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quinta-feira, 10 de junho de 2021

Tá na moda ser Não-binário

Quando um ser humano nasce trás em seu corpo diversas características que vai possuir: hormônios, cromossomos, dois braços, duas pernas, visão, audição, etc. Salvo raríssimas exceções, a maioria dos seres humanos são assim. A biologia humana é muito semelhante quando levamos em consideração aspectos de saúde: ou seja, para que um ser humano seja considerado saudável ele tem que ter em si o mínimo possível para uma vida plena sem dificuldades motoras.

Ainda sim, estes seres humanos possuem algumas poucas características que os diferem, como por exemplo, uns tem capacidade de engravidar, outros não. Uns tem capacidade de menstruar, outros não. Uns possuem uma taxa de testosterona maior, outros não (veja que estou falando de forma empírica, apenas de ciência).

Diante dessas características sociedades convencionaram que estes seres humanos deveriam ser classificados em gêneros. Veja bem, diante de características pré-existentes no corpo humano, a SOCIEDADE convencionou que quem tem determinada característica deve ser tratado de um jeito, e quem tem determinada característica deve ser tratado de outro jeito. E que sociedade é essa? Várias. Mas nós, aqui no Brasil, estamos acostumados com a sociedade patriarcal ocidental, com raízes na tradição judaico-cristã.

Vamos levar em conta que tal sociedade é apenas mais uma das muitas que existem ou já existiram no mundo. Embora de grande importância e influência, não se pode ignorar que há outros povos e outras sociedades que encaram o assunto "gênero" de outra maneira. É importante destacar, por exemplo, que comunidades indígenas não usam o critério "corpo" pra considerar um gênero. Outras, nem gênero tem. Tanto que ao vermos os membros de uma determinada sociedade, sendo indígena ou não, podemos até ter dificuldade de enxergar o gênero dessas pessoas (é benino ou benina)... E por que isso ocorre?

Porque na sociedade em que vivemos atualmente, no Brasil, os estereótipos de gênero são reforçados de acordo com as tradições judaicos-critãs ocidentais (lembre-se, o gênero cristão não é um conceito errado, é apenas um dos muitos conceitos de gênero existentes no mundo).

Para a sociedade cristã, se você nasce com um corpo de um jeito, com altas taxas de testosterona e um pênis, talvez, você deve se portar de um jeito: Gostar de futebol, de cerveja, ser grosseiro, falar alto, intimidar. Agora, se você nasce com seios ou uma vagina, talvez, você deve ser delicada, subserviente, multitarefas e defender o que entendemos por "feminilidade" (outro conceito também criado socialmente).

Dessa maneira, a biologia de um corpo humano não faz muita diferença na prática pois, ao analisarmos friamente, o corpo humano tem muito mais similaridades do que diferenças. Acontece que nossa sociedade, cristã-ocidental, gosta de reforçar essas diferenças para atender interesses políticos e religiosos. De que maneira? Quando na bíblia diz-se "E Deus criou o homem e a mulher", os cristãos dizem ao mundo: "Olha, só haverão dois gêneros que levam em conta características genéricas que nem sempre dá certo com todo mundo pois corpos são diferentes, mas ignoramos isso pra atender nossos próprios interesses". Em outras palavras, "vocês que lutem pra se encaixar no padrão que nós criamos em relação a esses corpos porque precisamos manter nossa doutrina de forma específica".

Para que isso fique mais claro, vamos a um exercício: imagine uma mulher sem "vaidades". Ela usa o cabelo curto, usa roupas neutras (que são chamadas erradamente de roupas masculinas), não usa adornos como joias, por exemplo. Essa mulher é tratada como o que? Como lésbica, como desleixada, sendo que desleixo, a meu ver, é mais uma questão de higiene (algo que todo ser humano tem que ter) e lésbica pra mim não é algo negativo.

A mulher que não se submete a essas condições criadas pela sociedade judaico-cristã é marginalizada, é mal vista socialmente, porque ela precisa se submeter a isso pra "se diferenciar" de um homem. Ela precisa usar roupas e sapatos que tirem sua mobilidade plena, ela precisa usar cortes de cabelos e maquiagem que a ocupe, que a preocupe, para que ela não se meta com assuntos "dos homens". E tudo isso eu boto com muitas aspas para que fique evidente o quanto é absurdo o conceito de gênero criado pelos cristãos.

