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quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Vídeo aula: HISTÓRIA - MERCANTILISMO - CAPITALISMO - SOCIALISMO

No vídeo de hoje vamos falar um pouco de História e a visão histórica sobre o Mercantilismo, o Capitalismo e o Socialismo. Sem mais discussões políticas, acompanhe abaixo:


domingo, 21 de novembro de 2021

Tema da Redação do Enem 2021 aborda a Invisibilidade Civil

Hoje a tarde foi divulgado o tema da Redação do Enem deste ano: 'Invisibilidade e Registro Civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil'. Levando em conta o grau de acesso aos estudos de nossos alunos da rede pública de ensino, sinto que muitos se deram mal na elaboração da escrita.

Estes alunos não somente devem manter as normas cultas da Língua Portuguesa mas também argumentar em cima deste tema, que, nem adultos refletem. Não recordo de ter visto algum texto ou artigo sobre o tema, e olha que sou uma leitora ativa. Imagino que grande parte da população que não vivenciam a experiência acadêmica sequer reflitam sobre isso. Achei o tema muito limitado ao campo de Estudos do Direito Civil e da Sociologia. Muito limitado!

Eu sinceramente, achei difícil. Não sei qual o grau de profundidade da cobrança, se o fato da maioria ser adolescente é levado em conta (creio que não), mas li algumas opiniões de professores de redação, especialistas no assunto.

Eles acreditam que o tema é pouco surpreendente e não tão difícil assim. Mas me pergunto: não tão difícil pra quem? Tudo bem que estes jovens passaram o ano se preparando pra prova, não é meu caso, mas acredito que uma reflexão social acerca da invisibilidade civil requer uma certa maturidade e experiência de vida.

Enfim, essa é minha opinião sobre o tema e aproveito a deixa pra me aprofundar um pouco mais nessa área de suma importância.

Outra coisa que gerou uma expectativa foi a fala do digníssimo dizendo que "as questões deste ano começariam a ter a cara do governo". Isso nos deixou ansiosos pensando no que poderia vir de cunho ideológico/ conservador. Mas ainda bem que essas questões superficiais defendidas pelo governo Bolsonaro não foram usadas como massa de manobra nesta prova tão importante para nossos estudantes.

Boa sorte a todos que a realizaram 😀

sábado, 17 de outubro de 2020

A origem da pobreza na África e a Colonização Europeia

É comum associar a imagem do continente africano à miséria e pobreza, escassez de recursos hídricos, baixa taxa de nutrição populacional, dentre outras coisas negativas. Mas você sabe como isso começou? Se na África há tanta terra fértil, por que tanta gente ainda passa fome?

É importante dizer que muita gente passa fome no mundo todo, isso não é uma exclusividade africana, e isso ocorre porque há uma péssima distribuição de renda no planeta. Não falta comida, falta boa vontade dos governantes de criar políticas para que isso não ocorra.

É interessante para países que exploram o continente africano (como os países europeus e os EUA) manter essa imagem negativa da população africana pois assim tem mais "liberdade" de intervir, explorar, como se salvadores da pátria fossem. E nesse sentido, preparei uma aula que mostra um pouco de como ocorreu a Colonização no Continente Africano.

Veja também: História da África pré-colonização

Confira 👇


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sábado, 26 de setembro de 2020

VIDEOAULA: HISTÓRIA - OS VIKINGS

Vocês já repararam como a extrema direita brasileira tem resgatado a Idade Média, os cavaleiros templários e até Os Vikings? Mas será que eles sabem a história desse povo da Escandinávia? Confira nessa postagem um pouco da História dos Vikings e porque eles estão influenciando grupos extremistas aqui no Brasil contemporâneo.


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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

HISTÓRIA: Mitologia Africana

Quem mora no Brasil sabe da enorme influência das religiões de matriz africana no nosso dia a dia, nas nossas gírias, na nossa culinária. E antes do Islã chegar à África, dominando grande parte do continente, a mitologia/ religião praticada era a que vou compartilhar com vocês no vídeo abaixo: 


Ainda que você não acredite nesses mitos, é importante conhecê-los pois toda mitologia é um fator de grande importância no estudo da História de qualquer povo.

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sábado, 5 de janeiro de 2019

E a nova Ministra Damares, hein?

A nova ministra do governo Bolsonaro mal chegou e já está dando o que falar. Num governo majoritariamente masculino, não é surpresa que uma das poucas mulheres seja escolhida como boba da côrte.

Damares Alves Ideologia de Gênero

Primeiramente ela é ridicularizada por dizer ter visto "Jesus" numa goiabeira (virou até meme) e numa sequência bizarra de conservadorismo + burrice, tem tomado conta da cena política brasileira.

Sua declaração mais recente diz que "meninas devem usar rosa e meninos devem usar azul" e a esquerda brasileira é dada como ignorante por "não entender a metáfora". Só que, na verdade, nós entendemos. Entendemos muito bem!

Ela pode falar que meninos vestem azul e meninas vestem rosa mas isso NUNCA vai mudar a sexualidade de ninguém porque a libido e a orientação sexual são coisas do ser humano, é algo que se nasce assim e nada é capaz de mudar isso (nem igreja).

Veja bem, a maioria dos homens gays são criados em ambientes hétero - normativos e os pais muitas vezes forçam os menino a agir com masculinidade, dão brinquedos tidos como masculinos, dão revista pornô, alguns levam até na prostituição, mas se teu filho nasceu gay, ele vai continuar gay.

E existem homens que não praticam a homossexualidade: eles entram na igreja e dizem que são "ex-gays" mas na verdade estão apenas se enganando porque a libido e a atração sexual ninguém controla: nada vai fazer ele sentir tesão por mulher.

