo é a própria noção de cidade que confundem com o Estado. O município Rio de Janeiro é a capital do Estado Rio de Janeiro, quem confunde isto faltou às aulas de Geografia. Vi pessoas postando foto de Mangaratiba, Arraial do Cabo, São Gonçalo, dando "parabéns ao Rio pelos seus 457 anos". 🤦‍♀️

Para finalizar, muitos não sabem que o Rio de Janeiro é a cidade com mais museus no Brasil. Ou seja, o Rio é o paraíso para os Historiadores e Professores de História. 

Aqui, quase toda graduação que oferece o bacharelado em História tem a matéria "História do Rio de Janeiro" e é conteúdo a beça, visto que o que não falta aqui é História. Existe até a especialização em "História do Rio de Janeiro", muitas vezes cursada por Guias de Turismo e graduados em Turismo.

Os museus daqui são acessíveis e quase todos possuem um dia de acesso gratuito na semana (geralmente às terça-feira). Os que mais indico é o Museu Histórico Nacional e o CCBB, dependendo da Exposição daquele dia. Outros museus como o Museu da Light e o Museu da Casa da Moeda, por exemplo, tem acesso gratuito porém são mais nichados apontando apenas para os temas em questão.

Se você nunca foi a um, eu recomendo que comece pelo Museu Histórico Nacional e pelo CCBB, museus de arte não são muito minha praia visto que pouco entendo sobre o assunto (prefiro deixar para um profissional indicar). O museu mais visitado da cidade é o Museu do Amanhã, porém, trata-se de um museu de ciência, interativo, pouco tem a ver com História.

Outra área super em alta na Cidade é onde fica localizado o Cais do Valongo, Pedra do Sal e o Instituto Pretos Novos, (farei uma postagem sobre lá em breve). Caso lá visite, terá acesso à História, cultura e entretenimento (vários bares e restaurantes legais).

Enfim... espero que tenham curtido as curiosidades e dicas sobre essa cidade tão especial e seus 457 anos.

sábado, 5 de junho de 2021

HISTÓRIA - ILUMINISMO - SÉC XVIII

Importante período na História, o Iluminismo representou um grande avanço na sociedade europeia. Acompanhe no vídeo abaixo mais detalhes sobre esta matéria tão significativa na História tradicional.


terça-feira, 3 de novembro de 2020

Conheça as origens Espanholas da América Latina

No séc. XIV, XV e XVI Portugal e Espanha eram grandes potências navegantes. Seus governos incentivavam a conquista de novas terras para expansão territorial e comercial. Nesse sentido, os Espanhóis chegam à terras Americanas (América Central e América do Sul) para instaurar sua colonização: subjugam povos nativos, impõem o cristianismo como religião, unificam e desunem populações nativas, enfim... é por isso que hoje a maior parte dos países centro e sul-americanos falam Espanhol.

Então confira nesse vídeo abaixo como se deu o processo de Colonização Espanhola nas Américas



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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Maias, Astecas e Incas: A História dos povos nativos Americanos

A maior parte de nossas referências culturais são heranças de uma colonização europeia e uma influência gigantesca estadunidense. Repare: a maioria das coisas que achamos belas, corretas e positivas são dos EUA ou da Europa. E tudo isso é muito triste porque, na verdade, muitas dessas coisas são de origem diversa, sendo captadas por essas nações imperialistas. 

Nesse sentido, conhecer um pouco dos nossos ancestrais se faz de suma importância: a História e Origem dos Povos Pré-Colombianos nos faz valorizar um pouco mais nossa ancestralidade, e nos fortalece como povo.

Haviam diversos povos no Continente Americano quando o primeiro europeu pisou aqui, contudo, ainda não havia esse sentimento de união e pertencimento, não havia a ideia de "América", muito menos a ideia de "América para americanos" (politica que foi instaurada somente no séc XIX, a chamada Doutrina Monroe). Isso acabou dando abertura para invasões europeias em nossas terras e genocídio de uma boa parte da população nativa.

Mas e antes? Antes do europeu nos subjugar, como vivíamos?

Você pode conferir aqui nessa aula, feita com todo carinho 👇💕


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sábado, 17 de outubro de 2020

A origem da pobreza na África e a Colonização Europeia

É comum associar a imagem do continente africano à miséria e pobreza, escassez de recursos hídricos, baixa taxa de nutrição populacional, dentre outras coisas negativas. Mas você sabe como isso começou? Se na África há tanta terra fértil, por que tanta gente ainda passa fome?

É importante dizer que muita gente passa fome no mundo todo, isso não é uma exclusividade africana, e isso ocorre porque há uma péssima distribuição de renda no planeta. Não falta comida, falta boa vontade dos governantes de criar políticas para que isso não ocorra.

É interessante para países que exploram o continente africano (como os países europeus e os EUA) manter essa imagem negativa da população africana pois assim tem mais "liberdade" de intervir, explorar, como se salvadores da pátria fossem. E nesse sentido, preparei uma aula que mostra um pouco de como ocorreu a Colonização no Continente Africano.

Veja também: História da África pré-colonização

Confira 👇


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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Livro: O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO - Aldous Huxley

Sei que esse livro é um pouco "modinha" e acredito que isto tenha acontecido por estarmos diante de um governo que flerta com o autoritarismo. Mas ainda sim, é um super livro que vim indicar pra vocês que amam os clássicos e querem adicionar algo novo a sua coleção 😉



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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

HISTÓRIA: Mitologia Africana

Quem mora no Brasil sabe da enorme influência das religiões de matriz africana no nosso dia a dia, nas nossas gírias, na nossa culinária. E antes do Islã chegar à África, dominando grande parte do continente, a mitologia/ religião praticada era a que vou compartilhar com vocês no vídeo abaixo: 


Ainda que você não acredite nesses mitos, é importante conhecê-los pois toda mitologia é um fator de grande importância no estudo da História de qualquer povo.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

HISTÓRIA DA ÁFRICA - PRÉ-COLONIAL

Confira nessa postagem um resumo de História da África e os reinos de Gana, Mali, Congo, etc. Esses reinos foram de suma importância antes da chegada dos colonizadores europeus (ou seria invasores?). Enfim... confira no vídeo abaixo essa História que tem influência direta na vida do negro brasileiro.


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sexta-feira, 24 de julho de 2020

Um novo olhar sobre o Império...

Texto publicado em: @profthaina

Ano passado eu fiz uma prova para professor de história e uma das questões indicava a família real brasileira, mais especificamente o segundo reinado, como abolicionista. Eu não sabia a resposta correta; dias depois, a questão foi anulada.

Há uns dois meses atrás uma pessoa veio elogiar o reinado de Pedro II e as conquistas daquele período referente à alfabetização, algo que ela tinha ouvido na rádio.

A novela escolhida para reprisar neste tempo de pandemia é a "Novo Mundo" da @redeglobo, que conta de forma romântica a história da vinda da família real portuguesa para o Brasil.

Monarquia brasileira

Sim gente, a monarquia "tá na moda". Aliás, a Globo já está organizando uma nova novela, a história do segundo reinado, "Nos tempos do Imperador", e Pedro II será interpretado pelo ator Selton Mello.