Muitos desses seres humanos que são considerados "mulheres" não engravidam, não menstruam, não tem seios grandes, não tem muitas características do que se considera uma mulher mas mesmo assim a sociedade cristã as obriga a agirem e se portarem de um jeito porque nasceram com uma vagina (ou um pênis invertido, ou desenvolvido de outra maneira). Nesse sentido, é imposto um gênero aquela pessoa somente por uma característica física qualquer. Entenda que essa pessoa, ao longo da vida, será cobrada duramente para que esse gênero fique mais evidente, ainda mais se essa pessoa for o que chamamos de mulher.

A filósofa Simone de Beauvoir discorreu sobre isso em sua obra literária "O segundo Sexo" em 1949. Veja que incrível: uma mulher, na década de 40, escrevendo sobre gênero, quando ninguém falava sobre isso. Essas concepções que Simone discorre mostram como o gênero é algo social e não biológico, ela foi uma revolucionária ao falar disso numa época que a mulher não tinha voz pra nada.

Simone alega que a mulher é sempre colocada como oposta ao homem, como se o homem fosse o correto, o direito, a razão, e a mulher à esquerda, a emotiva, a falta de razão. Mas mais que isso, Simone diz que a sociedade cristã trata a mulher não somente como oposta ao homem, mas também como se o homem estivesse numa posição de neutralidade e a mulher de parcialidade.

Enfim... como chegamos até aqui? Em 2015 caiu uma questão no Enem que falava sobre nossa querida filósofa e também sobre a concepção de gênero que ela trabalhou, ou seja, o gênero tratado como questão social (e não meramente biológico). Nesse sentido, grupos de direita começaram uma verdadeira caça às bruxas a grupos feministas e a própria filósofa com criação de fake news. Por que Thainá? Porque eles não querem que a socidade saiba que a concepção de gênero deles foi criada pra atender interesses religiosos e políticos. Para esses grupos conservadores, é interessante que pensemos que a mulher é multitarefas porque o cérebro dela é assim (e não porque somos cobradas pra ser assim). É interessante pra conservadores que acreditemos que mulheres são emotivas e histéricas porque tá no nosso DNA (e não porque eles querem invalidar nossas opiniões). Enfim...

Existe um perigo maior ainda: a comunidade LGBT, grande parte, acredita nisso. Tanto que a mídia que se quer pintar de progressista está pipocando pautas como transsexualidade, gênero neutro, não-binariedade. As mulheres trans e travestis do Brasil dizem que nasceram com pênis mas "se sentem" mulher. Sendo que mulher não é um sentimento! Ser mulher é uma criação social com imposição de comportamentos. Como estas pessoas gostam ou se identificam com esses comportamentos, elas dizem que se sentem assim. Mas não: não se sentem assim, apenas tem gosto pelo que é considerado feminino. Essa é uma armadilha que infelizmente muitos LGBT tem caído...

Ser homem ou mulher é um conceito social de acordo com a tradição cristã, lembrem-se disso, ao passo que não se adequar a esse padrão é algo totalmente normal e saudável. Aí sim, estamos falando da verdadeira não-binariedade. Essa sim tá na moda, desde que nossos ancestrais povoaram esse mundo.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Será que temos mesmo um "instinto feminino"?

Simone de Beauvoir

Quando a gente estuda Sociologia e História, descobrimos que a maioria das coisas ditas "femininas" (e as masculinas também) são criações ideológicas que pouco ou nada tem a ver com a biologia e com a realidade.

Cresci escutando que nós mulheres temos um "instinto materno", meigo, um instinto angelical, somos passionais e agimos com emoção. Daí você começa estudar de verdade e se informar sobre essa temática e um novo mundo surge a sua frente.