Então, por mais que esse governo medieval fundamentalista queira doutrinar a sexualidade das crianças, quem nasceu homossexual não vai mudar. Qualquer pedagogo e psicólogo sério sabe disso. O melhor que se tem a fazer é aceitar e respeitar porque sexualidade não se muda e não atinge o direito de ninguém. Quem se incomoda com a orientação sexual do outro é gente insegura.

Além disso, estava eu vendo um vídeo de explicação dessa tal Damares sobre a fatídica declaração a respeito das cores usadas pelas crianças, afinal, a gente tem que estar sempre preparada para ouvir os dois lados.

Ela não é tão lunática ou louca como está sendo pintada (isso é estratégia pra desviar o foco de assuntos mais importantes) e ao analisar sua fala percebemos que tem um certo conhecimento sobre as teorias de gênero (ela demonstra mais conhecimento do tema do que a turma da "lacrolândia", da Rede Globo, do Pabllo Vittar)

Ela defende que esse tipo de debate seja feito somente nas universidades e não no espaço escolar. Ok, até aí tudo bem. O problema é que o tipo de visão pregada nas igrejas e que ela defende que seja ensinada que é verdadeira IDEOLOGIA DE GÊNERO.

Veja bem, ela quer atribuir à crianças em formação condutas de homem e de mulher. Quer limitar suas brincadeiras, estudos e comportamentos baseando-se apenas no sexo biológico. Esse tipo de coisa limita a criança que, ao não se identificar com esses padrões, fica infeliz e cai o rendimento escolar, podendo gerar até uma depressão.

Outro caso pode ocorrer quando uma criança nasce interssexual e os pais ou os médicos decidem qual será o sexo que eles preferem: também estão praticando uma ideologia pelo gênero.


Enfim... Toda história tem 2 lados e saber ouvir é a melhor maneira de conhece-los. Estudem o assunto e verão que o mundo é muito mais do que você vê nos filmes

sábado, 24 de novembro de 2018

Coisas que eu Gostaria de ter aprendido na Aula de História...

Eu só fui aprender, de fato, História, na faculdade. Eu não tenho quase recordação nenhuma das minhas aulas no Ginásio e no Ensino Médio. Lembro que no primário as aulas eram ministradas na matéria "Estudos Sociais" e eram raras. Lembro que no Ginásio só se falava em Mesopotâmia, Egito e só. História do Brasil? Só se falava nos portugueses "malvadões" ou "heróis" (dependia do professor), dos índios (ingênuas ovelhinhas ou ignorantes que "precisavam de educação") e dos escravos (sempre como injustiçados que caíram de para-quedas no Brasil ou selvagens que "precisavam" de educação - em outras palavras, se "europisar").

Dicas para Estudantes

A História é tão mais que isso que não sei nem por onde começar...

• Eu gostaria de ter aprendido que ninguém é santo, herói ou vilão - mesmo em grupos sociais específicos;
• Eu gostaria de saber que o conceito de escravidão varia até hoje - não é um conceito estático;
• Eu gostaria de saber que TODOS, eu disse TODOS os acontecimentos históricos sempre beneficiavam a algum grupo - por mais impossível que isso possa parecer;
• Também gostaria de saber que esses mesmos acontecimentos prejudicavam outros grupos - assim é a vida;
• Eu gostaria que os professores fossem sinceros a respeito de seus pontos de vista mas também expusessem pontos de vista contrários - e o que seus defensores alegam;
• Eu gostaria de saber que "país" é um conceito moderno e a centralização governamental é uma das coisas mais importantes pra se estudar História;
• Eu gostaria de saber que há poucas coisas legítimas, especiais e inéditas no mundo: A maioria são "cópias" ou inspiradas em outras coisas (ex: festividades)
• Enfim, eu gostaria de saber que a História não anda só, que a Filosofia, Sociologia e outras disciplinas dependem umas das outras...

E gostaria de saber que essa profissão é imensamente importante, têm campo de trabalho e não podemos viver sem ❤ Mas não encarem isso como uma crítica a meus antigos professores, é muito difícil estar numa sala de aula com mais de 40 crianças forçadas a estar lá 😊 Só queria deixar registrado o que considero importante pra facilitar o aprendizado dessa matéria tão linda ⌛ #História

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Conheça o Museu Afro Brasil, em São Paulo - Semana da Consciência Negra

A uns anos atrás me despertou uma vontade de conhecer São Paulo e eu não sei de onde essa vontade veio, mas simplesmente me recusava acreditar que essa cidade não tinha nada. Quando comentava com alguém aqui do Rio sobre esse desejo quase sempre era bombardeada por perguntas do tipo "_Fazer o quê em São Paulo?" afirmando que São Paulo não tem nada. Obviamente essas pessoas nunca devem ter pisado na cidade ou tem uma concepção de divertimento muito diferente da minha.

Estudando História, principalmente a do Brasil Colonial (que é a parte que eu mais gosto), eu pude conhecer a enorme importância que essa capital tem para o país e no fim de semana do feriado de finados pude conhecer a cidade. Fiquei encantada com as opções de lazer e recomendo muitooooo pra quem gosta de História e Cultura 😊❤✈ (só queria deixar registrado como fiquei impressionada com a educação, simpatia e gentileza dessas pessoas - precisamos superar o fato que o trabalhador paulistano é mais educado que o carioca) 😂😂 (OBS: falando mal porque EU POSSO)

Mas enfim... eu tinha planejado conhecer alguns pontos turísticos de São Paulo como o MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), a Carlo's Bakery (confeitaria do idealizador do programa de TV Cake Boss), o Mercado Municipal, a Catedral da Sé, etc. Dentre essas escolhas eu fui, inclusive, no Parque do Ibirapuera, mas nem curti tanto pois estava muito calor, e eu estava cansada.

Semana da Consciência Negra

Semana da Consciência Negra

Mas ainda bem que fui: dentro do Parque do Ibirapuera tem o Maravilhoso Museu Afro Brasil, que é um Museu relativamente jovem sobre cultura negra, africana, brasileira, e afro-brasileira.

