quinta-feira, 16 de abril de 2026

Caindo de paraquedas na Alfabetização

No início do ano já estava tudo certo para eu pegar uma turma de 3º ano como nos últimos anos. Eu já havia preparado material para isto, deixei minha sala de aula toda arrumada, muitas vezes tirando dinheiro do meu próprio bolso, mas sempre pensando no meu bem estar e dos alunos.

Contudo, em janeiro fiz uma cirurgia e a licença médica pegou um pouco dos primeiros dias de aula. Pouca coisa, seriam apenas 5 dias de afastamento. Mesmo assim colocaram uma professora no meu lugar e quando eu puder retornar às aulas, tive que pegar uma turma de 1º ano (o antigo C.A.).

Fiquei me sentindo desnorteada mas quem conhece minha história e de minha família sabe que minha mãe lecionou muitos anos onde trabalho e sempre pedia as turmas de C.A.

Isso me intrigava: Se ela fazia questão da alfabetização, alguma coisa boa deveria ter.

Alunos SMERJ Prefeitura Rio

Nos primeiros dias foi difícil pois eles são muito dependentes da gente, ainda. E tudo que já era explicado em detalhes, precisou se detalhar mais ainda. Mas agora, dois meses depois, estou gostando.

Não que seja um amor incondicional. Tenho a teoria que, atualmente, tudo na SMERJ é ruim (falarei disso em outra postagem). Mas, comparando com anos anteriores em que lecionei para alunos mais velhos, estou achando um pouco menos difícil. Não sinto a necessidade de repreendê-los o tempo todo como com as turmas que já tive. E eles são fofos. 

Eis o início da minha saga no 1º ano.

Últimas leituras

Vou compartilhar por aqui minhas últimas leituras. Tiveram um quê de nostalgia mas deixa eu primeiro me explicar:

A alguns anos atrás eu comecei uma saga de auto conhecimento. A gente vai ficando adulto e sente essa necessidade. Se antes uma simples menina de baixa auto estima, agora tenho consciência de alguns dos meus valores (é um trabalho diário).

Nessa busca por auto conhecimento, sei da importância do papel da terapia, mas no momento que vivo não tenho condições de pagar, então, vamos de conselhos virtuais mesmo.. rs.

Eu sentia a necessidade de resgatar coisas do passado (coisas boas, é claro), que me valorizem como pessoa. Isso me levou a cuidar da minha memória, aspecto de importância vital (falo disso numa outra postagem).

Nessa jornada, passei um bom tempo (e com esforço) tentando lembrar qual tinha sido minha primeira leitura na infância e/ ou na adolescência.

Coleção Vagalume livros

Já que naquela época eu não registrava meus passos, o que lembrei, me apeguei. E eu nem sei se é real, mas a partir do momento de criação da minha identidade, passou a ser.

Então lembro que o primeiro, ou um dos primeiros livros que minha mãe leu pra mim foi "O patinho feio". Era um livro meio esverdeado e em pop-up. Depois confirmarei com minha mãe se isto realmente aconteceu. Livro em pop-up realmente é algo chamativo, talvez essa memória seja real.

Já no início da adolescência, tive uma professora de Língua Portuguesa maravilhosa que me indicou "Sozinha no Mundo", de Marcos Rey, da série Vagalume.

Eu não era a melhor das alunas aos 12 anos: essa mudança da infância para adolescência foi meio conturbada para mim. Naquela época lembro-me de constantes crises de choro, brigas com amiguinhas, em certos momentos pensei até em tirar minha própria vida. Não foi fácil 😞 Mas hoje, como educadora, entendo tudo que passei, e tento ressignificar minha vida escolar: eu era apenas uma adolescente normal, no início da vida.

Voltando a falar da professora, ela era incrível. Pena que na época eu não tinha consciência disso. Professora Marli, da Escola Municipal Dr. Jair Tavares de Oliveira. Fazia coisas por nós que só uma mãe faria, enquanto isso, a adolescente rebelde aqui tentava "não gostar" do livro indicado. Nem da professora.

Sim, por rebeldia eu me recusava a ler, e quando lia, fazia com má vontade. Mas nem toda má vontade do mundo foi capaz de superar a qualidade da série vagalume.

Os livros indicados pelos professores da época giravam em torno dessa saga, eram mais sérios que um livro infantil mas de fácil entendimento para um pré-adolescente. A maioria focado em aventuras, mistérios, e eu de pirraça tentando evitar... hahaha.

Quando li o "Sozinha no mundo" nem sei se o finalizei, mas relendo agora adulta, fui resgatando muitas memórias da trama.

E que delícia de leitura!! Obrigada professora Marli!!

Diante do exposto acima, já compartilhei anteriormente um trabalho escolar que fiz com meus alunos sobre a série. Neste post aqui.

Quando o fiz, ainda não tinha relido os livros, apenas lido alguns resumos pra relembrar e falar com propriedade. Mas era uma questão de honra reler. Então nesse últimos dias eu li, nesta ordem: Sozinha no Mundo, Açúcar amargo e a Ilha Perdida. Estou lendo no momento "Zezinho, dono da porquinha preta" (o segundo que li no ginásio).

Enfim, precisava dividir essas conquistas, porque no mundo de hoje, da rolagem infinita e conteúdo efêmeros, terminar um livro é uma conquista!