Essas características são impostas a nós como forma de opressão velada, são ideias pra nos fazer acreditar que temos um destino certo e nada mudará. Mas em verdade, essas idéias só servem pra manutenção do patriarcado, do capitalismo e do status quo. A igreja católica e a cultura ocidental reforçam esses estereótipos para que ainda sejamos vistas como meros objetos a disposição dos homens. Existem interesses por trás disto (assunto pra outra postagem) e é perceptível que toda mulher que tentou remar na direção oposta foi taxada de louca, bruxa, vagabunda, transgressora de uma maneira geral.

A filósofa Simone de Beauvoir [foto] em sua obra "O Segundo Sexo" levanta a ideia de que o mundo é visto sobre a óptica masculina, entendendo o homem como ser humano e a mulher como "fêmea". Isso quer dizer que a nós sempre foi reservada a posição de "avessidão". Simone não concorda com isto, ela apenas expõe de maneira filosófica o que já acontece desde os primórdios da humanidade e ninguém nunca questionou.

Como futura professora e estudante das Ciências Sociais, não digo que todos devam concordar com esta linha de pensamento até porque muitos vivem confortáveis com os papéis de gênero que lhes é imposto. Mas conhecer esta teoria tão rica e importante nos estudos de sociais te faz enxergar o mundo com outros olhos, inclusive a si mesmo.

Feliz Dia Internacional da Mulher 🌹

sábado, 5 de janeiro de 2019

E a nova Ministra Damares, hein?

A nova ministra do governo Bolsonaro mal chegou e já está dando o que falar. Num governo majoritariamente masculino, não é surpresa que uma das poucas mulheres seja escolhida como boba da côrte.

Damares Alves Ideologia de Gênero

Primeiramente ela é ridicularizada por dizer ter visto "Jesus" numa goiabeira (virou até meme) e numa sequência bizarra de conservadorismo + burrice, tem tomado conta da cena política brasileira.

Sua declaração mais recente diz que "meninas devem usar rosa e meninos devem usar azul" e a esquerda brasileira é dada como ignorante por "não entender a metáfora". Só que, na verdade, nós entendemos. Entendemos muito bem!

Ela pode falar que meninos vestem azul e meninas vestem rosa mas isso NUNCA vai mudar a sexualidade de ninguém porque a libido e a orientação sexual são coisas do ser humano, é algo que se nasce assim e nada é capaz de mudar isso (nem igreja).

Veja bem, a maioria dos homens gays são criados em ambientes hétero - normativos e os pais muitas vezes forçam os menino a agir com masculinidade, dão brinquedos tidos como masculinos, dão revista pornô, alguns levam até na prostituição, mas se teu filho nasceu gay, ele vai continuar gay.

E existem homens que não praticam a homossexualidade: eles entram na igreja e dizem que são "ex-gays" mas na verdade estão apenas se enganando porque a libido e a atração sexual ninguém controla: nada vai fazer ele sentir tesão por mulher.

Então, por mais que esse governo medieval fundamentalista queira doutrinar a sexualidade das crianças, quem nasceu homossexual não vai mudar. Qualquer pedagogo e psicólogo sério sabe disso. O melhor que se tem a fazer é aceitar e respeitar porque sexualidade não se muda e não atinge o direito de ninguém. Quem se incomoda com a orientação sexual do outro é gente insegura.

Além disso, estava eu vendo um vídeo de explicação dessa tal Damares sobre a fatídica declaração a respeito das cores usadas pelas crianças, afinal, a gente tem que estar sempre preparada para ouvir os dois lados.

Ela não é tão lunática ou louca como está sendo pintada (isso é estratégia pra desviar o foco de assuntos mais importantes) e ao analisar sua fala percebemos que tem um certo conhecimento sobre as teorias de gênero (ela demonstra mais conhecimento do tema do que a turma da "lacrolândia", da Rede Globo, do Pabllo Vittar)

Ela defende que esse tipo de debate seja feito somente nas universidades e não no espaço escolar. Ok, até aí tudo bem. O problema é que o tipo de visão pregada nas igrejas e que ela defende que seja ensinada que é verdadeira IDEOLOGIA DE GÊNERO.

Veja bem, ela quer atribuir à crianças em formação condutas de homem e de mulher. Quer limitar suas brincadeiras, estudos e comportamentos baseando-se apenas no sexo biológico. Esse tipo de coisa limita a criança que, ao não se identificar com esses padrões, fica infeliz e cai o rendimento escolar, podendo gerar até uma depressão.

