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terça-feira, 13 de agosto de 2024

O que é ENERGIA FEMININA e ENERGIA MASCULINA?

Ultimamente tenho visto muito conteúdo nas redes sociais falando sobre Energia Masculina e Energia Feminina.

Curioso que sou de uma geração que foi criada para abolir estereótipos de gênero. Sempre ouvi meus pais dizendo que eu deveria ter independência financeira, não depender de homem para nada, trabalhar duro, etc. Eles diziam, nas entrelinhas, que eu não deveria me apegar a estereótipos de gênero.

Além disto, cresci com esta referência em casa pois minha mãe sempre foi independente. Estudou, se formou, trabalhou muitos anos na área e hoje é aposentada.

sexta-feira, 4 de março de 2022

Como o Professor deve abordar o 8M - Dia Internacional da Mulher?

Poucas datas são tão memoráveis quanto o Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de Março. Não que nós mulheres sejamos floquinhos de neve especiais que mereçamos ter um dia só nosso, mas de certa forma, merecemos porque algumas problemáticas ainda ocorrem, em pleno 2022.

A maior parte das sociedades subjugou a mulher e a doutrinou de forma opressiva no passado, e a percepção disto é muito recente, tornando a vida da mulher um pouco mais fácil (ou menos difícil).

A partir daí celebramos a data que tem sim seu valor, porém, celebramos de forma errada. E leia até o fim antes de concluir que sou uma feminista mal humorada (as vezes sou - mas não é o caso).

Imagem: Brasil Escola - UOL

Grande parte dos professores no Brasil ensinam sobre a data a seus alunos de forma errada, reforçando estereótipos de gênero. Pintam tudo de "rosa", orientam trabalhinhos com temática "rosa", "florida", cheia de laços e babados, como se estas coisas fossem de exclusividade e uso feminino. Alias, o próprio conceito de "feminino" já é algo questionável (muitas vezes opressor).

Ainda lembro das professoras dando lembrancinhas para seus alunos entregarem as mães: É lixa de unha com florzinha na ponta, é colher de pau com coração na ponta, coisas que não colocam a mulher em posição de destaque e autonomia, essas coisas põe a mulher em posição tradicional de acordo com os padrões patriarcais: é a mulher que "deve" ser vaidosa e cuidar bem da sua casa e sua família, alimentando-os e sendo subserviente. Contraditório, visto que a mensagem do Dia da Mulher deve ser uma mensagem de emancipação, de quebra de padrões, de independência e autonomia feminina.

Então professor, não dê esse tipo de lembrancinha para seus alunos darem à mãe, nem os façam acreditar que ser mulher é absorver tudo que for rosa, florido e com babadinhos. Ser mulher é mais que isso, é acreditar que possamos ir além e somos sim igual aos homens, salvo raríssimas exceções (assunto para outro post).

SIGAM

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Tá na moda ser Não-binário

Quando um ser humano nasce trás em seu corpo diversas características que vai possuir: hormônios, cromossomos, dois braços, duas pernas, visão, audição, etc. Salvo raríssimas exceções, a maioria dos seres humanos são assim. A biologia humana é muito semelhante quando levamos em consideração aspectos de saúde: ou seja, para que um ser humano seja considerado saudável ele tem que ter em si o mínimo possível para uma vida plena sem dificuldades motoras.

Ainda sim, estes seres humanos possuem algumas poucas características que os diferem, como por exemplo, uns tem capacidade de engravidar, outros não. Uns tem capacidade de menstruar, outros não. Uns possuem uma taxa de testosterona maior, outros não (veja que estou falando de forma empírica, apenas de ciência).

Diante dessas características sociedades convencionaram que estes seres humanos deveriam ser classificados em gêneros. Veja bem, diante de características pré-existentes no corpo humano, a SOCIEDADE convencionou que quem tem determinada característica deve ser tratado de um jeito, e quem tem determinada característica deve ser tratado de outro jeito. E que sociedade é essa? Várias. Mas nós, aqui no Brasil, estamos acostumados com a sociedade patriarcal ocidental, com raízes na tradição judaico-cristã.

Vamos levar em conta que tal sociedade é apenas mais uma das muitas que existem ou já existiram no mundo. Embora de grande importância e influência, não se pode ignorar que há outros povos e outras sociedades que encaram o assunto "gênero" de outra maneira. É importante destacar, por exemplo, que comunidades indígenas não usam o critério "corpo" pra considerar um gênero. Outras, nem gênero tem. Tanto que ao vermos os membros de uma determinada sociedade, sendo indígena ou não, podemos até ter dificuldade de enxergar o gênero dessas pessoas (é benino ou benina)... E por que isso ocorre?

Porque na sociedade em que vivemos atualmente, no Brasil, os estereótipos de gênero são reforçados de acordo com as tradições judaicos-critãs ocidentais (lembre-se, o gênero cristão não é um conceito errado, é apenas um dos muitos conceitos de gênero existentes no mundo).