Semana da Consciência Negra
Vista de fora do Museu: o Parque do Ibirapuera
Museu Afro Brasil
Será que é só eu ou todo estudante de História ama mapas?
O Museu foi inaugurado em 2004 a partir da coleção particular do Curador Emanuel Araújo e ao longo do tempo constituiu valorosa instituição para fomento da cultura nacional voltada para a história afro-brasileira.

Desde 2009, o Museu Afro Brasil, é uma instituição pública, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, subordinado ao Governo do Estado de São Paulo e foi apoiado com recursos vindos da Petrobrás e da Lei Rouanet.

Biblioteca Escritora Carolina Maria de Jesus
Biblioteca Escritora Carolina Maria de Jesus

Um dos principais espaços do Museu é a Biblioteca Carolina Maria de Jesus, que conta com cerca de 10.000 títulos sobre temas relativos a Escravidão, Tráfico Negreiro, Brasil Colonial, Elementos da Cultura Africana e do sincretismo Afro-brasileiro, etc. Maria Carolina de Jesus foi uma importante escritora negra, falecida em 1977, moradora de uma comunidade carente em São Paulo e sustentava seus filhos com o trabalho de catadora de lixo. Tomou conta da cena literária brasileira ao ter seu diário publicado (Quarto de Despejo) na década de 1960.

Museu Afro Brasil

O Museu também possui um acervo riquíssimo voltado pra festividades nacionais como Carnaval do Rio de Janeiro, Festas folclóricas do Norte do país, etc. Há um Teatro dentro do Museu cujo espaço é usado para apresentações de dança e eventos universitários, levando o nome da considerada “Sacerdotiza da Dramaturgia - Ruth Souza”, atriz negra, importante nome na TV e no Teatro Brasileiro.

Há uma parte do Museu voltada também para a História do séc. XVI quando as grandes navegações chegaram ao Brasil e posteriormente, colonizadores portugueses escravizaram africanos por comércio. Também há uma parte interessante onde é mostrado os heróis do esporte, mais precisamente do futebol, que no Brasil é dominado por atletas de origem afro (OBS: Em São Paulo também há o Museu do Futebol, cujo conteúdo, infelizmente, não pude conhecer).

Não postei mais fotos porque não acho certo, já que a função do museu é justamente expôr e resguardar, mas não deixe de conferir se for o caso pois lá há MUITA, mas MUITA coisa!!

Enfim, o Museu é muito rico e aos sábados (dia que fui) estava com a entrada gratuita, sendo que é possível fazer uma doação em dinheiro de qualquer valor para ajudar na manutenção e valorização do Museu - modelo adotado em muitos museus ao redor do mundo.

Espero que tenham gostado da postagem e indiquem para quem se interessa por cultura negra e afro-brasileira 😊

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sábado, 26 de maio de 2018

Desabafo de uma Estudante de História...

Hoje eu estava a conversar com meu marido sobre algo que me angustia como Estudante de História mas mais ainda a quem está nessa condição e encontra-se desempregado.

Há tendências estatais para a diminuição (e até completa eliminação) da disciplina "História" nas escolas brasileiras. E muitos me acham louca por empreender nessa jornada nesses tempos que lecionar História numa sala de aula está entrando em extinção.

Fim da História nas Escolas

Ontem mesmo ajudei a direção do meu colégio a organizar umas palestras sobre profissões e um professor de Geografia, conhecido meu, disse que as vezes é obrigado a dar aulas até de Gramática 😢

Acontece que não sei o que seria de mim sem essa escolha, sem a HISTÓRIA: Eu PRECISO acreditar que as coisas vão mudar, eu PRECISO acreditar que haverão novos concursos, que História será novamente valorizada e voltará aos currículos escolares, pois sem isto, eu não tenho combustível pra continuar.

Fico muito triste quando vejo professores atuantes dizendo que não haverão novos concursos, que a prefeitura está de mal a pior, que nossa profissão está fadada ao fracasso porque é esta vontade de ser professora que me move. Quero trabalhar com História, ser Historiadora caso for, mas nunca quis deixar a sala de aula. Estar com as crianças, os outros funcionários, os pais e toda comunidade escolar faz meus dias não terem rotina, levo alegria (e as vezes tristeza também) para casa, rio sozinha lembrando de coisas que aconteceu e quero que seja sempre assim. Já trabalhei em ambientes que só de lembrar me davam tristeza mas em escolas eu tenho muito mais a sorrir do que chorar.

Este é só um desabafo de quem tem medo do futuro, do professor de História torna-se objeto da História e não ser um ator no presente 💔

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Como celebrar o Dia do Índio?

Dia 19 de abril foi instituído, na década de 1940, como o Dia do Índio, graças a iniciativas de lideranças que participaram do Congresso Indigenista Interamericano, no México. E nesta data é comum vermos professores pintando seus alunos de índio, usando fantasias que reforçam estereótipos e ignoram a singularidade das diversas comunidades no país.

19 de Abril, dia do índio
Quando os portugueses chegaram a terra que hoje chamamos "Brasil", dividiram os grupos étnicos em dois: Os Tapuias (nome pejorativo) e os Tupi-Guaranis. Os Tapuias eram sociedades indígenas que viviam em regiões mais interioranas e os Tupi-Guaranis eram os grupos residentes na região compreendida entre São Vicente (atualmente, na área de São Paulo) e o sul do Maranhão, uma área mais voltada para o litoral.

Os Tupi-Guaranis eram assim denominados por compartilhar de um dialeto similar e os Tapuias eram basicamente os "não-tupis" mas não se identificavam como uma unidade, afinal, esse conceito foi criado pelos portugueses. Entre os dois grupos haviam diversas comunidades indígenas e nem todas viviam da mesma maneira; compreender as particularidades de cada grupo é importante pra nos despirmos da ideia que de "índio é tudo igual".