Outro caso pode ocorrer quando uma criança nasce interssexual e os pais ou os médicos decidem qual será o sexo que eles preferem: também estão praticando uma ideologia pelo gênero.


Enfim... Toda história tem 2 lados e saber ouvir é a melhor maneira de conhece-los. Estudem o assunto e verão que o mundo é muito mais do que você vê nos filmes

domingo, 17 de junho de 2018

Indicações de Leitura Feminista

Nesta postagem quero dividir com vocês alguns livros que li recentemente e indico muito para quem quer entender um pouco do cerne que gera o movimento feminista. Além disto, mesmo que você não simpatize com o tema, são livros ficcionais com uma trama bem trabalhada e merecem uma atenção, mesmo se a intenção é mero divertimento.

Confira no vídeo abaixo indicações de livros feministas e deixe sua opinião, caso já os conheça ou queira conhecê-los melhor ♀️✊


Não esqueça de deixar um "like" caso goste do conteúdo e das indicações mencionadas no vídeo, isto ajuda muito na divulgação do conteúdo do canal ☺️

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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Série: The Handmaid's Tale (O Conto da Aia)

Dia destes comecei a assistir a série "The Handmaid's Tale" somente pelo incentivo das redes sociais. Quando, no auge dos delírios da bancada evangélica de nosso país pensou-se em criminalizar a prática do aborto (inclusive em casos de estupro), esta série foi muito exposta como exemplo de caminho que estávamos seguindo. Àquela velha sensação de volta da "Idade Média" em pleno 2018...

O Conto da Aia Seriado

De fato é uma série que se você é mulher (e tem consciência social) vai sentir um maior impacto, talvez mexa com seu psicológico e te faça refletir. Mas quando compartilhei um ponto interessante sobre The Handmaid's Tale no meu Facebook, senti um interesse por parte da militância ateísta, graças ao grande enredo religioso contido nessa estória.

The Handmaid's Tale é uma série inspirada no livro da autora canadense Margaret Atwood, de 1985, onde não há o país Estados Unidos como nação que conhecemos pois trata-se de uma distopia em que mulheres no geral não podem mais ter filhos, sendo algumas poucas capazes de engravidar. Estas moças que podem ter filhos são controladas pelo governo e forçadas a engravidar de chefes de Estados e outros homens influentes para dar continuidade à espécie: elas são as chamadas Aias e têm de renunciar a si mesmas (inclusive de seus nomes de batismo) para servir à estes homens.

Além de demonstrar a tortura que estas mulheres passam coercitivamente, a série mostra como a religião é capaz de influenciar nesse esquema horroroso baseado na premissa "Crescei e multiplicai-vos". Muitas vezes (se não todas) as ações que tais Aias são obrigadas a se submeter são justificadas pela Bíblia Cristã, escondendo o real intuito, impondo um sentido "sagrado" como já conhecemos e sabemos que não existe.

Quem nunca ouviu conselhos baseados na Bíblia Cristã? O grande problema não é ser uma bíblia, ou ser cristã, mas sim ser um livro de condutas escrito a muito tempo atrás cujo conteúdo nem sempre é apropriado aos dias de hoje. Quando alguém usa de seus dogmas para fazer o bem, ser generoso ou perpetuar um bom costume, não há problema algum. De fato, a Bíblia pode até ser usada como fator histórico. O problema é que as pessoas veem na Bíblia um livro sagrado, intocável e inquestionável, sendo ele escrito para atender interesses políticos da época somente e tal fato é ignorado no calor da emoção dos aficionados pelas suas religiões.

Enfim, The Handmaid's Tale é uma série ótima pra demonstrar a cruel face do Cristianismo e talvez seja até um tapa na cara daqueles que insistem em apontar condutas radicais nas religiões do Oriente Médio, mas romantizam algumas de suas condutas, como o casamento monogâmico com ênfase no prazer do homem, a proibição ao aborto seguro e ao casamento homoafetivo. Ainda estou na primeira temporada, aguardando ansiosamente pela trama pois o fator entretenimento também é bem satisfatório.