Mas lembro-me bem de quando era criança, como a família real era retratada pelas mídias e pelas artes, sempre de forma ridicularizada. Vocês lembram da novela O Quinto dos infernos? Eu só lembro que Dom João era um glutão, comedor de frangos, e Dom Pedro I "o gostoso" 🤭

Mas... as coisas mudaram. Se antes a monarquia era retratada de fórmula ridícula, hoje ela tem apoiadores e admiradores, inclusive, lotando os cursos de história (e você achando que no curso de história só tem comunista).

Eu não sei se é o melhor sistema e sei que tem amigos meus que defendem, porém, a questão não é essa. Esse texto tem a intenção de mostrar como a história pode ser ensinada de forma proselitista.

Se hoje a monarquia tá em alta, existe um porquê, e se antes era mal vista, também existe uma razão.

O que vocês acreditam que seja? Deixe sua opinião nos comentários ❤

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segunda-feira, 30 de março de 2020

Questões sobre ANTIGUIDADE ORIENTAL (correção e comentários)

Você gosta da Antiguidade, Mesopotâmia, Egito Antigo, Império Persa? Então confira nessa postagem algumas Questões sobre Antiguidade Oriental

1) O primeiro Faraó do Egito é mitificado na figura de qual animal?
a) Gato
b) Cachorro
c) Bode
d) Escorpião

2) A múmia de qual Faraó contribuiu para os estudos do Egito Antigo até os dias de hoje?
a) Ramsés I
b) Ramsés II
c) Tutankhamon
d) Akenathon

3) Como são conhecidos hoje em dia o Povo Hebreu?
a) Caldeus
b) Filisteus
c) Persas
d) Judeus

4) Quem libertou os Hebreus do Cativeiro Egípcio?
a) Abraão
b) Jacó
c) Golias
d) Moisés

5) Qual nome da Escritura considerada sagrada pelo Povo Hebreu?
a) Alcorão
b) Torá
c) Código de Hamurabi
d) Bíblia sagrada

6) Quem foi o líder que consolidou o povo Persa como povo?
a) Dário I
b) Xerxes
c) Ciro, O Grande
d) Luís Inácio Lula da Silva

7) As batalhas entre Persas e Gregos são chamadas de:
a) Guerras Médicas
b) Guerras Punicas
c) Guerra Santa
d) Guerra Fria

8) As aulas dessa semana foram sobre:
a) Pré-história
b) Idade Antiga
c) Idade Média
d) Idade Moderna



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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Conheça o IPN - Instituto Pretos Novos, no Rio de Janeiro


Em 1996 foi descoberto, numa área central do Rio de Janeiro, ossadas de africanos trazidos ao Brasil na condição de escravos. Isso ocorreu graças a uma obra que estava sendo realizada por um casal de moradores da área e foram surpreendidos com material arqueológico.


Após análise profissional de biólogos e arqueólogos, descobriu-se que naquela região eram enterrados, sem nenhum tipo de formalidade, estes africanos traficados e a área hoje tornou-se um centro cultural de preservação dessa memória.

Os negros trazidos ao Brasil passaram muitos anos tendo sua cultura e identidade apagadas e o IPN trás ao visitante uma tentativa de reavivar essa memória tão forte, mesmo com o advento da diáspora.

A visita começa com um vídeo explicando tudo isso e mostrando o que foi feito nestes últimos anos pra valorização do espaço e a guia nos mostra o material arqueológico. Além disso, também há uma sala de exposição de arte afro-brasileira e uma biblioteca com títulos de famosos escritores negros, principalmente os que tocam em assuntos referentes à escravidão e ao racismo.


Enfim, é um lugar muito importante para a História do Brasil porque nos mostra como a escravidão foi nociva em várias aspectos da sociedade e nunca deve ser esquecida no sentido de valorização dos direitos humanos fundamentais juntamente com a luta de combate a qualquer tipo de preconceito de natureza racial e social.

Além da questão histórica e social, o lugar tem uma energia fortíssima. Mal cheguei e, ao ver as ossadas, comecei a chorar. Não sou do tipo de pessoa religiosa mas estar naquele ambiente mexeu muito comigo. Vale a pena a visita!! A entrada é gratuita e o lugar é muito simples, não tem a estrutura de um super museu, então, vale a pena deixar aquela contribuição para a manutenção desse espaço tão importante 😉

Endereço: R. Pedro Ernesto, 32-34 - Gambôa, Rio de Janeiro - RJ, 20220-350

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Conheça o Museu Afro Brasil, em São Paulo - Semana da Consciência Negra

A uns anos atrás me despertou uma vontade de conhecer São Paulo e eu não sei de onde essa vontade veio, mas simplesmente me recusava acreditar que essa cidade não tinha nada. Quando comentava com alguém aqui do Rio sobre esse desejo quase sempre era bombardeada por perguntas do tipo "_Fazer o quê em São Paulo?" afirmando que São Paulo não tem nada. Obviamente essas pessoas nunca devem ter pisado na cidade ou tem uma concepção de divertimento muito diferente da minha.

Estudando História, principalmente a do Brasil Colonial (que é a parte que eu mais gosto), eu pude conhecer a enorme importância que essa capital tem para o país e no fim de semana do feriado de finados pude conhecer a cidade. Fiquei encantada com as opções de lazer e recomendo muitooooo pra quem gosta de História e Cultura 😊❤✈ (só queria deixar registrado como fiquei impressionada com a educação, simpatia e gentileza dessas pessoas - precisamos superar o fato que o trabalhador paulistano é mais educado que o carioca) 😂😂 (OBS: falando mal porque EU POSSO)

Mas enfim... eu tinha planejado conhecer alguns pontos turísticos de São Paulo como o MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), a Carlo's Bakery (confeitaria do idealizador do programa de TV Cake Boss), o Mercado Municipal, a Catedral da Sé, etc. Dentre essas escolhas eu fui, inclusive, no Parque do Ibirapuera, mas nem curti tanto pois estava muito calor, e eu estava cansada.

Semana da Consciência Negra

Semana da Consciência Negra

Mas ainda bem que fui: dentro do Parque do Ibirapuera tem o Maravilhoso Museu Afro Brasil, que é um Museu relativamente jovem sobre cultura negra, africana, brasileira, e afro-brasileira.

Semana da Consciência Negra
Vista de fora do Museu: o Parque do Ibirapuera
Museu Afro Brasil
Será que é só eu ou todo estudante de História ama mapas?
O Museu foi inaugurado em 2004 a partir da coleção particular do Curador Emanuel Araújo e ao longo do tempo constituiu valorosa instituição para fomento da cultura nacional voltada para a história afro-brasileira.

Desde 2009, o Museu Afro Brasil, é uma instituição pública, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, subordinado ao Governo do Estado de São Paulo e foi apoiado com recursos vindos da Petrobrás e da Lei Rouanet.

