sábado, 30 de setembro de 2017

Numa Guerra, nunca há Perdedores ou Vencedores, entenda porque

O título polêmico acima é pra atrair você pra esta leitura e mostrar um ponto de vista pouco explorado nas aulas de História, principalmente nas aulas de História do Ensino Médio. Isto é mais desenvolvido na graduação, mas seria interessante que nossos jovens se conscientizassem a respeito.

Quando estudamos na escola é comum conceitos rígidos de certo e errado, vencedores ou perdedores, início, meio e fim. Estas denominações maniqueístas podem induzir o estudante ao erro e quebrar uma possível neutralidade da aula. Vamos tentar entender. 

Maniqueísmo Histórico e como evitá-loSe dissermos que alguém ganhou uma guerra é de se supor que houve uma vitória plena com total alcançamento dos objetivos: isto dificilmente ocorre. Numa Guerra é comum o lado perdedor sair devastado e o vencedor obter o que desejava, mas ainda sim há muitas mortes e cessões no lado dos vencedores, perda de direitos e negociações. 

A respeito da cultura, sabemos que há a imposição da vencedora sobre a perdedora, mas a cultura que tornou-se dominante sempre sofre influências da "perdedora". Fomos colonizados por portugueses e nos conflitos entre nativos e invasores, Portugal obteve considerável vantagem. Nossos doces são inspirados nos portugueses, nossa arquitetura colonial preservada nas cidades históricas é toda portuguesa, nossa moral é cristã e ainda sim temos hábitos herdados dos índios (três banhos por dia é um exemplo disto).

A conclusão que chegamos é que dividir pessoas, sociedades e participantes numa guerra de forma rígida trás problemas. Ao pensarmos em algo como tipicamente errado, não nos damos o trabalho de pensar sobre ele, não problematizamos nem enxergamos outros pontos de vista. Todo professor precisa mostrar os diversos pontos de vista sobre um assunto, ainda que a total neutralidade não seja possível, jamais devemos nos acomodar com o positivado nos livros. Por isso dizemos: Numa Guerra, nunca há vencedores ou perdedores.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriott) e A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels)

Nesta postagem quero deixar registradas minhas impressões sobre os livros A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriott)A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels).

Vamos entender o seguinte: muitas pessoas compram estes livros "compactados" na esperança de aprender em 200 páginas o ensinado em quatro anos do curso de História, ou de aprender rápido sobre um assunto pra impressionar alguém: não se iludam! Quem já se graduou em História nunca sabe 100% de tudo que já aconteceu no mundo e todo estudante de História precisa se especializar em uma área de conhecimento: isto é mais certo que a morte. Até as áreas mais comuns (História do Brasil, Egito Antigo, Medievo Oriental, por exemplo) precisam ser estudadas dentro de um recorte temporal para que o trabalho desenvolvido seja cada vez mais específico e crédulo. Então, você não vai aprender História com um livro deste tipo. 

Mas, se estes livros não servem pra aprender história, pra que servem então? Acompanhe abaixo nesta resenha dos livros A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriot) e A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels).

Resenha dos livros A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriot) e A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels)

A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriot): A autora, que é historiadora pela Universidade de Warwick na Inglaterra, é especialista em História Contemporânea. Atualmente trabalha como editora, escritora e resolveu reunir em 200 páginas a história do mundo, da Antiguidade até o final da 2ª Guerra Mundial.

De fato o livro aborda os assuntos mais importantes da história desde a invenção da escrita, o problema é que não relaciona os assuntos publicados de modo a compreendermos dentro de uma linearidade. 

Nós, estudantes de história e historiadores evitamos linhas do tempo rígidas que nos deem a sensação de rupturas bruscas no passar dos anos. Contudo, o método "linha do tempo" ainda é usado para fins didáticos, facilitando o estudo/ ensino.

Para quem nunca estudou história antes, este livro se mostra uma chuva de informações agressivas deixando o leitor totalmente perdido. Se você nunca gostou de História mas agora resolveu estudar, sugiro a leitura de livros específicos por eras, exemplo: Grécia e Roma antiga, Antiguidade Oriental, Medievo Oriental, Medievo Ocidental, Sistema Feudal, etc (futuramente farei posts de indicações de livros destes temas). A calma é sua melhor amiga!