Além disto, é importante também eliminarmos a ideia do índio como ser indefeso que não se opôs à colonização portuguesa. Ao estudarmos a História dos povos indígenas e afro-descendentes no Brasil estaremos diante de muitos conflitos ocorridos na época e só há conflito quando há resistência, certo?

O nativo brasileiro/ latino-americano impôs-se muitas vezes para preservar sua cultura e espaços territoriais. Mas também graças mesmo a essa cultura cedeu em nome de acordos, alianças, ameças, etc.

Então, ao invés de pintarmos nossos alunos e ensinar-lhes que o índio caça, pesca e anda vestido com "penas", que tal ensinarmos que até hoje existe uma queda de braço entre imperialismo e sociedades indígenas? E que este conflito é alimentado pelo capitalismo, pela ganância e pela desunião, inclusive, desses povos? Porque as guerras vividas entre os indígenas à época da colonização enfraqueceram o povo de uma maneira que facilitou a dominação portuguesa.

Índios não são seres exóticos, não são ingênuos/ indefesos, não vivem sob as mesmas condições e não são todos iguais. Buscar fontes indígenas e ouvir o que elas tem a dizer também é de suma importância na valorização da cultura indígena. Nós não devemos falar por eles e sim ouvir o que há pra ser dito.

Que neste Dia do Índio nossas crianças tenham mais contato com esse universo através dele mesmo, conhecendo aldeias e quilombos, ouvindo lideranças dos povos indígenas e absorvendo o que for de bom para a construção do seu caráter.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A falta de motivação diante do discurso empreendedor e suas consquências

Tenho notado nos últimos tempos uma ferrenha crítica à atividade empreendedora no Brasil, principalmente por parte de camaradas comunistas. Antes de me definir como socialista ou comunista, eu sou uma anti-capitalista. Vivo essa realidade e sei que é um sistema falho, discriminatório e excludente, sempre serei contra essa desigualdade. No entanto, se estamos vivendo no capitalismo, precisamos pagar nossas contas, e é aí que entra o empreendedorismo (e deveria entrar a compreensão por parte da esquerda).

Crítica ao discurso anti meritocrata
Você acha mesmo que essas pessoas fazem isso só pra aparecer?
O pequeno empreendedor jamais deverá ser comparado ao empresário que frauda, suborna e sonega. O pequeno empreendedor sou eu ou você fazendo malabarismo pra pagar as contas, batendo cabeça diante da concorrência, acreditando sim no discurso meritocrata porque simplesmente não há outra opção.

Quando fiquei desempregada em 2015 decidi vender bolinhos e sobremesas nas ruas e foi muito difícil aceitar que eu, uma pessoa graduada, estava fazendo isto. Por mais que a gente saiba que trata-se de um emprego digno, a gente fica desanimada. Tentei não fazer durante um tempo mas quando a necessidade bateu na porte eu fui, sem pensar muito, pois problematizar sobre as desigualdades sociais e sobre o capitalismo iria me fazer desanimar mais ainda. Existem momentos da vida que nós precisamos parar de pensar e refletir tudo academicamente pois o bolso ainda é o "órgão" que mais dói no nosso corpo. 

É perigoso pra nós da esquerda empregar essas frases do tipo "Empreendedor nem é gente" pois as vezes não existe outra opção pro desempregado. Não incentivo a hipocrisia semeada pela direita de que o sucesso se obtém somente através do esforço, mas também não devemos nos acomodar diante dessa crise difícil no país e nos afundar mais e mais em dívidas: o discurso empreendedor cresceu em conjunto com essa crise maldita criada pela direita, precisamos dar a volta por cima.

A falta de motivação diante do discurso empreendedor trás como consequências uma sociedade estagnada e submetida ao imperialismo, à dominação e falta de iniciativas. É mais saudável que saibamos equilibrar as duas partes do que somente incentivar a crítica ao capital. Se empreendedor nem é gente, não espere deles uma chance de trabalho. Espero que não encarem isso como apoio às políticas capitalistas que infelizmente permeiam nossa sociedade, é apenas um desabafo de quem vê na educação a única esperança de melhoria.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Como é a Faculdade de História? Devo cursar História?

Se você está se questionando sobre cursar ou não História no Ensino Superior, esta postagem é pra você.

Algumas coisas são primordiais para um aluno de História:

  • A curiosidade natural sobre tudo e todos de forma genuína (não por maldade ou fofoca): Quando eu era mais jovem eu ficava me perguntando como e porquê homens e mulheres produzem certos tipos de comportamento. Busquei a resposta na Biologia (sim, cheguei a fazer vestibular pra este curso que considero encantador) mas nunca cheguei a grandes conclusões. A História me respondeu;
  • A paixão pela leitura (ou pelo menos não "detestar" ler). O curso tem uma carga  literária MUITO pesada, você lê o tempo todo, textos e livros enormes, mas para quem gosta do saber, não é sacrificante (pelo menos pra mim não é). Já vi depoimentos de pessoas que não gostam tanto de ler mas gostaram da faculdade, então, varia de pessoa pra pessoa, mas é importante saber desde o início que tem muitas coisas a serem lidas;
  • O não conformismo diante de convenções sociais e o questionamento sobre tudo que nos é imposto socialmente. Vivemos numa sociedade com regras ditadas sem sentido ou anacrônicas (não adaptadas a nosso tempo) e ser uma pessoa que desconstrua-as é primordial no curso de História. Não trata-se de ser um rebelde que passa por cima de tudo, é ter a curiosidade natural (item mencionado acima) pra entender que certas regras só nos são impostas pra obedecer interesses maiores (nem sempre relevantes);
  • Buscar meios alternativos de estudos: se você tem intimidade com redes sociais você pode se considerar um privilegiado pois isto te põe a frente de outros alunos. Acontece que o conhecimento histórico não é exclusivo dos livros, ele pode chegar até nós de diversas maneiras: por redes sociais, por documentos, por vídeos, por programas de TV, etc. Procure inserir isto no seu dia a dia (Ex: Hoje vou assistir um filme épico e traçar um paralelo com o "real") e ficará bem mais fácil de aprender História;
  • Goste de Escrever: Tenho este blog não é a toa. Se é importante que você goste de ler, mais importante ainda é gostar de escrever pois é assim que fixa-se o conhecimento. Isto fará muita diferença no seu trabalho de conclusão de curso;
  • Seja humilde: O sentimento de superioridade contido em alguns estudantes atrapalham a vida acadêmica mas no curso de História isto pode ser mais destrutivo pois não é possível que uma pessoa se torne um bom profissional Historiador achando que certos momentos históricos são melhores ou piores que outros. Em outras palavras, estes "malas" que ficam dizendo que "tudo antigamente era melhor", ou "no meu tempo não tinha destas coisas", estão condenados ao fracasso na faculdade;
  • Compromisso de aprender: Uma vez li que uma das resoluções pro Ano Novo em nossas vidas deveria ser se comprometer a aprender uma coisa nova a cada dia. Não existe curso mais perfeito do que História pra quem leva esta máxima como filosofia de vida;