Biblioteca Escritora Carolina Maria de Jesus
Biblioteca Escritora Carolina Maria de Jesus

Um dos principais espaços do Museu é a Biblioteca Carolina Maria de Jesus, que conta com cerca de 10.000 títulos sobre temas relativos a Escravidão, Tráfico Negreiro, Brasil Colonial, Elementos da Cultura Africana e do sincretismo Afro-brasileiro, etc. Maria Carolina de Jesus foi uma importante escritora negra, falecida em 1977, moradora de uma comunidade carente em São Paulo e sustentava seus filhos com o trabalho de catadora de lixo. Tomou conta da cena literária brasileira ao ter seu diário publicado (Quarto de Despejo) na década de 1960.

Museu Afro Brasil

O Museu também possui um acervo riquíssimo voltado pra festividades nacionais como Carnaval do Rio de Janeiro, Festas folclóricas do Norte do país, etc. Há um Teatro dentro do Museu cujo espaço é usado para apresentações de dança e eventos universitários, levando o nome da considerada “Sacerdotiza da Dramaturgia - Ruth Souza”, atriz negra, importante nome na TV e no Teatro Brasileiro.

Há uma parte do Museu voltada também para a História do séc. XVI quando as grandes navegações chegaram ao Brasil e posteriormente, colonizadores portugueses escravizaram africanos por comércio. Também há uma parte interessante onde é mostrado os heróis do esporte, mais precisamente do futebol, que no Brasil é dominado por atletas de origem afro (OBS: Em São Paulo também há o Museu do Futebol, cujo conteúdo, infelizmente, não pude conhecer).

Não postei mais fotos porque não acho certo, já que a função do museu é justamente expôr e resguardar, mas não deixe de conferir se for o caso pois lá há MUITA, mas MUITA coisa!!

Enfim, o Museu é muito rico e aos sábados (dia que fui) estava com a entrada gratuita, sendo que é possível fazer uma doação em dinheiro de qualquer valor para ajudar na manutenção e valorização do Museu - modelo adotado em muitos museus ao redor do mundo.

Espero que tenham gostado da postagem e indiquem para quem se interessa por cultura negra e afro-brasileira 😊

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sexta-feira, 16 de março de 2018

O que você precisa saber sobre Escravidão?

Tem sido tempos difíceis para moradores do RJ, ainda mais para os pobres, negros e residentes de comunidades carentes. Na verdade, está difícil para mais gente, mas estes são os alvos mais fáceis dessa onda de ódio.

O Racismo no Brasil não acontece como em outros países, nem como em outras épocas: ele é estruturado socialmente de uma forma que a população preta e parda tem sido a maior parte da população carcerária, a maior parte de vítimas da violência e a maior parte dos sem acesso à educação. Isto não é achismo, infelizmente, são dados oficiais.

A História da Escravidão

E muita gente atribui essa desigualdade ao fato de negros terem sido escravizados na maior parte do tempo de nossa história, mas vamos conhecer alguns fatos importantes?

↘ A Escravidão é tão antiga quanto a humanidade: Povos dominadores de outros povos, quase sempre, escravizavam seus oponentes perdedores. A Escravidão também acontecia numa mesma comunidade entre seus membros, por questões de dívidas, promessas, religião, etc. Hoje em dia ela é combatida ferozmente porque, após o holocausto judeu na 2ª Guerra Mundial, criou-se a Comissão de Direitos Humanos (através da ONU) que impedem que isso ocorra (ou pelo menos, tentam - supostamente). Os Direitos Humanos entendem que, por pior que uma pessoa seja, ela é um ser humano, e deve ter sua dignidade e suas liberdades individuais respeitadas (desde que não represente riscos para outrem);

↘ A Escravidão não é um conceito estático: Cada povo considera ou considerou no passado "escravidão" algum tipo de relação (geralmente trabalhista) onde uma pessoa serve à outra. No Egito Antigo, por exemplo, os escravos eram "funcionários" do Governo e a ele servia de forma à contribuir com obras públicas. Claro que hoje em dia vemos isto como algo absurdo, mas e se eu te contar que existia menos desigualdade social naquele contexto em relação à atualmente? Pois é, a escravidão em certos povos era mais rígida ou mais branda, sempre atendendo interesses do Estado e moldada pela cultura local;

↘ A Escravidão nos Dias de Hoje: Infelizmente ainda existem métodos de "trabalho" que são considerados escravidão, como ocorrem nas fábricas de roupas na Ásia, onde até crianças trabalham a troco de centavos, produzindo produtos que são vendidos mil vezes mais caros do que elas já sonharam ter em vida. O Brasil tem recebido a imigração de coreanos e outros povos asiáticos em troca de moradia e trabalho que não há remuneração respeitada de acordo com nossas leis trabalhistas: eles são ludibriados com a promessa de vida melhor e pagam por essa mudança com sua própria força de trabalho;

↘ Europeus foram escravizados e até povos eslavos também passaram por isto: Nessa hora seu amigo reaça sorri de ponta a ponta, afinal, a História está aí para mostrar que o "pobre" europeu já foi escravizado e até ruivos perseguidos na Idade Média. O grande problema é que esses europeus já superaram o estigma da escravidão e até aplicaram a outros povos em suas jornadas de "colonização". No Brasil, índios também foram escravizados, mas por conhecerem a terra e por se comunicarem com mais facilidade entre si, conseguiram "escapar" da escravidão intensa; já os negros comprados na África chegaram ao Brasil sendo separado de seus conterrâneos propositalmente para dificultar fugas e revoltas. O comércio de escravos tornou-se uma lucrativa atividade para os nossos "colonizadores" e assim a escravidão negra cresceu de forma rápida e desumana;

↘ Índios e Negros não eram passivos diante da Escravidão: É comum pensarmos que os portugueses chegaram aqui, mandando e desmandando, sem encontrar nenhum tipo de resistência. Grande engano! Houveram revoltas, tanto da parte dos índios quanto da parte dos africanos, mas a historiografia tradicional sempre focou no "Europeu Salvador" e impôs a essas comunidades o estigma de passivos e/ ou não-civilizados (futuramente, farei um texto sobre esse assunto que é muito interessante e todo brasileiro devia conhecer);

Por mais que a História nos mostre que a escravidão não é exclusividade do povo negro é ele que, até hoje, sofre com suas consequências. Após a abolição, não houve sequer algum planejamento de inserção dessa comunidade afro-descendente na educação, no mercado de trabalho, no circuito cultural, etc.

Sendo assim, é muito fácil dizer que europeus foram escravizados, que negros vendiam seu próprio povo como forma de "justificativa", quando não se vive a realidade dos pretos e pardos brasileiros. Ainda é o povo mais discriminado, ainda é o povo nos piores locais de emprego e moradia. Tenham mais empatia e respeito por essas pessoas, que, apesar de eu não estar no lugar de fala, merecem respeito e voz para suas reivindicações.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A falta de motivação diante do discurso empreendedor e suas consquências

Tenho notado nos últimos tempos uma ferrenha crítica à atividade empreendedora no Brasil, principalmente por parte de camaradas comunistas. Antes de me definir como socialista ou comunista, eu sou uma anti-capitalista. Vivo essa realidade e sei que é um sistema falho, discriminatório e excludente, sempre serei contra essa desigualdade. No entanto, se estamos vivendo no capitalismo, precisamos pagar nossas contas, e é aí que entra o empreendedorismo (e deveria entrar a compreensão por parte da esquerda).