Para a sociedade cristã, se você nasce com um corpo de um jeito, com altas taxas de testosterona e um pênis, talvez, você deve se portar de um jeito: Gostar de futebol, de cerveja, ser grosseiro, falar alto, intimidar. Agora, se você nasce com seios ou uma vagina, talvez, você deve ser delicada, subserviente, multitarefas e defender o que entendemos por "feminilidade" (outro conceito também criado socialmente).

Dessa maneira, a biologia de um corpo humano não faz muita diferença na prática pois, ao analisarmos friamente, o corpo humano tem muito mais similaridades do que diferenças. Acontece que nossa sociedade, cristã-ocidental, gosta de reforçar essas diferenças para atender interesses políticos e religiosos. De que maneira? Quando na bíblia diz-se "E Deus criou o homem e a mulher", os cristãos dizem ao mundo: "Olha, só haverão dois gêneros que levam em conta características genéricas que nem sempre dá certo com todo mundo pois corpos são diferentes, mas ignoramos isso pra atender nossos próprios interesses". Em outras palavras, "vocês que lutem pra se encaixar no padrão que nós criamos em relação a esses corpos porque precisamos manter nossa doutrina de forma específica".

Para que isso fique mais claro, vamos a um exercício: imagine uma mulher sem "vaidades". Ela usa o cabelo curto, usa roupas neutras (que são chamadas erradamente de roupas masculinas), não usa adornos como joias, por exemplo. Essa mulher é tratada como o que? Como lésbica, como desleixada, sendo que desleixo, a meu ver, é mais uma questão de higiene (algo que todo ser humano tem que ter) e lésbica pra mim não é algo negativo.

A mulher que não se submete a essas condições criadas pela sociedade judaico-cristã é marginalizada, é mal vista socialmente, porque ela precisa se submeter a isso pra "se diferenciar" de um homem. Ela precisa usar roupas e sapatos que tirem sua mobilidade plena, ela precisa usar cortes de cabelos e maquiagem que a ocupe, que a preocupe, para que ela não se meta com assuntos "dos homens". E tudo isso eu boto com muitas aspas para que fique evidente o quanto é absurdo o conceito de gênero criado pelos cristãos.

Muitos desses seres humanos que são considerados "mulheres" não engravidam, não menstruam, não tem seios grandes, não tem muitas características do que se considera uma mulher mas mesmo assim a sociedade cristã as obriga a agirem e se portarem de um jeito porque nasceram com uma vagina (ou um pênis invertido, ou desenvolvido de outra maneira). Nesse sentido, é imposto um gênero aquela pessoa somente por uma característica física qualquer. Entenda que essa pessoa, ao longo da vida, será cobrada duramente para que esse gênero fique mais evidente, ainda mais se essa pessoa for o que chamamos de mulher.

A filósofa Simone de Beauvoir discorreu sobre isso em sua obra literária "O segundo Sexo" em 1949. Veja que incrível: uma mulher, na década de 40, escrevendo sobre gênero, quando ninguém falava sobre isso. Essas concepções que Simone discorre mostram como o gênero é algo social e não biológico, ela foi uma revolucionária ao falar disso numa época que a mulher não tinha voz pra nada.

Simone alega que a mulher é sempre colocada como oposta ao homem, como se o homem fosse o correto, o direito, a razão, e a mulher à esquerda, a emotiva, a falta de razão. Mas mais que isso, Simone diz que a sociedade cristã trata a mulher não somente como oposta ao homem, mas também como se o homem estivesse numa posição de neutralidade e a mulher de parcialidade.

Enfim... como chegamos até aqui? Em 2015 caiu uma questão no Enem que falava sobre nossa querida filósofa e também sobre a concepção de gênero que ela trabalhou, ou seja, o gênero tratado como questão social (e não meramente biológico). Nesse sentido, grupos de direita começaram uma verdadeira caça às bruxas a grupos feministas e a própria filósofa com criação de fake news. Por que Thainá? Porque eles não querem que a socidade saiba que a concepção de gênero deles foi criada pra atender interesses religiosos e políticos. Para esses grupos conservadores, é interessante que pensemos que a mulher é multitarefas porque o cérebro dela é assim (e não porque somos cobradas pra ser assim). É interessante pra conservadores que acreditemos que mulheres são emotivas e histéricas porque tá no nosso DNA (e não porque eles querem invalidar nossas opiniões). Enfim...