A série não tem tanta ação como eu gostaria, mas ainda sim te prende a atenção e vale a pena dar uma conferida 😉

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Por que o vídeo de Clarice Falcão é associado à Esquerda?

As vezes fico um pouco decepcionada de associarem certas pautas a nós da Esquerda e ultimamente o que tem sido visto é justamente o vídeo clipe da cantora Clarice Falcão, onde há nudez explícita. O mesmo aconteceu com aquela peça "Macaquinhos", onde havia sexo explícito.

Por que o vídeo de Clarice Falcão é associado à Esquerda?
Ser de Esquerda é defender um modelo econômico estatal, é defender liberdades individuais (desde que não afetem a vida de outras pessoas), é saber que numa sociedade há diferença entre as pessoas então todos devem colaborar para que elas sejam minimizadas... Ser de Esquerda não é querer ver pênis e vaginas coloridxs.

Sei que a liberdade sexual e a liberdade individual tornaram-se pautas da esquerda pelo simples fato do conservadorismo aliado ao capitalismo excluí-los. Respeitamos as causas onde isto é mais evidente, queremos a promoção da tolerância e da diversidade, mas parem de dizer que clipes como o da Clarice e atitudes onde há promiscuidade sexual é coisa de esquerdista pois 99% das pessoas na esquerda criticaram esse clipe e os outros 1% não se importaram. Não vi ninguém abraçar a causa e compartilhar tal vídeo querendo revolucionar. Não vi um militante na esquerda elogiar esse clipe.

Clarice Falcão é uma mulher que vive bem financeiramente, está dentro dos padrões impostos pelo conservadorismo/ machismo, é estudada e famosa. Talvez não precise tanto de apoio da esquerda para suas demandas mas ainda sim é bem vinda como militante. Eu, como feminista, sempre irei apoiar mulheres que falam por nós mesmas. No entanto, ela está promovendo sua carreira, isso nada tem a ver com política, com ativismo e se analisarmos no cenário atual, até afasta os trabalhadores da luta da esquerda. Esse é um ponto importante que a "nova esquerda" precisa se dar conta.

A maior parte da população pobre e trabalhadora teve criação conservadora, cristã e provavelmente se chocaria com um clipe deste (eu mesma achei super desnecessário). Se operários que sofrem as mazelas do capitalismo não se sentem confortáveis nessa luta podem procurar outras referências, enfraquecendo assim a luta de classes, consequentemente adotando um estilo de vida desrespeitoso e intolerante com a comunidade LGBT, por exemplo. O fim do capitalismo é a única maneira de se obter uma sociedade igualitária, onde homens e mulheres possam exercer suas liberdades individuais sem serem mal falados e consequentemente a nudez deixe de ser um tabu.

Muitas vezes é preciso entendermos o contexto social onde o conservadorismo ocorre, por que ocorre e lembrar que nem todo mundo que pratica um ato retrógrado é fascista. A essas pessoas pode ocorrer a falta de instrução, educação e não é expondo genitálias que farão se desconstruir. Precisamos nos organizar didaticamente pra atrair a militância mais necessária, que é a do pobre trabalhador. O fim dos tabus sexuais e do desrespeito para com a diversidade será apenas a consequência 😉

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Por que há mulheres contra o Feminismo?

A tempos atrás conversando com uma amiga ela vira e diz que "odeia feministas". Pouco tempo depois conheci uma página no Facebook cujo título é: "Moça, não sou obrigada a ser feminista". Eu me perguntava: _Onde estas mulheres estão com a cabeça? Como elas podem ser contra nós mesmas? Porque Feminismo pra mim sempre foi um movimento político-social em busca de igualdade entre gêneros. Daí que comecei a perceber que pra muitos não é.

De 2013 pra cá fala-se MUITO sobre Feminismo nas redes sociais mas eu sempre ouvi falar, desde criança. Quando mais jovem assistia muito a novela "O Cravo e a Rosa" onde a Catarina, personagem principal, era feminista. Também assistia a série "Married with Children" (Um amor de família) em que a vizinha amiga da família protagonista também é feminista. Sempre conheci os estereótipos negativos (mulheres que odeiam os homens, não se depilam, não gostam de sexo) mas consciente de que eram apenas besteiras, que o real feminismo não é isto.