Crítica ao discurso anti meritocrata
Você acha mesmo que essas pessoas fazem isso só pra aparecer?
O pequeno empreendedor jamais deverá ser comparado ao empresário que frauda, suborna e sonega. O pequeno empreendedor sou eu ou você fazendo malabarismo pra pagar as contas, batendo cabeça diante da concorrência, acreditando sim no discurso meritocrata porque simplesmente não há outra opção.

Quando fiquei desempregada em 2015 decidi vender bolinhos e sobremesas nas ruas e foi muito difícil aceitar que eu, uma pessoa graduada, estava fazendo isto. Por mais que a gente saiba que trata-se de um emprego digno, a gente fica desanimada. Tentei não fazer durante um tempo mas quando a necessidade bateu na porte eu fui, sem pensar muito, pois problematizar sobre as desigualdades sociais e sobre o capitalismo iria me fazer desanimar mais ainda. Existem momentos da vida que nós precisamos parar de pensar e refletir tudo academicamente pois o bolso ainda é o "órgão" que mais dói no nosso corpo. 

É perigoso pra nós da esquerda empregar essas frases do tipo "Empreendedor nem é gente" pois as vezes não existe outra opção pro desempregado. Não incentivo a hipocrisia semeada pela direita de que o sucesso se obtém somente através do esforço, mas também não devemos nos acomodar diante dessa crise difícil no país e nos afundar mais e mais em dívidas: o discurso empreendedor cresceu em conjunto com essa crise maldita criada pela direita, precisamos dar a volta por cima.

A falta de motivação diante do discurso empreendedor trás como consequências uma sociedade estagnada e submetida ao imperialismo, à dominação e falta de iniciativas. É mais saudável que saibamos equilibrar as duas partes do que somente incentivar a crítica ao capital. Se empreendedor nem é gente, não espere deles uma chance de trabalho. Espero que não encarem isso como apoio às políticas capitalistas que infelizmente permeiam nossa sociedade, é apenas um desabafo de quem vê na educação a única esperança de melhoria.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

História Antiga Oriental - parte 2

Veja a primeira parte aqui!

Nesta segunda parte dos estudos sobre História Antiga Oriental veremos o desenvolvimento da Sociedade Egípcia ao longo do tempo e sua grande influência em diversas culturas ao redor do mundo.

O Egito não se desenvolveu apenas pela sua geografia favorável decorrente do Rio Nilo, também se desenvolveu por ação humana e existem lendas até sobre interferência alienígena. As pirâmides foram construídas não somente com utilidades funerárias (que eram seus objetivos principais), também serviram para marcar dinastias e deixar para a posteridade como símbolo de poder. 

Ptolomeu, general macedônio de Alexandre o Grande, foi um faraó egípcio de grande importância na História. Você já ouviu falar de Tutancâmon? Tutancâmon foi uma múmia intacta encontrada que possibilitou entender os funerais e rituais egípcios como um todo, tendo assim seu nome gravado na história do Antigo Egito. O entendimento dos rituais funerários nos permitiu compreender a dinâmica política daquela época, como as questões relativas a maldições para evitar saques por exemplo, dentre outras tradições e costumes egípcios.

Filme "O Escorpião Rei", 2002
Em torno de 3000 a.C. surge a figura de Menés, sua representação nos hieróglifos é de um escorpião, daí a figura do “Escorpião Rei”. Sua representação é mítica pois une o alto e baixo Egito.

O Faraó como administrador controlava uma série de terras comuns, nelas haviam os trabalhadores egípcios e também os escravizados. No antigo Egito tudo girava em torno da figura do Faraó, que era visto como um deus vivo. Havia também a responsabilidade das grandes construções e quem ficava à frente deste trabalhos era o “Vizir”, construtor e auxiliar direto do Monarca. No governo de Djoser, o segundo (ou o primeiro) faraó da Terceira Dinastia do Império Antigo, reinou durante quase duas décadas e o Egito ganhou de fato sua estrutura Faraônica. Nesse sistema era presente a imobilidade social, a servidão coletiva e hereditariedade das funções (apesar desta última não ser tão rígida).

Sobre a Cultura e Religiosidade no Egito Antigo temos o primeiro período intermediário, onde ocorre a transformação do poder para figura do Faraó. Para o Médio Império a figura faraônica passa a ser sagrada, assim se isolando das questões mundanas.

Os Poderes locais e a Aristocracia passa a ter uma força singular na estrutura social: o próprio Faraó é fruto de uma representação mítica de uma batalha, que seria a reprodução de Maat, a reprodução da terra perante os deuse, sendo a própria casa da coroa de Hórus. Na mitologia consiste o seguinte: Atum, o princípio criador, “cuspiu” e de seu cuspe originou-se o casal de gêmeos Shu e Tefnut. Estes se reproduziram dando origem à Nut (céus) e a Geb (Terra) que eram interligados. Contudo, Atum ordenou que fossem separados proibindo-lhes qualquer união sexual. Geb e Nut desobedeceram esta ordem e Nut, os céus, engravidou de quatro gêmeos: Osíris, Isis, Seth e Néftis. Osíris (lua) casou-se com Ísis e tornou-se rei da Terra, ou seja, o primeiro faraó do Egito, eis que Ísis era herdeira legítima do trono.

Seth casou-se com Néftis mas como era estéril não tiveram filhos. A inveja dele para com Osíris o faz matá-lo e esquartejá-lo em 14 pedaços (1 para cada noite de lua minguante) e espalhou por todo Egito. Ísis procurou juntar os pedaços esquartejados para tentar ressuscitar o seu amado, mas de sua busca ainda faltava o “falo” (pênis). Nada deu resultado, Osíris continuava moto e Isis, num momento de tristeza, transformou-se num Falcão. Ao se transformar ela pousou no local do falo faltante e o fez surgir, com magia: assim foi concebido seu filho Hórus, que significa a união da vida e da Morte.

Seu tio Seth também tentou matá-lo mas Ísis o escondeu quando nasceu. Quando Hórus cresceu ele desafiou o seu tio e numa das batalhas Seth arrancou seu olho, lançando no oceano Celestial. De acordo com a mitologia egípcia nunca houve um vencedor entre eles. Foi decidido que Hórus deveria reinar sobre o Egito e Seth sobre deserto.

Existe também o mito/ texto na Estela da Fome que o Faraó DJoser estava muito triste e que este foi um período difícil e compreensão histórica por conta dos muitos caracteres místicos. De acordo com o texto, Djoser mantinha-se em seu palácio com sentimentos de profunda tristeza. O Egito era assolado por uma seca que já durava anos, o Nilo não transbordava, conseqüentemente, não depositava o lodo que fertilizava as terras para a prática agrícola e a população passava fome.