Existe um perigo maior ainda: a comunidade LGBT, grande parte, acredita nisso. Tanto que a mídia que se quer pintar de progressista está pipocando pautas como transsexualidade, gênero neutro, não-binariedade. As mulheres trans e travestis do Brasil dizem que nasceram com pênis mas "se sentem" mulher. Sendo que mulher não é um sentimento! Ser mulher é uma criação social com imposição de comportamentos. Como estas pessoas gostam ou se identificam com esses comportamentos, elas dizem que se sentem assim. Mas não: não se sentem assim, apenas tem gosto pelo que é considerado feminino. Essa é uma armadilha que infelizmente muitos LGBT tem caído...

Ser homem ou mulher é um conceito social de acordo com a tradição cristã, lembrem-se disso, ao passo que não se adequar a esse padrão é algo totalmente normal e saudável. Aí sim, estamos falando da verdadeira não-binariedade. Essa sim tá na moda, desde que nossos ancestrais povoaram esse mundo.

domingo, 27 de dezembro de 2020

A Ascensão da Bruxaria contemporânea no Brasil e suas causas

Não é de hoje que Páginas e Canais do Youtube sobre Bruxaria tem se popularizado no Brasil, mas por que isso tem acontecido?

Wicca no Brasil

Vivemos numa sociedade com pressa, pressionada por resultados, onde "só" trabalhar (ou "só" estudar) é pouco. Nossos pais e nossos avós só trabalhavam (ou cuidavam da casa) e tudo bem, mas hoje em dia isso é quase que inadmissível.

Daí que moramos longe do nosso trabalho, perdemos muito tempo com um transporte sucateado, e ainda somos obrigados a, além de trabalhar, estudar pra nos especializar cada vez mais (além de nos manter "saudáveis", nos exercitar, estar com os cabelos brilhosos...).

Impossível né? Para quem tem filhos então... Mas algumas religiões e grupos de apoio espiritual procuram apoiar seus seguidores nesse sentido, incentivando um caminho espiritual. Diante disso, o crescimento da Wicca e outras religiões politeístas tem crescido.

Quando me refiro a esse tipo de religião, estou me baseando em cultos de inspiração politeísta europeia e asiática, já que as de matrizes africanas já fazem parte de nossa cultura (como a Umbanda e o Candomblé). "Bruxaria" é um termo genérico que durante a Idade Média foi usado de forma pejorativa pelos cristãos católicos.

O que acho interessante é que essas religiões no Brasil tem se pautado em ideias como:

  • Igualdade de gênero
  • Respeito ao meio ambiente
  • Auto conhecimento e auto cuidado
  • Sexualidade livre e positiva
  • Respeito às diferenças sociais e aceitação do seu corpo e aparência

Como são pautas que me identifico totalmente, não tem como ignorar esse fenômeno que tem feito bem pra tantas pessoas. Embora eu não seja crente, sei da importância da religião na vida de uma pessoa e sei como as religiões ajudaram na construção do conhecimento histórico.

Claro que não concordo com 100% de tudo mas sei da importância desses ideais para uma sociedade menos estressada e vazia.

E vocês? Curtem essa ascensão da Bruxaria no Brasil? Um grande abraço, Thainá.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Indicação de leitura: A Cor Púrpura

Nesse vídeo compartilhei um pouco sobre o livro "A Cor Púrpura", da escritora feminista Alice Walker.

Eu já tinha falado sobre esse livro anteriormente aqui no Blog, mas decidi fazer um vídeo exclusivo pra falar do assunto porque é um livro extremamente importante e de boa leitura.

Confira o vídeo:


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sexta-feira, 20 de março de 2020

E o tal do Movimento Corpo Livre? (bodypositive)

Com a ascensão do feminismo e das pautas identitárias, cresceu nas mídias sociais (principalmente no Instagram) um movimento sobre aceitação corporal, ou aceitação da própria aparência, o chamado Bodypositive.

Em tradução literal significa "Corpo positivo", que em tradução livre significa olhar para o próprio corpo de maneira positiva. Isto porque já estamos cansados de saber como a sociedade, a mídia, as estruturas sociais dominantes reforçam estereótipos de imagem para nos oprimir. 

Esse movimento vem para bater de frente com essa cultura de opressão, especialmente sobre o corpo feminino, que é "polido" desde os primórdios para nos fazer nos sentirmos mal com nossa aparência. É claro que a Gordofobia é um dos assuntos principais desse meio, porém, existem mais opressões estéticas além dela.

Quem mora no Brasil, especialmente as mulheres, sempre ouvem "conselhos" (ou intromissões, para ser mais exata) sobre seu corpo ou sua aparência. Nos países considerados primeiro mundo isso é menor, pois parece ter sido uma questão já superada mas na verdade só parece, infelizmente ainda há "padrões de beleza" reforçados de diversas maneiras, em todos os lugares.

Vejam abaixo alguns exemplos comuns de pressão estética no Brasil: 
  • Reclamações vinda de terceiros sobre seu peso (seja muito magra ou muito gorda)
  • Piadinhas sobre pêlos corporais, uma coisa comum que praticamente todo mundo tem
  • Piadinhas sobre cabelos femininos, especialmente os crespos, estilo afro
  • Piadinhas sobre tom de pele, seja por você ser branquinha (que "devia estar bronzeada"), seja por você ser negra (racismo que fala né?)