Se você tem todos estes requisitos (ou pelo menos a maioria) e adora História, se jogue de cabeça neste curso maravilhoso que me faz ser uma pessoa melhor a cada dia 💝 O que você aprende na escola não é nem 1% do que a faculdade te proporciona, é muito diferente estudar na escola e na universidade.

Não se esqueça: Existem vários fatores a se considerar antes de se matricular numa faculdade de História, mas o principal sentimento que assola todos os alunos, professores e historiadores é a incrível vontade de mudar o mundo  #AmoHistória #HistóriaÉMinhaCachaça

sábado, 30 de setembro de 2017

Numa Guerra, nunca há Perdedores ou Vencedores, entenda porque

O título polêmico acima é pra atrair você pra esta leitura e mostrar um ponto de vista pouco explorado nas aulas de História, principalmente nas aulas de História do Ensino Médio. Isto é mais desenvolvido na graduação, mas seria interessante que nossos jovens se conscientizassem a respeito.

Quando estudamos na escola é comum conceitos rígidos de certo e errado, vencedores ou perdedores, início, meio e fim. Estas denominações maniqueístas podem induzir o estudante ao erro e quebrar uma possível neutralidade da aula. Vamos tentar entender. 

Maniqueísmo Histórico e como evitá-loSe dissermos que alguém ganhou uma guerra é de se supor que houve uma vitória plena com total alcançamento dos objetivos: isto dificilmente ocorre. Numa Guerra é comum o lado perdedor sair devastado e o vencedor obter o que desejava, mas ainda sim há muitas mortes e cessões no lado dos vencedores, perda de direitos e negociações. 

A respeito da cultura, sabemos que há a imposição da vencedora sobre a perdedora, mas a cultura que tornou-se dominante sempre sofre influências da "perdedora". Fomos colonizados por portugueses e nos conflitos entre nativos e invasores, Portugal obteve considerável vantagem. Nossos doces são inspirados nos portugueses, nossa arquitetura colonial preservada nas cidades históricas é toda portuguesa, nossa moral é cristã e ainda sim temos hábitos herdados dos índios (três banhos por dia é um exemplo disto).

A conclusão que chegamos é que dividir pessoas, sociedades e participantes numa guerra de forma rígida trás problemas. Ao pensarmos em algo como tipicamente errado, não nos damos o trabalho de pensar sobre ele, não problematizamos nem enxergamos outros pontos de vista. Todo professor precisa mostrar os diversos pontos de vista sobre um assunto, ainda que a total neutralidade não seja possível, jamais devemos nos acomodar com o positivado nos livros. Por isso dizemos: Numa Guerra, nunca há vencedores ou perdedores.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Falta interpretação, mas também falta BOA VONTADE

Lara Brenner certa vez disse que "Falta amor no mundo, mas também falta interpretação de texto". Eu vou além: Falta amor, interpretação de texto e também BOA VONTADE. Existem pessoas que já têm uma opinião formada tão fortemente que, por mais que finjam ouvir outros aspectos, acabam batendo o pé e indo contra toda a lógica, estudos, matemática, etc.

Logo que eu me casei uma amiga me enviou dois livros em pdf sobre comportamento humano, sobre linguagem corporal e papéis de gênero bem específicos. Ela é cristã e acredita fielmente nisto. Agradeci, li os dois livros e tentei tirar o que havia de bom pra mim.

Sobre a submissão feminina no casamento

Depois disso ainda ganhei mais dois livros, "Casamento Blindado" e "120 minutos pra blindar seu casamento", dois livros escritos pela filha e genro do Bispo Edir Macedo. Achei que seriam livros repletos de religiosidade e muito parciais, mas até que eram tranquilos. 99% dos ensinamentos são básicos e pode ser aplicados em qualquer tipo de relacionamento, cristão ou não, homo ou hetero, monogâmico ou polígamo, etc. Eu indico os livros pra quem quiser, até acho muito válida a maioria das coisas indicadas... mas... existe duas coisas importantíssimas chamadas INTERPRETAÇÃO e BOA VONTADE.

Em todos os livros citados há a indicação da submissão feminina como algo natural, sagrado e positivo, afinal, são livros cristãos. Toda vez que eu me deparo com alguém da igreja defendendo a submissão feminina, noto que o fazem com intuito de nos convencer de algo. Eu não sou contra nem a favor disto. Eu entendo o que muitas amigas da igreja pensam a respeito. Na verdade, eu tenho boa vontade pra entender.