O Ritual de Mumificação no Antigo Egito usava de uma técnica para preservar os corpos após o óbito que não era acessível aos pobres. Desse modo só temos registros de pessoas influentes no reino faraônico, pessoas ricas, familiares do Faraó. Havia também a figura da “mentepsicose”, que era a crença de que a alma voltaria para o corpo do falecido após a morte.

O Zoomorfismo era a crença de que haviam deuses cuja aparência manifestava-se metade homem, metade animal. Este é um elemento mítico muito presente na mitologia egípcia. Já o Antropomorfismo era a representação divina com aspecto humano. O politeísmo teve origem nos Nomos e sua unificação, deste modo a maior parte do tempo o Egito Antigo cultou diversos deuses, renegando o monoteísmo.

Os elementos míticos das religiões egípcias abrangeram uma riqueza de detalhes sem igual. A ideia de um Tribunal de Osíris permeava o ritual de mumificação e todas as questões voltadas à morte nesse tempo. Os antigos egípcios acreditavam na vida após a morte. Para eles, após a morte física a alma passava pelo Tribunal de Osíris onde o indivíduo seria julgado pelas suas ações. O morto tinha que provar para os deuses que tinha tido uma conduta guiada pelos princípios morais da época. Até hoje podemos sentir esta influência quando usamos da expressão “Juízo Final”, por exemplo, ao nos referirmos a um suposto julgamento de almas com o advento da morte.

Falando de Política, temos a Co-regência como modelo de sucessão. Era comum entender a escolha do Faraó como política e religiosa, era algo que envolvia muitos poderes. Àquele que conseguia atingir uma sociedade pacífica era considerado o descendente legítimo de Hórus, obtendo grande influencia diante da população.

Ainda falando de política, os Nomos, regiões de domínio ao longo do Rio Nilo não desapareceram em momento algum nem estabeleceram exércitos pra definir suas fronteiras. Também temos as figuras do Vizir e do Sacerdote que exerciam papéis importantes na administração pública do Antigo Egito. Os poderes futuros denominados "tardios" são de um Novo Egito cada vez mais ligado ao Mar Mediterrâneo, às dominações Gregas e ao Império Romano.

No Primeiro Período Intermediário rolaram disputas políticas e a existência dos Nomos marcam a região, afastando-se de uma centralização. O Médio Império é considerado frágil pois tornou-se alvo de invasões, sendo a mais grave orquestrada pelos Hicsos. A História contada pelos egípcios não reconhece nenhum faraó nesta época justamente por causa deste domínio. Fator que facilitou o ocorrido foi a falta de associação militar na época.

O Segundo Período Intermediário é considerado obscuro pela História, uma vez que muitos dos seus registros foram destruídos no Novo Império. Neste período, a figura do Faraó foi reinventada como "Guerreiro", graças a nova organização desempenhada pelos grupos de egípcios revoltosos.

Tutmés III foi o consolidador e para garantir o apoio dos nomos utiliza-se do prestígio da rainha Hatshepsut. O nome do faraó era uma escolha política, sempre mudado ao assumir o poder e no Novo Império o nome mais famoso é o de Ramsés; os sucessores buscaram seu prestígio e a recorrência será perceptível. Ele tornou-se famoso por conduzir os egípcios na Batalha de Kadesh e por ser, provavelmente, os dos protagonistas do Êxodo. Era de origem nobre pois seu avô já havia sido general das dinastias que fundaram o Novo Império.

De 1070 à 715 a.C. ocorreu o Terceiro Período Intermediário acabando no que chamamos de "Baixa Época" até 332 a.C., com a conquista de Alexandre, O Grande. Desde aí o Egito não conseguiu mais conhecer seu antigo poder (apesar dele não ter desaparecido por completo).

domingo, 24 de dezembro de 2017

História Antiga Oriental - parte 1

Neste último semestre pude estudar um pouco sobre História Antiga Oriental e nesta postagem objetivo compartilhar os assuntos mais comuns neste campo historiográfico.

Estudar História Antiga Oriental é basicamente entender as origens da civilização e do Estado, o conceito de Oriente como algo ideológico (e não meramente geográfico) e conhecer um pouco da cultura, política e acontecimentos dos povos antigos, como egípcios, persas, sumérios, etc.

A cerca de 10.000 anos vários grupos ao redor do mundo iniciaram o cultivo: primeiro de algumas gramíneas, em seguida ocorreu a domesticação de alguns animais e esse esforço inicial da agricultura e pecuária permitiu o assentamento do homem, por períodos maiores, acabando aos poucos com o nomadismo (que até hoje não desapareceu por completo, mas diminuiu bastante).

A definição de pré-história e as críticas a esse termo derivam do fato de que havia uma "história" sim, anterior a criação da escrita, só não havia documentos oficiais pra comprovação de acontecimentos, o que não quer dizer que o homem não vivesse em conformidade com o que entendemos por civilização como nos dias atuais, por exemplo. A sedentarização criou a hierarquização da social e o período paleolítico é marcado pelo nomadismo, já o neolítico pelo início do sedentarismo.

Mesopotâmia


Na antiguidade o tempo era regulado de maneira muito direta com o clima (estações do ano). Cerca de 8 mil e 4 mil a.C. desenvolveram-se as primeiras cidades é o momento da Fundição do Bronze, da tecnologia de diques e barragens, de grandes construções, como pirâmides por exemplo, etc.

O interesse pela região mesopotâmica teve seu auge de estudos no século XVIII e XIX pois o cristianismo estava em alta buscando suas raízes através de achados no Oriente Médio, desse modo, estudiosos da época voltaram suas atenções para a região entre os rios Tigre e Eufrates. O período mesopotâmico guarda uma problemática a respeito das fontes históricas primárias pois estas foram criadas exatamente no seu tempo (daí surge a importância da arqueologia como interdisciplinariedade).

A Mesopotâmia atualmente corresponde a região do Iraque, Turquia e Síria: não foi um reino, um país ou estado, foi apenas uma região demarcada por uma cultura similar entre seus povos e detalhes geográficos importantes. Os Sumérios foram o primeiro povo a desenvolver uma escrita: construíram cidades estados independentes, eram hábeis construtores e arquitetos, e sua importância histórica deve-se ao fato do pioneirismo na criação da escrita (de acordo com registros históricos).

Na Cultura Mesopotâmica a relação do “dilúvio” e da sedentarização é algo muito forte pois era comum as cheias dos rios que podiam beneficiar ou não determinadas regiões, isto era de suma importância no desenvolvimento das primeiras cidades.

Num primeiro momento há os grupos indo-europeus chegaram pelo Norte para a Anatólia (atual Turquia) e em torno desse grupo é que se entende a organização dos Sumérios. Um outro grupo mais organizado em sentido de combate foram os Arameus, mas ainda não havia uma unidade cultural.

Nesse contexto podemos também observar que ao sul houve um momento de governo babilônico pouco organizado, de 3.000 a 2.300 a.C., seguido por um período de dominação de um grupo que ocupava o centro sul, os Acádios. O domínio destes é marcado pela arqueologia de 2350 a 2000 antes de Cristo Até o retorno de uma nova sequência de domínio dos babilônios.