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Minha história no desenho

Quando eu era criança gostava muito de desenhar e modéstia a parte, até desenhava bem. Minha mãe fazia assinatura dos gibis da Turma da Mônica e eu tentava criar minhas próprias histórias, fazia meus quadrinhos com papel ofício. Lembro até, vagamente, de uns personagens que criei (uma delas era uma aficionada por academia).

Aí a gente vai ficando mais velha e perde o hábito. Minha juventude foi engolida pelas cobranças acadêmicas, financeiras, e, embora meus pais sempre estivessem ali do meu lado apoiando, eles não tinham como lutar contra o capitalismo.

Sendo que a pouco tempo, desenhando no quadro para meus alunos, eu lembrei desse hábito. Meus alunos sempre elogiam meus desenhos que não são nenhuma obra de arte mas conseguem transmitir as mensagens que desejo.

Blog Prof Thainá Santos História

Eu tô numa vibe de trabalho manual pois depois de engolida pelos problemas da vida, a gente precisa criar válvulas de escape para cuidar do nosso emocional.

Sim, acabei ressuscitando o hábito de desenhar. Dentre outros.

Desenhos feito à mão

Paralelo a isso descobri algumas funções divertidas para estes desenhos. Coloquei-os no chat gpt e inseri um comando para torná-los mais realista. Ficou tão bonitinho que levei a ideia para minha sala de aula.

Em breve postarei aqui umas fotos da Oficina de Inteligência Artificial que estou desenvolvendo com meus alunos.

Um abraço, Prof Thainá Santos.

domingo, 24 de agosto de 2025

Livro: O menino do Dedo Verde

Na lista dos clássicos que todo professor infantil deveria ler, o livro "O menino do dedo verde" é muito presente mas eu sempre adiava a leitura. Mesmo eu tendo um exemplar na casa dos meus pais, nunca tinha parado para, ao menos, prestar atenção.

Preciso confessar um quase crime: eu era a filha babac@ que criticava tudo dos pais! As músicas que eles ouviam, os programas que viam na TV, e claro, os livros que possuíam. Talvez um dia, numa possível terapia, eu descubra o porquê desse comportamento lamentável, contudo, admitir já foi um grande passo.

Enfim, superada a fase babac4, fiz a limpa na estante dos meus pais quando eles se mudaram e trouxe o livro "O menino do dedo verde" aqui para minha casa (juntamente com outros exemplares).

Livro O menino do dedo verde capa antiga
o estado do livro ahahaha 😂

Sempre tive a sensação de que este livro era alguma obra obrigatória de escola, mesmo não lembrando se um dia fui obrigada a ler. Pesquisando sobre o tema, descobri que não era loucura da minha cabeça: O menino do dedo verde, de fato, era um livro cobrado nas escolas brasileiras do passado.

Além de jovem idiot4 com os pais, eu também era com os professores, e graças a isso, nunca lia o que era indicado. Lamentável? Sim! Mas não o fim do mundo, levando em conta que essas obras, geralmente, são melhores apreciadas na vida adulta.

A história conta a vida de um garotinho que vivia numa família fofa e exemplar, e tinha o poder de fazer crescerem flores e plantas com seu polegar. Sempre que ele tocava a terra com os polegares, fazia crescer uma linda e saudável vegetação. Tistu, o protagonista, descobriu seu dom graças ao jardineiro que cuidava da sua casa e tornou-se um amigo.

Contudo, Tistu, ao entrar na escola a primeira vez, não se adaptou bem ao ambiente e seu pai teve a ideia de educa-lo de maneira diferente: fazia-o aprender na prática sobre a vida com pessoas experientes em cada área.

Foi assim que Tistu começou a conviver com seu jardineiro e outros adultos.

Tistu também conheceu o Senhor Trovões, que era o chefe do seu pai na fábrica onde trabalhava. A missão do Senhor Trovões era ensinar a Tistu sobre a sociedade e sobre a ordem que a conduzia. Mas Tistu tinha suas próprias opiniões e, por vezes, não aceitava estes ensinamentos.

Tudo que eu disser além disto se torna spoiler, então, sugiro que você leia caso queira conhecer um pouco mais desta história.

História, alias, que tornou-se clássico comparado ao grande "O Pequeno Príncipe", pois, além da ambientação infantil melhor compreendida por um adulto, O menino do Dedo Verde também foi escrito por um autor francês e contém diversas metáforas para a vida e para a humanidade.

Eu li o O pequeno príncipe a primeira vez com 17 anos de idade e depois, com cerca de 30, e claro, a compreensão é diferente nas diferentes fases da vida. "O menino do dedo verde" também é assim apontado, mas nunca o li na juventude e, agora, está um pouco tarde para isto.

Mas, ao me deparar com esta história, cheguei a conclusão que talvez fosse melhor absorvida nos meus 20 aninhos (ou menos).

A verdade que a chegada dos 40 muda muita coisa na nossa cabeça, e a vida que levo em 2025 já não me permite tantos sonhos e romantismos. Com o frescor e ignorância da juventude, talvez eu curtisse mais a leitura. 

Resumindo: achei um livro um pouco raso considerando meu momento atual mas consigo perceber sua importância para uma mente mais jovem. Não sei se as crianças que convivo conseguem interpretar com tamanha profundidade.

E você? Já leu "O menino do dedo verde"?