As mulheres de hoje em dia tem sentimentos feministas, por mais que não se considerem. Elas não querem sentir que um homem as domina e que não tem voz pra nada. Por conta disto, criou-se a ideia da submissão bíblica como algo bonito e romantizado. Qualquer página conservadora e cristã descreve a submissão feminina como algo em que há liberdade de escolha pra mulher (o que é totalmente contraditório). Nesse sentido, entendo e tenho boa vontade quando esse assunto é mencionado nas rodas cristãs.

Só queria que essas mesmas pessoas tivessem a mesma boa vontade que eu. Eu já tinha até feito um vídeo/post dizendo que compreendo o conceito de submissão bíblico de acordo com quem o defende e acredito que seja positivo em certas situações. Não porque o homem merece, mas porque todo ser humano precisa aprender a dar o braço a torcer certas vezes (estou falando ser humano, não somente "mulher"). Logo, não uso um conceito abstrato (a submissão) pra difamar algo que não me identifico (a religião).

Por isso peço a vocês amigos, principalmente as mulheres, que não se identificam com o feminismo ou que usam falácias pra difamar o feminismo: tenham a mesma boa vontade que eu

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 3 - Um pouco da cultura Africana

Nos textos anteriores (parte 1 e parte 2) dividi os com vocês alguns conceitos estudados na disciplina "Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil". Hoje, continuando o estudo, vamos conhecer através do professor Kabengele Munanga alguns pontos importantes quando falamos de cultura africana.

Kabengele Munanga é professor especialista em antropologia da população afro-brasileira, mora no Brasil mas nasceu em no Congo, onde iniciou seus estudos e graduou-se em Ciências Sociais.
Resumo sobre Cultura Africana
Professor Munanga: Mito!!

É interessante notar o quanto a cultura africana é semelhante a brasileira. Não podemos cair no erro de achar que há unanimidade comportamental em todos os países mas existem pontos em comum que formam a verdadeira identidade africana. A África subsaariana é a que mais apresenta tais características e é delas que falaremos abaixo.

Um aspecto cultural muito marcante na África subsaariana é como seus nativos encaram a morte. Para eles a perder a vida não é um fim com caráter separativo pois entende-se que há união entre os vivos e os mortos, através do legado deixado pela ancestralidade. Em outras palavras, os vivos são "unidos" aos mortos, por transmissão de forças inter parentais.

Maturidade: Para uma pessoa ser considerada adulta entendemos que deve sair da casa dos pais e ser capaz de sustentar-se sem ajuda de ninguém. Também associamos isto ao casamento. Já na África a vida adulta é caracterizada pela capacidade de suportar dores. Rituais de sacrifício servem para demonstrar o quanto madura e evoluída uma pessoa está.

Governo: Nos povos africanos é comum entender-se que o soberano é o povo, que este é o ser mais importante para representá-los, tanto que quando um governante caiu doente, por exemplo, deve ser afastado para que seu povo não "torne-se doente também". Muitas vezes são induzidos ao suicídio. Os chefes de estados são mantidos no poder por ancestralidade e socialização.

Unanimidade: A África possui um aspecto que eu, Thainá, considero de um caráter pacífico que é a unanimidade. Os mais maduros de um vilarejo ou localidade tendem a tomar decisões somente quando há um consenso sobre os mais diversos assuntos, evitando assim conflitos e possíveis guerras.

Família: É comum os africanos manterem proximidade com suas mães até a vida adulta e casarem-se por conveniência (casamento arranjado). Muitas vezes a ficção nos mostrou o casamento arranjado como algo negativo e repudiante mas devemos entender que o "amor romântico" e o "casamento por amor" são coisas relativamente modernas: a maioria das sociedades viviam assim no passado e não chegou-se a criar problemas sociais graves por conta disto. Na África o casamento também revela um status de acordo com quem você é arranjado, a qual família pertence e pertencerá (isso não é muito diferente daqui, né?). Há um laço forte de ternura entre os netos e os avós, uma certa cumplicidade porque avós = 💗 e também vemos muito disso em outras culturas. Na sociedade africana não há papel social para o solteiro e é incentivado o casamento e reprodução de pessoas com graus de parentesco muito distantes ou zero (exogamia).



>>> Confira aqui a quarta e última parte desta leitura

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 2

No primeiro texto acerca do Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil compartilhei por aqui alguns aspectos da vinda dos negros africanos para o Brasil que foram escravizados pela colônia portuguesa.

Vimos que os negros africanos foram escravizados, afastados de seus conhecidos e familiares que também vieram juntos, tiveram sua cultura demonizada para perder sua identidade como unidade e apesar disto, ainda sim, tornaram-se parte da cultura brasileira escrevendo sua história.

Hoje em dia já possuímos políticas públicas de reparação destes danos e tentamos pagar esta dívida histórica mas nem sempre isto tem se mostrado suficiente. Esta frágil democracia é muito mais teórica que prática. Nossa Constituição Federal já indica punição para casos de racismo, mas pouco acontece na prática e quase nada impede novas situações.

Sociólogos já constaram que quando alguém comete um crime, esta pessoa tende a "clarear" sua pele diante da justiça para obter uma pena menor. Não é difícil notar que os brancos ainda vivem em situação melhor que os negros: chegam a maiores níveis educacionais, são maioria dentre os mais bem remunerados, réus negros tendem a sofrer maior perseguição, dentre outras coisas que não é uma suposta doutrinação que indica, são fatos que podemos observar facilmente no nosso dia a dia.

O conceito de Negritude é aliado a uma ideia de movimento social que pretendeu romper com o padrão europeu imposto por nossos "colonizadores". O Movimento Negro sempre pretendeu a busca da valorização da cultura negra e respeito por ser quem é. Muitas vezes entrou em contradição com seus aliados, mas uma coisa é certa: É unânime o não querer voltar a um estado de alienação (escravidão).