Os Amoritas são considerados os primeiros a manterem a dinastia na região mesopotâmica: seriam, supostamente, a base do primeiro reino da Babilônia, estabelecidos mais ao sul. Desse modo foram criadas uma série de áreas de dominação das regiões sumérias.

A região Norte Mesopotâmica demorou um pouco mais a se organizar politicamente: uma das suas principais cidades, Assur, surge como local comercial e pagava tributo aos Acádios.

Quando Assur deixa de ser uma cidade e passa a ser o império Assírio? A grande maioria das plaquetas davam traços da organização comercial de Assur quando ocorreu uma crise no comércio de tecidos e surgiu o comércio de armas. A expansão militar transformou toda essa região em um dos maiores poderios militares dentro da Mesopotâmia.

A principal vitória dos Assírios foi no domínio dos Acádios, que isolou a Babilónia e transformou-a na ideia de dois grandes poderes na região. A organização do poder das cidades assírias terão como pilar o reconhecimento de uma hierarquia: um dos principais feitos de Chamsi Addu foi construir um templo para o Deus Assur. O Império Assírio, com a dinastia de Sargão conseguiu uma das coisas mais raras nesse espaço: dominação ampla do espaço mesopotâmico. Ciro Flamarion Cardoso denomina o “modo de produção asiático”, que pressupõe ciclos de trabalhos compulsórios e escravidão para os perdedores. No Modo de Produção Asiático as terras comuns são administradas pelo governo e delas o que se retira vira bem estatal. As terras livres eram aqueles que se cultivavam para subsistência independente.

Nabuco Donosor pode ser considerado o sucessor político de Hamurabi na Babilônia. Durante a expansão de Sargão tem-se o domínio definitivo dos Assírios na região da Babilônia e Sargão é o primeiro a ser tratado pela historiografia como um Imperador que exercia um domínio não territorial, mas mais por reconhecimento.

Continua...

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

História do Brasil Colonial - parte 1

Nesse vídeo-aula conto um pouco sobre o "Descobrimento do Brasil", ou, mais corretamente falando: colonização portuguesa. Confiram abaixo:


Espero que tenham gostado do resumo do vídeo e acompanhem abaixo alguns detalhes por escrito:


Neste contexto de entendermos a História do Brasil Colônia é importante desconstruirmos o termo “descobrimento”, muitas vezes utilizado nas aulas de História por aí e propagado pela grande mídia. O Brasil como nação que entendemos nos dias de hoje não foi “descoberto” e sim colonizado (ou invadido) por portugueses; já haviam habitantes em nossas terras com sua cultura e política enraizada, assim, o termo descobrimento carrega consigo um tom eurocêntrico e preconceituoso: devemos evitar.

Mas primeiramente vamos entender um pouco da história de Portugal: quais motivos levaram Portugal às grandes navegações?

  • Desenvolvimento da burguesia e da indústria Náutica;
  • Boa localização geográfica;
  • O espírito Aventureiro português;
  • A vontade de evangelizar por parte da igreja católica
  • A aparecimento da monarquia absolutista, marcante no antigo regime
  • O mercantilismo e busca por novas riquezas

Portugal, desde o século XI, quando foi governado pela dinastia dos Borgonha, já apresentava uma estrutura política relativamente centralizada, comparado ao resto da Europa (que ainda era feudal). Isto ficou bem explícito na transição da Idade Média para Idade Moderna, cujo aspecto principal é a concentração de poder nas mãos de um monarca

A carta de Pero Vaz de Caminha, neste contexto, é considerada o primeiro documento oficial do Brasil: nela foi exposto o ocorrido (a chegada de Pedro Álvares Cabral à costa brasileira) mas também os hábitos indígenas e a riqueza da nossa flora e fauna. Essa riqueza de detalhes espantou os Europeus com seus hábitos tão distintos dos brasileiros, mas também atraiu muitos deles.

História do Brasil Colonia - Descobrimento do BrasilExiste uma problemática a respeito do primeiro contato de Cabral com o Brasil. Questiona-se se este contato foi intencional ou não, mas a academia indica que não, que foi algo casual, eis que supostamente ele estava em busca da Costa Indiana. A princípio em Portugal não tinha tanto interesse no Brasil pois estava de olho no comércio de especiarias com o Oriente mas o tempo mostrou que esta Terra era fértil e podia gerar lucro para a coroa Lusitana.

Os europeus, mesmo com medos e receios, lançaram-se as expedições e Portugal foi pioneiro neste sentido. Um dos fatores que impulsionaram o pioneirismo português foi a busca por novos mercados pela burguesia Lusitana no cenário Mercantil da época. Em 1532 Martim Afonso de Souza organizou a Expedição para reconhecimento da Costa Litorânea do território brasileiro e ocupou-a para desenvolver experiências agrícolas.

Custou-se a "organizarem" a História do Brasil como vimos hoje em dia: vários intelectuais tentaram definir um meio oficial dessa história mas somente em 1937 Roberto Simonsen elaborou um modelo explicativo para demonstrar a economia colonial brasileira baseado no conceito de ciclo econômico. O autor defendia que os principais ciclos foram o pau-brasil (com mão de obra indígena escravizada), o açúcar (mão de obra escrava africana e foco na propriedade rural) e a mineração (que também era escravista). Por isso é tão comum ouvirmos esses assuntos nas aulas de História.

Ainda falando da Economia, a colonização no Brasil obedecia a uma regra de exclusividade para com a Metrópole (Portugal). Caio Prado Jr. em sua obra sobre a economia do Brasil Colônia afirma que havia falta de autonomia do Brasil frente à sua metrópole e que não existia um comércio interno. Já João Fragoso e Manolo Florentino destacam a importância do tráfico negreiro e da mão-de-obra escrava pois essa era desviada para outras funções quando a exportação do açúcar baixava;

O cargo de Governador Geral foi uma tentativa de centralização de poder da Coroa Portuguesa no Brasil para superar o fracasso das Capitanias Hereditárias. O cargo foi criado para controlar as Capitanias e estimular o processo de povoamento no Brasil. Os Governadores Gerais trouxeram os Jesuítas consigo para catequizar e influenciar os nativos, moldando-os aos comportamentos europeus.

Ainda que as Capitanias recebessem poderes, os Governadores estavam submetidos ao controle de Portugal. A Carta de Doação e o Foral eram os documentos que atestavam a posse de uma Capitania Hereditária.


Esta foi a primeira parte da postagem sobre "História do Brasil Colonial", assim que puder, farei a segunda parte.

PARA MAIS ATUALIZAÇÕES, SIGAM ↓

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Por que algumas pessoas não gostam de Estudar o Antigo Egito?

Eu sigo uma página de História no Facebook e nela são compartilhados memes com intuito educativo mas também humorístico sobre História, é claro.

A História no Paint é uma sátira aos profissionais ilustradores (no bom sentido) ao usar de montagens simples (feitas no paint, propositalmente sem capricho) pra explicar conteúdo histórico. Tornou-se um canal de comunicação de História (e outras ciências humanas) que deu certo ao se utilizar de linguagem jovem e atual, desafio que muitos educadores encontram ao longo da sua profissão. É de suma importância conhecer a linguagem do jovem e saber se colocar no lugar dele ao transmitir o conhecimento, todo professor sabe disto mas nem sempre aplicam à prática.