O livro A História do Mundo Para Quem Tem Pressa é indicado pra quem já está familiarizado com os assuntos acima mencionados tendo estudado, pelo menos, uma vez na vida. Eu uso muito o livro em vésperas de provas para me lembrar assuntos que já conheço, logo, o livro tem o seu valor. Ele é ideal pra quem já tem experiência como estudante de história pois, mesmo quem conhece dos assuntos, muitas vezes falta a "teoria". A Teoria da História nos mostra métodos de estudo que desenvolvem o senso crítico do estudante de modo a fazê-lo compreender melhor tudo que estuda. Assim, um estudante experiente neste ramo terá mais facilidade de usar o livro.

A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels): O autor, graduado em Cambridge, estudou linguística e clássicos, seja lá o que isto signifique em termos educacionais na Inglaterra. Na micro biografia na orelha do livro, orgulha-se de ter desenvolvido um trabalho pesado na elaboração, ou seja, na base de muita pesquisa. Se isto realmente ocorreu eu não sei, mas gostei bem mais deste livro que do anterior. Obs: pela sorte do tipo de tema, não pelo modo de criação.

Mitologia é uma coisa que costuma variar com o tempo pois o "disse me disse" tende a criar versões para uma mesma estória. Assim como o livro anteriormente resenhado, é primordial que você já tenha contato com os assuntos abordados e você vai sentir isto ao ler sobre os mitos das culturas mais famosas (Egípcias, Gregas, Nórdicas, etc). Ao se deparar com conteúdo pouco falado (mitologia australiana, chinesa, etc) encontrará mais dificuldade pois são assuntos pouco presentes em nosso dia a dia.

A Mitologia não é menos importante que a História pois muitas vezes a explica. No Egito antigo, por exemplo, a mumificação de corpos acontecia por causa da religião e contribuiu muito para os estudos históricos. Na Grécia antiga os jogos olímpicos também se desenvolveram dentro de um contexto mitológico. É importante, então, conhecermos sobre mitos e lendas de um povo.

Por que gostei mais deste livro em relação ao "A História do Mundo Para Quem Tem Pressa"? Porque ao falarmos de mitologia há possibilidades de várias versões, facilitando o ensino e a compreensão (apesar de também rolar um certo "derramamento" de informações desconexas, desta vez, em relação aos acontecimentos históricos da época em que tais mitos se desenvolveram). Enfim... Tendo em vista a finalidade que você usará os livros, os recomendo pois são bem acessíveis financeiramente.

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Consumismo e Militância

Eu adoro ler e escrever sobre política, gosto mesmo, mas infelizmente é difícil pôr em prática o que se acredita 100% do tempo. Diante de tantas tentações em nossas vidas fica difícil não cair em contradição. Explicando: Eu tenho um ideal político em mente e pra que ele aconteça eu preciso fazer coisas que nem sempre serão agradáveis. Uma delas é abrir mão de comprar coisas fúteis.

Economizar grana pra mim nunca foi um grande problema pois sempre ganhei mal e nunca tive um emprego estável (a ideia de não ter nada no mês seguinte me apavorava), assim, eu nunca fui de gastar mais do que ganho. Mas de vez em quando dá vontade de ter coisas que não são importantes, principalmente pra casa e decoração (latinhas, caixinhas, panos de prato, etc).

Meus blogs e redes sociais eu sempre usei pra compartilhar coisinhas que amo pra dentro do meu lar e isto acaba me fazendo querer gastar dinheiro que não tenho. Vocês já viram perfis bombados de algumas donas de casa no Instagram? São compartilhadas cada coisa linda!! Não são moças multimilionárias que sigo, mas que elas tem uma grana sobrando pra comprar estes objetos pra casa, ah, elas tem. Eu adoro, não nego; fico com muita vontade de comprar... Mas além da grana não permitir, minha visão política socialista também impede.

No mundo socialista não deve haver lucro (teoricamente) pois tudo que é produzido por um trabalhador lhe é pago na sua integralidade. Os meios de produção são tomados pelos trabalhadores (não pelo empresário dono da fábrica) e assim vive-se numa sociedade mais igualitária. Infelizmente no Brasil não é isto que vemos: assistimos sentados cada dia mais uns poucos enriquecerem em cima do trabalho alheio. E uma das coisas que alienam estes trabalhadores é justamente este consumismo, essa vontade de ter o que não se precisa, e eu não estou imune a isto. A mídia contribui e muito com propagandas pesadas pra nos fazer crer precisar de coisas que não precisamos.

A gente pode notar que até os movimentos sociais e a militância atual viraram alvo de campanhas publicitárias e meios de vender cada vez mais. Quantas vezes você já viu o rosto de Frida ou Che estampados por ai? Eu, diversas!!