Outro consenso dentro dos Estudos das Relações Étnico Raciais no Brasil é o silenciamento do Índio e do Negro na época da colonização. A escravidão poderia ter ocorrido com outros grupos étnicos e até nos dias de hoje ainda ocorre (de outras maneiras, com outras pessoas), mas daí negar sua existência é muita má fé. Existem grupos reacionários agindo online que tentam deslegitimar o Movimento Negro como se este fosse inútil, mas isto é um bom exemplo do que o racismo e a escravidão deixou como legado. O racismo e a escravidão do negro africano deixou uma cicatriz tão profunda em nossa cultura que muitos negros não se identificam com o movimento negro, acreditam que denúncias de racismo é "frescura" e que qualquer ofensa é vitimização por parte de seus semelhantes, logo, nem todos vivem esse conceito de Negritude.

Pode-se entender como início dessa tomada de consciência por parte dos escravizados a ação de Zumbi no Quilombo dos Palmares. Este incentivou os escravizados a fugirem de seus senhores para assim tornarem-se donos de si mesmo. Este comportamento de fato foi revolucionário e por conta disto a data de 20 de novembro (morte de Zumbi) foi escolhida para celebrar o Dia da Consciência Negra. Poderia ter, por exemplo, sido escolhido a data de 13 de maio (Lei Áurea/ Dia da Abolição da Escravidão) mas isto pouco significou na época, eis que a abolição não criou medidas de inserção do negro no mercado de trabalho formal, escolas, universidades, por exemplo.


O próximo texto vai falar sobre costumes e cultura africana, não percam!! Siga o Blog pra acompanhar de perto das atualizações. Um abraço, Thainá Santos.

>>> Veja aqui a terceira parte desta leitura

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Direitos Humanos (Esquerda) defendem "bandidos"?

Existe um pensamento infundado de que quem se posiciona politicamente à esquerda do conservadorismo, necessariamente, defende criminosos.

Vamos começar do início: a lei brasileira caminha para uma maior "suavização" de penas e multas em caso de criminalidade, isto já é uma tendência legislativa e você vai entender o porquê: acontece que máquina carcerária brasileira já está saturada e o principal objetivo, que é a ressocialização, tornou-se impossível na maior parte dos presídios. Isto também acontece pra criar brechas que possibilitem criminosos de maior poder aquisitivo (como políticos, por exemplo) de continuar cometendo seus crimes. Vergonha né?

Mas esta "suavização" não ocorre só no Brasil: a tendência mundial é que todos são inocentes até que se prove o contrário. Quando este fenômeno ocorre pra beneficiar quem não merece nós devemos sim nos indignar mas não é sempre que isto acontece.

O princípio de que todos são inocentes até se prove o contrário advém da ideia de que, é melhor um criminoso solto do que um inocente preso, pois o criminoso pode mudar, deixar de cometer crimes, mas um inocente preso nunca terá seu tempo perdido recuperado, nem mediante indenizações, será um trauma eterno na vida da pessoa.

A própria história nos mostra que políticas de tolerância zero aliadas à práticas violentas causaram mais prejuízos que benefícios; o holocausto judeu na Alemanha nazista é um bom exemplo disso, e a partir dele criou-se a ideia de Direitos Humanos.

Os Direitos Humanos são princípios que permeiam nossa lei e nossa cultura, mas infelizmente usam de má fé pra difundi-los. Eu, particularmente, acho que todos devem pagar pelo mal que cometem, mas infelizmente quando pensam nisso só se lembram do pobre e negro que bate carteira. Dificilmente você vê alguém pedir linchamento de empresário explorador, de playboyzinho que bate na namorada, de amigo que estupra a própria esposa... enfim... toda a atual esquerda é contra esta injustiça que fecha os olhos para os bandidos "ricos". Daí quando defendemos que um pobre e negro tenha uma pena justa, dá a entender alguma espécie de defesa anulatória de pena. Não é!

A verdade que os trabalhadores do poder judiciário, se praticarem o que aprendeu, vão saber que justiça é diferente de vingança e não passamos mais de cinco anos numa faculdade de Direito pra qualquer pessoa achar que sabe o que está fazendo. Existe uma lei, um estudo e principalmente uma Constituição que deve ser respeitada, uma Constituição que proíbe justiça com as próprias mãos.

Além disto, não é razoável que se mate uma pessoa por um crime de furto, por exemplo, pois a realidade socio-cultural influencia demais nesse tipo de crime. Sei que existem ladrões que vivem em boas condições e mesmo assim praticam barbaridades, no entanto, estou falando daqueles que por uma dificuldade prestou-se ao crime. Se notarem, todos os países que investem em educação fortemente apresentam baixas taxas de criminalidade, isto porque é mais do que claro que o ambiente influencia sim a conduta de uma pessoa.

Enfim, deixem a justiça para que os próprios profissionais executem e lembrem-se: A esquerda não defende bandido, a esquerda defende que TODOS paguem pela mesma maneira, sem injustiças ou brechas que beneficiem ricos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Livro: Depois dos Quinze - Quando tudo começou (Bruna Vieira)


No post de hoje vou compartilhar com vocês uma resenha do livro da blogueira e escritora Bruna Vieira (Depois dos Quinze).

A linda já lançou 4 livros ("Depois dos Quinze - Quando tudo começou a mudar" (2012), "De Volta aos Quinze" (2013), "A menina que colecionava Borboletas" (2014) e o "De volta aos Sonhos" (também em 2014) ) e ainda mais um em conjunto com outras autoras.

Sempre admirei o profissionalismo da Bruna Vieira e embora não acompanhe tanto seu blog (pois é escrito para um público adolescente), sigo-a em todas as redes sociais pois me inspira como pessoa. Penso que muitas mães possam ter dúvidas quanto ao livro para permitir que seus filhos leiam, mas fiquem tranquilas pois é um livro muito fofo super adequado a idade. Não fala nada de sexo explícito, política, violência nem nenhum outro tema polêmico que queremos manter distante de nossa família.