Por que estou dizendo isto? Esta mesma página satiriza o fato das pessoas não se interessarem tanto pelas histórias (e estórias) do Antigo Egito. Mas por que será? Até alguns seguidores se questionam...

As origens de nossa civilização puderam ser encontradas no Oriente médio, Grécia Antiga (região que não é exatamente onde encontra-se localizada a atual Grécia mas sim a costa do mar mediterrâneo) e Nordeste Africano, local onde está localizado o Egito. Toda escola que se preze abriga este conteúdo em suas aulas de História, o que incorre no perigo de tornar-se algo chato pra estudar. Até os mais negligentes alunos já ouviram falar em Rio Nilo, Mesopotâmia ou Atenas... Desse modo o conteúdo programático sobre os hábitos, cultura e política do Antigo Egito tornaram-se massantes conteúdos de decoreba, diferentemente do que ocorre nas universidades.

Até os mais negligentes alunos conseguem identificar nesta imagem o elemento egípcio

Quase todos os Universitários de História que conheço sonham em conhecer o Egito e existe até uma especialização acadêmica para os amantes dessa cultura, a Egiptologia. A história do Antigo Egito é fascinante pra quem se aprofunda e estuda por vontade própria, mas infelizmente em nossas escolas temos jovens super inexperientes academicamente (não conhecem melhores métodos de estudos), com outras "prioridades" (o "fogo" no cool habitual da idade), que são obrigados a aprender algo que não se interessam. A História do Egito Antigo é maravilhosa, até hoje vemos sua influência em nossos hábitos e na cultura ocidental como um todo.

O Egito foi uma região parcialmente isolada do resto da Europa, Ásia e África, desso modo, desenvolveu-se uma cultura única, sem grandes interferências externas, o que marcou o período e o imaginário das pessoas.

Entendam o seguinte: para um apaixonado por uma cultura, local, civilização, sempre haverão coisas interessantes pra se aprender. Egito Antigo não é minha disciplina favorita mas ainda sim adorei conhecer um pouco mais nas aulas de Antiguidade Oriental. Sempre haverá um novo aspecto ou estudo que te surpreenderá até nas disciplinas que você não curte, História é o melhor curso do mundo ⌛💗 Amo este curso e vou defendê-lo

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Resumo: História da Idade Média Ocidental

Nesta postagem quero compartilhar com vocês alguns assuntos estudados na disciplina História da Idade Média Ocidental na Universidade Estácio de Sá, na graduação em História.

Tudo sobre a Idade Média - História

Introdução


O período medieval é interpretado equivocadamente como um período sem grandes evoluções graças aos iluministas que tratavam tal lapso temporal como algo inferior ao que viviam (e também ao período da Antiguidade). Existem muitos estereótipos sobre cavaleiros, armaduras, castelos, mas a razão principal disto é a industria cinematográfica hollywoodiana: devemos nos despir dos preconceitos e estudar o período como algo fluído, com seus altos e baixos: não devemos entender estes mil anos como um período fixo, rígido e sim seu contexto.

Atualmente temos esta consciência sobre a Historiografia da época, no entanto, a história é estudada diferentemente de período pra período. Para os românticos, a idade média é vista de um jeito, para marxistas, de outro, para iluministas, de outro. A Idade Média também já foi chamada de Idade das Trevas, reforçando o estereótipo acima mencionado. Enfim, o Medievo vai ser "visto" pelas pessoas de acordo com interesses políticos e didáticos, assim como todas as eras.

Os marcos que separam os períodos históricos são meramente didáticos, não devemos entender como uma ruptura que aconteceu de um dia para o outro, são processos. Dizer que a queda do império romano marca o início da idade média é um erro comum, eis que ele foi se desfragmentando antes do ano de 476. Alguns autores veem a tentativa de tetrarquia de Diocleciano como o início da fragmentação do Império Romano; desse modo, as interpretações podem variar.

Características Principais


Um importante autor medievalista foi March Bloch dos Annales. A era medieval começa com as migrações de povos germânicos (erradamente chamados bárbaros) dentro da Europa e nas fronteiras do Império até a Ásia. Esse momento de desestruturação do Império Romano e organização dos reinos germânicos é o período chamando Primeira Idade Média: são fatos super importantes para estudarmos o período medieval.

A princípio devemos entender 3 tradições da Idade Média:
  • Romanismo: O uso de Roma como referência cultural indicando que, o que não era romano, era "bárbaro", no sentido negativo da palavra;
  • Germanismo: Povos que não consumiam da experiência greco-romana;
  • Cristianismo: Religião dominadora e política que marcou a época;

Essas três tradições são aspectos culturais que definiram essas estruturas. Também devemos compreender os conceitos de:
  • Pax Romana: Período sem grandes guerras antecessor as migrações germânicas que de certa maneira facilitaram tais invasões. Roma acabou enfraquecendo e tais povos aproveitaram;
  • Ruralização: Com a queda do império ocorreu o êxodo urbano fazendo com que as pessoas voltassem para o campo, em busca de subsistência;
  • Colonato: Com essa volta ao campo, pessoas sem propriedades de terras passaram a trabalhar neste regime para os grandes proprietários;

A organização do Império Romano era mediterrânea e neste período houve o crescimento da migração para o norte europeu. No período conhecido como Idade Média Central temos o afluxo de ouro e prata, as grandes negociações comerciais, foi o auge do feudalismo

Reinos Germânicos


O Império Romano praticava muitas transações com os reinos germânicos antes mesmo de suas invasões. Podemos dizer que não foi um período 100% em guerra pois a ocorrência desta trazia muitas consequências negativas para o Império. Em 476 ocorreu uma vitória sobre os Hunos que tentavam pressionar outros povos germânicos a realizar a invasão. 

Os Suevos foram o povo que sucedeu o Império Romano em termos de organização política; tentaram defender uma monarquia centralizada na Galiza durante sua presença. O auge deste processo seria a "dinastia" constituída pelos reis suevos Hermérico, Réquila e Requiário.

Eles saquearam a Lusitania, Coimbra e Lisboa (península ibérica) no séc V e a ocuparam de forma veemente, mas entraram em conflito com os Visigodos que mais tarde anexaram o território Suevo ao seu. A conversão ao Cristianismo trouxe aos Suevos o aparato que faltava para a conexão com a população galo-romana, esse foi um ponto importante que os ajudaram a se fixar como reino.

Um outro povo que migrou da Europa Central até a península ibérica foram os Vândalos. Após este período, o enfoque ocorreu na travessia de Gibraltar e a fundação do reino Vândalo no norte da África. Entre eles não havia unidade étnica e sim militar. Os vândalos permaneceram no norte da África até a expansão dos bizantinos liderados por Justiniano.