Daí quando comecei a ver páginas anti feminismo, mulheres postando contra o feminismo, eu pensava: Como assim gente? Feminismo não é isto!! A primeira reação é de ataque, a gente quer colocar na cabeça das pessoas a verdade, quer fazê-las enxergar que estão erradas e o risco de cometer um erro é grande. Nos tornamos pessoas agressivas e em nenhum momento paramos pra pensar porque muitos pensam diferente da gente.

A verdade que a militância feminista mudou. Antes, um movimento burguês meramente limitado a questões de gênero e direitos civis. Hoje em dia o Feminismo está diretamente ligado a esquerda, ao comunismo, aos movimentos sociais, a luta LGBT, ao movimento negro, etc. Claro que isto é ótimo mas também há pessoas exaltadas que não sabem ser didáticas, impacientes e que acham que todos vivem no ambiente de militância. Estas pessoas são a resposta do porquê muitos pensarem diferente da gente, do porquê muitas mulheres não gostarem do feminismo (fora o poder do patriarcado que faz certas moças acreditarem não precisar de direitos). 

A verdade que, em relação ao número de brasileiros, os militantes ativos da esquerda ainda são muito poucos. Nem todos tem acesso a universidades, ambientes acadêmicos e virtuais, páginas de feminismo e esquerda, bibliotecas, livros, etc. Nós devemos ser pacientes pra ensinar essas pessoas mas acima de tudo entender quem prefere se dizer "não-feminista".

Mulheres que odeiam o feminismo

Claro que fico triste das pessoas terem uma impressão ruim do feminismo, chegarem a informações distorcidas, mas ultimamente a pratica do feminismo na vida tem sido mais relevante que as palavras, pelo menos pra mim. A participante vencedora do Masterchef disse que não se sente ícone feminista e não se considera feminista, mas surpreendeu a todos vencendo numa competição onde o machismo impera, trabalha num ambiente onde mulheres são minoria (entre chefs de cozinha), mostrou seu talento e calou a boca de muita gente. Então Dayse, você não precisa se dizer feminista, não precisa se dizer nada, você praticou o feminismo sem saber, sem querer e pra mim isto que importa. Parabéns pela sua vitória 💛💓

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Anacronismo, Homofobia e Fidel Castro

Anacronismo é o ato de atribuir a um determinado período histórico um caráter errôneo, cobrar de indivíduos certos comportamentos não condizentes com a realidade vivida naquele momento.

Durante muito tempo vi pessoas dizendo que criminalizar a homofobia é "privilégio" pro gay, casamento civil igualitário é "privilégio" pro gay, ensinar sobre gênero nas escolas é "doutrinação gayzista" e que "Deus abomina o pecado mas ama o pecador".

Daí Fidel Castro morre e começa uma linda preocupação dessa gente com o quanto ele era homofóbico... que hipocrisia...

Fidel era um homem homofóbico sim (no conceito atual da palavra), assim como todos naquela época, assim como a maioria dos idosos é hoje em dia. Essa era a cultura daquele tempo, até a própria medicina considerava o gay um doente (hoje em dia estudos mostram que não são). Só pra constar, no ano 2010 Fidel Castro admitiu o erro e pediu desculpa a comunidade LGBT (e você aí curtindo "Orgulho Hétero")...

Então xingar a esquerda com o argumento de que Fidel Castro era homofóbico é de uma má fé sem tamanho, pois além dele ter se retratado, estas pessoas não estão preocupadas verdadeiramente com a Homofobia. Vivem reproduzindo jargões carregados de preconceito e dizem que é apenas "a opinião delas". Será?

Existem discursos rasos que incitam a homofobia ("Gay não é normal", "Deus ama o pecador mas não o pecado", "Pode ser gay mas não pode desmunhecar", etc)... Se você já reproduziu uma delas não quer dizer que você seja homofóbico por completo, mas ainda não parou pra pensar na mensagem dessas frases prontas.