Eu evito ao máximo frequentar locais como shoppings e feiras que me farão querer gastar. A educação financeira é uma das grandes inimigas do sistema capitalista que precisa empurrar-nos goela abaixo seus produtos, desse modo, nunca vão incentivar seu ensino nas escolas por exemplo.

Sendo assim sigo fazendo minha parte evitando essas besteiras mas me perdoando quando caio em tentação, afinal, ninguém é perfeito. Quando me virem compartilhar algo distante da cultura socialista entendam que vivemos no capitalismo e é dele que nós sobrevivemos, infelizmente.

sábado, 2 de setembro de 2017

XVIII Bienal Internacional do Livro - Rio de Janeiro

Este é um relatório de Atividade Acadêmica Complementar, sobre XVIII Bienal Internacional do Livro - Rio de Janeiro, que pude estar presente na data de hoje.

Este evento é realizado sempre a cada dois anos pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e pela Secretaria Municipal de Cultura juntamente com o Ministério da Cultura. Ao todo foram onze dias de programação diversa com vários autores, nacionais e internacionais, e também celebridades da internet, como Youtubers, por exemplo.

XVIII Bienal Internacional do Livro - Rio de Janeiro


Tive a oportunidade de conhecer diversos estandes de livrarias tradicionais, como o da Livraria Saraiva, Livraria Cultura, etc. Todos apresentavam preços razoáveis, compatíveis com suas vendas online, exceto pelos livros relativos à Educação Especial. Os livros sobre Educação na perspectiva da Educação Inclusiva apresentavam preços bem elevados comparados ao mercado regular, no entanto, havia estandes para todos os gostos. Livros acadêmicos da História de autores clássicos, como Marc Bloch, por exemplo, também apresentavam preços elevados.

Hoje na Bienal do Livro se apresentaram autores como Lilia Schwarcz, Mario Sergio Cortella e Fernando Gabeira

Lilia Schwarcz apresentou sua nova obra biográfica em homenagem à Lima Barreto, escritor nascido no séc. XIX e com importante expressão na literatura nacional. A autora ateve-se à questão racial enfrentada pelo escritor e explorou-a sob a ótica da época. Lilia é uma autora importante na Antropologia e Historiografia atual e todo estudante de História, pelo menos uma vez na vida, já se deparou com alguma crítica escrita por ela, em relação à conflitos e abordagens étnicas.

Mario Sérgio Cortella apresentou-se com o desenhista Maurício de Sousa, famoso por sua criação com a “Turma da Mônica” e debateram com os espectadores sobre “O exercício de pensar”, mas na verdade foi mais uma tentativa de marketing para seu novo livro “Família, urgências e turbulências”. O educador e palestrante é considerado um dos importantes pensadores do nosso tempo, sendo considerado por muitos filósofo contemporâneo.

O Jornalista Fernando Gabeira palestrou sobre a Operação Lava Jato e seus desdobramentos encerrando a noite de sábado na XVIII Bienal Internacional do Livro no Rio-centro.

Enfim, foi um dia muito rico com uma programação diferente pra sair da rotina e reunir a família. Um abraço, Thainá Santos.

Qual o Valor ideal de uma pensão alimentícia para crianças?

Saiba o valor a ser cobrado numa ação de alimentos
Dado Dolabella foi preso por um débito de mais de R$190.000,00 em pensão alimentícia. Aí os homens ficam "revoltados" pois uma criança "não precisa deste valor" e claramente é pra "sustentar a vagabunda da mãe e seus 'macho' ".

Queridxs, vou passar algumas informações pra vocês com base nos meus humildes conhecimentos legislativos: Quando um homem deve alimentos, ele tem total liberdade pra questionar os valores, exigir os recibos dos gastos com o filho e levar à justiça suas dificuldades financeiras (caso elas existam). O valor de uma pensão alimentícia não é fixo, imutável: você pode ajuizar ação pedindo redução caso sua renda tenha diminuído.

Acontece que a maioria dos homens não querem ter esse trabalho, não conhecem os gastos do próprio filho (e estão "cagando" pra isso) e não querem ter a guarda porque vão perder sua preciosa liberdade. Manda um deles passar um mês com o filho controlando os gastos e anotando num papel? Duvidam que queiram!!

Esse valor é um ACUMULADO por meses devendo. Os filhos também tem direito a alimentos que não foram pagos no passado antes da mãe ajuizar a ação. Informem-se melhor sobre a legislação em vigor mas, PRINCIPALMENTE, conheçam a luta das suas ex companheiras que ficaram com a guarda