Os Francos e os Carolíngios


Os Francos eram reconhecidos pelo Império Romano mas não havia uma linearidade em sua organização, ainda não havia uma centralização de poder concreta. Eles almejavam o status da romanidade, sofreram grandes influencias romanas e desse modo acabaram tornando-se um dos povos mais importantes do Período Medieval.

Seus líderes mais importantes foram Meroveu, que ganhou batalhas contra os Hunos. Os Francos foi um dos poucos povos que conseguiu resistir fixando na Gália dando origem ao atual país França, que sente muito orgulho de sua História. Childerico, filho de Meroveu, também continuou os trabalhos do pai, mas o grande destaque foi para seu neto, Clóvis, que conseguiu unir todas as tribos francas sob seu único domínio.

Clóvis assumiu o poder aos 15 anos e junto com seu exército dominou muitas regiões, fundando a dinastia Merovíngia. A História conta que Clóvis tinha um parceiro na região da atual Alemanha chamado Sigisberto e armou pra cima dele envolvendo seu filho Cloderico. Por influencia da esposa, prometeu que se vencesse uma batalha contra os Alamanos viraria cristão. Assim, fez aliança com a igreja católica e morreu aos 45 anos. Desse modo, a dinastia Merovíngia continuou mas Pepino de Herstal que era braço direito do rei determinou que seu cargo de administrador (major domus) seria vitalício. Seu filho, Carlos Martel, prefeito do palácio da Austrásia com sua concubina Alpaida, e nascido em Herstal, no que agora é a Valônia, na Bélgica, expandiu seu domínio sobre os três reinos francos: Austrásia, Nêustria e Borgonha. Lutou contra os muçulmanos na Batalha de Poitiers contendo o avanço islamita em direção à Europa. Seu filho, Pepino, o Breve, nomeou a dinastia Carolíngia em sua homenagem e seu neto, Carlos Magno, futuro rei dos Francos à época.

Feudalização


Na história é comum os humanos se organizarem em povos, ou pelo menos tentar se organizar com nomes, moedas e fronteiras comuns. Com o declínio das cidades-Estado da Antiguidade, a migração para o campo (norte europeu) se deu de maneira intensa pois as pessoas não queriam mais viver as mazelas de possíveis guerras, assim como precisavam se alimentar. A agricultura de subsistência voltou com força total e depois de certo tempo começaram a se organizar em Feudos. Na verdade, para ser mais exata, a instauração dos Feudos na Idade Média se deu mais precisamente no séc IX e X. Assim, o Feudalismo é uma das marcas mais importantes (ou a mais importante) da Era Medieval e foi a forma de centralização mais próxima que encontram possível, naquela época.

Cada região na Europa vivia um feudalismo diferente. Ainda haviam reis e tentativas de modernização (modernização = migração para cidades) e nem todos os locais eram iguais; as transações comerciais também eram diferentes, sendo assim, é importante destacar que existiam feudalismos "diferentes".

O que povoa nosso imaginário ocorreu graças a literatura de côrtes, cavaleiros, donzelas e castelos e por elas podemos conhecer um pouco da organização política da época. Durante o período feudal podemos destacar a expansão do Islã e a queda do Reino Franco como um dos importantes fatos ocorridos, mas não pára por aí.

A estrutura básica dos feudos envolviam a servidão e uma espécie de juramento de fidelidade. O que era produzido pelos camponeses pertencia aos senhores feudais, donos das terras, e somente uma pequena parte era destinado ao trabalhador. Assim era o feudalismo e a sociedade medieval era altamente estamental, ou seja, não havia possibilidade de ascensão social.

Os servos deveriam pagar a "corveia" ao seu senhor feudal, "banalidades" (imposto sobre o uso das ferramentas de propriedade do senhor) e com isto era comum a pobreza e miséria dos submetidos a esse sistema.

Jornaleiros eram artesãos e Vilões eram camponeses livres, que não trabalhavam para nenhum senhor, mas é importante dizer que as relações de troca/ permuta/ vassalagem/ servidão não fizeram o comércio desaparecer por completo, essas relações eram predominantes na Europa mas não absolutas.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 4

Continuando os textos sobre "Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil", quero compartilhar com vocês uma visão totalmente diferente do que já vimos por aqui, eu diria até com um caráter reacionário, mas que também é abordada na faculdade de História, sobre africanidade, negritude, período escravocrata, etc.

Confira aqui as postagens anteriores:
Tive em mãos durante minhas aulas de Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil um texto do autor Mia Couto, escritor moçambicano, cujo objetivo é demonstrar que os problemas enfrentados na África subsaariana não são de exclusividade da colonização européia.

Sabemos que europeus e estadunidenses tentam dominar meio mundo, invadem países impondo sua cultura, seus modos de viver e roubando suas riquezas mas não podemos culpá-los 100% como responsáveis pelos problemas no planeta, até porque isto não ocorreria sem a conivência de nativos destes locais "colonizados".

Mia Couto cita em seu texto "Os sete sapatos sujos" sete atitudes que contribuem para que o estado de pobreza extrema se perpetue tanto tempo em certos locais na África. A questão não trata-se de responsabilizar o negro africano por seus problemas no geral mas entender como uma auto crítica. As mesmas coisas citadas por Mia podem facilmente ser aplicadas no Brasil, se pararmos pra analisar:

O que é entendido como problema para o desenvolvimento africano:

  • A ideia de que o culpado são sempre os outros e nós somos as vítimas: Mia Couto acredita que o domínio europeu na África causou seus enormes prejuízos mas também criou uma mentalidade de não responsabilidade por parte de alguns nativos africanos;
  • A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho: Muitos nativos africanos se acomodam em suas situações sociais por acreditar que quem avançou em escalas sócio-econômicas teve "sorte", é espiritalmente abençoado, coisas do tipo;
  • A ideia de que as críticas são sempre negativas: Acreditar que o quem orienta de forma correta e dura está fazendo-o apenas por inimizade;
  • A ideia de que mudar as palavras muda a realidade: Mia Couto entende que se importar com certas expressões usadas no dia a dia impede o progresso pois o que importa de fato seriam as "atitudes" das pessoas;
  • A vergonha de ser pobre e o culto das aparências: O nativo africano muitas vezes se sabota ao tentar ser o que não é, adotando um estilo de vida não condizente com suas condições financeiras. É um incentivo a um mundo de aparências. Aqui no Brasil chamamos de "ostentação";
  • A passividade perante as injustiças: Mia acredita que muitos nativos africanos são inertes em casos de violência, principalmente a contra às mulheres e crianças. Ainda existem comunidades africanas que mantém rituais violentos como a Excisão (mutilação genital feminina) e o "achatamento dos seios femininos" nas garotas mais jovens;
  • A ideia de que para sermos modernos devemos imitar os outros: Mia é específico em seu texto ao definir "os outros" como os colonizadores da maior parte da África;


Quis deixar este texto bem resumido de acordo com o que foi dado em sala de aula, não digo que concordo com tudo que é mencionado mas alguns pontos achei importante. Nos próximos textos posso adentrar em cada tópico mencionado dando meu ponto de vista e de outros autores mas na postagem de hoje ficaremos somente com o lecionado na faculdade.

Um abraço, Thainá Santos.