Além de estimular a leitura dos mais jovens ainda quebra esse paradigma de que livro de Youtuber é fútil. Sei que ultimamente muitos sentem que no Youtube só há besteiras e youtubers fúteis, mas não é não, basta pesquisar, no Youtube e na blogosfera há muita gente inteligente compartilhando o que sabe e até no que alguns veem besteira há entretenimento.

O Livro é dividido em duas partes: A primeira é repleta de contos de apenas uma folha, estorinhas bem curtinhas, que todo mundo com boa memória sobre sua adolescência vai lembrar. A segunda parte do livro é com algumas estórias mais longas, mas nada de cansativo, são apenas divagações em meio à ficção que, novamente, todo adolescente irá se identificar.

Eu comprei este livro pra apoiar o trabalho da Bruna mas também porque estou cansada de assuntos pesados, política, brigas online que não levam ninguém a nada. Queria ver/ ler algo diferente e apartidário sobre qualquer assunto.

Enfim, é um livro fofo, totalmente voltado pro público adolescente mas que se revela uma boa surpresa pro público adulto. Beijos, Thainá.

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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Identidade de Gênero e Transsexualidade

A ideia de Identidade de Gênero é uma boa razão para entendermos a necessidade de respeito a população transsexual no Brasil e no mundo. Todos tem algo no corpo que gostariam de mudar e isto não é negar sua natureza. Uma pessoa com dificuldade visual não está deixando de ser quem é ao usar óculos, logo, uma pessoa transsexual não está errada ao fazer pequenas modificações em seu corpo a fim de adequá-lo a como ela se sente de verdade de acordo com os padrões ocidentais.

Esta discussão tomou maior proporção ao cair numa questão de prova do ENEM, e isto não é doutrinação, foi apenas avaliado se os alunos estão por dentro das diferentes definições de gênero, mas infelizmente o fundamentalismo religioso impede alguns de entender isto.

Se pra você ser homem ou mulher está relacionado somente ao órgão sexual entre as pernas de cada um, problema é seu, não queira fazer todos entenderem da mesma maneira já que gênero é uma construção psico-social.

Só trouxe ao blog esta questão pois muitos estão acusando o atual candidato a prefeitura do Rio, Marcelo Freixo, de impôr "ideologia de gênero" na educação escolar. Sendo que isto nem é de competência das prefeituras das cidades. Também gostaria que outras pessoas conhecessem sobre este assunto tão atual e tão mal explicado, muitas vezes até dentro dos defensores da Teoria Queer, por exemplo.

E somente a título de curiosidade:
  • Travesti: mulher que possui órgão sexual masculino
  • Transsexual: Mulher que já realizou a cirurgia de redesignação sexual e/ ou pretende fazê-la.
Atenciosamente, Thainá.

domingo, 25 de setembro de 2016

Por que Filosofia e Sociologia são necessárias?

Quando eu era mais nova, inclusive no Orkut, era comum eu ver textos em tom humorístico, ou o que hoje em dia chamamos de "memes", indicando a "inutilidade" de certas disciplinas escolares. Quem nunca ouviu aquela piadinha básica: "Mais um dia se passou e eu não usei a fórmula de Bhaskara pra nada em minha vida"?

Primeiramente, Fora Temer, a tal fórmula de Bhaskara, bem como todas as ciências exatas, são importantes sim pra nossa vida, e mesmo que não vejamos sua aplicação prática no dia a dia, é óbvio que ela faz parte de nosso ambiente. A matemática, a física e a química estão nos produtos que consumimos, na nossa saúde, nos exercícios que praticamos, em todo nosso meio. Seu estudo se faz necessário pra entendermos onde gostaríamos de atuar profissionalmente mas não limita-se a isto.

Acontece que existem matérias mais próximas de nossa realidade e ao entendermos seus fundamentos é impossível não nos questionarmos e também mundo a fora. Assim são a Filosofia e a Sociologia.

Importância das disciplinas Filosofia e Sociologia no Ensino Médio
Quando fiz ensino médio (em 2002, aproximadamente), estas disciplinas não eram obrigatórias. Fiz metade em escola pública e mudei para uma particular por causa de greves no estado. Na primeira, tive aulas de Filosofia somente e sabe o que aprendi? Nada! Pergunte a qualquer professor de rede pública se os alunos realmente demonstram interesse nessas matérias: é menos de 5%. Por conta disto estas matérias devem ser abolidas? Não mesmo, é justamente o contrário!!

Se nossas crianças recebessem um ensino de qualidade onde a escola é bem equipada e os professores valorizados, elas aprenderiam de fato a filosofia e a sociologia. E aprendendo essas matérias de verdade, ninguém questionaria sua importância. Qualquer pessoa que tenha tido um contato mais profundo com essas matérias sabe que elas são de suma importância na formação de qualquer profissional, mas também em nossos valores e caráter.

Foi realizado um estudo pela Education Endowment Foundation (EEF) na Inglaterra* onde um grupo de crianças se submeteram ao estudo da Filosofia na prática, ou seja, não tanto teorias filosóficas e pensadores, mas sim questionamentos da vida real. Ficou evidente que as crianças com maior contato aos estudos filosóficos se saíram bem melhor comparadas às que não tiveram.

Dessa forma podemos concluir que o estudo da Filosofia nos torna menos sujeitos a imposições culturais sem sentido, nos tornando seres questionadores de pensamento múltiplo. O estudo da Sociologia só demonstra como isto faz efeito nas nossas civilizações e entender isto nos mostra caminhos diferentes.

O jovem que encerra o ensino médio estará melhor preparado para a graduação se tiver aprendido de fato a Filosofia e a Sociologia (matérias que são obrigatórias em quase todas as faculdades). Não há como ignorar esta necessidade para nossos alunos.

*Fonte: Galileu