Enfim... nós seres humanos passamos por muitos momentos desagradáveis por conta dessa pressão estética, mas cabe enfatizar que existem grupos mais vulneráveis, como as mulheres, os gordos, os negros, etc.

Eu, como mulher sei: já deixei de fazer muita coisa por causa da aparência, e me considero uma mulher bonita (imagina se eu me achasse feia)...

Distorção de imagem

Daí que criam um movimento para que estas pessoas, sempre discriminadas, se sintam melhor consigo mesmas, se sintam bonitas, motivadas, olhem para si mesmas com amor, auto cuidado... e me pergunto: como pode isto ser negativo? Mas sim, algo que parece ser extremamente positivo vem sendo alvo de críticas, especialmente por pessoas que se beneficiam pela imposição desses padrões de beleza.

O mais comum tem sido atacar mulher gordas que demonstram publicamente amor próprio. A desculpa? Apologia à obesidade. A ativista Alexandra Gurgel e a dançarina Thaís Carla são exemplos de militantes Body positive que sofrem essa situação.

Movimento Corpo Livre Alexandra Gurgel Alexandrismos

Quase todas as fotos e vídeos que estas mulheres postam são alvos de críticas maldosas, comentários depreciativos, especialmente nas fotos onde elas exibem o corpo e demostram descontração/ felicidade. O motivo? Alegam que ambas fazem apologia à obesidade.

Mas posso dizer: sigo as duas a muito tempo e posso afirmar com certeza que NUNCA as vi induzirem ninguém ao sedentarismo nem a exageros alimentares. Na verdade, as vejo promover mensagens de amor próprio, auto cuidado (com a pele, cabelos, corpo) e  respeito às pessoas, independentemente da aparência; isso é muito diferente de "promover a obesidade".

Algumas militantes #Bopo (abreviação de body positive) vão além: suas pautas promovem políticas públicas em atenção às pessoas gordas, como reivindicação de locais mais apropriados a todos os corpos, cadeiras mais espaçosas, roletas de ônibus mais acessíveis. Se isso já é uma realidade para pessoas com deficiência, por que não estender esses direitos às pessoas obesas?

Não vejo nada de errado nisso!

Em decorrência disto, outro dia o vlogueiro Izzy Nobre levantou a questão sobre o Movimento Bodypositive, pois ele acredita que as adeptas a esse estilo de vida só querem ser consideradas bonitas. Izzy menciona isso como forma de deslegitimar a pauta e ofender a Alexandra, que parece ser um desafeto antigo, ou um caso mal resolvido (dele em relação a ela).

Vou te falar uma coisa meu caro Izzy: Quem disse que não nos acham bonitas?

Qualquer foto mais sensual que postamos, SEMPRE, eu disse SEMPRE haverão elogios. E já vi diversas mulheres totalmente fora dos padrões ocidentais de beleza que, ao se mostrarem um pouco mais, arrastam uma legião de fãs, ou até tarados, por assim dizer (não que isso seja grande coisa). Mas enfim... nos acham bonitas, nos acham gostosas e querem fazer sexo com a gente. Chocante, não?

Outra coisa curiosa é que o Izzy, esse mesmo que fala mal das gordas, do movimento corpo livre e da Alexandra, já foi gordo! É gente, não estamos livres de opressão nem quando vem dos nosso iguais. A gordofobia é algo tão presente na nossa sociedade que até gordos a praticam, é muito difícil a desconstrução nesses casos pois são pessoas que desde cedo aprenderam a se odiar.

Deixo aqui minha humilde sugestão: ao invés de entrar nos perfis e fotos dessas mulheres que exibem amor próprio, recorram a postagens da industria alimentícia e do agronegócio: esses sim, são os verdadeiros promotores da obesidade. O capitalismo vende comida "ruim" para vender remédio depois. Não ataquem mulheres que se amam pois fazê-las se sentir mal com elas mesmas não ajuda em nada na promoção da saúde.

Enfim... Queria falar um pouco sobre o Movimento Corpo Livre, que eu muito admiro, e desconstruir um mito de que queremos ser consideradas bonitas e desejadas, pois nenhuma mulher, por mais dentro do padrão que seja, se sente bem em relação aos outros quando não tem por si amor próprio.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Será que temos mesmo um "instinto feminino"?

Simone de Beauvoir

Quando a gente estuda Sociologia e História, descobrimos que a maioria das coisas ditas "femininas" (e as masculinas também) são criações ideológicas que pouco ou nada tem a ver com a biologia e com a realidade.

Cresci escutando que nós mulheres temos um "instinto materno", meigo, um instinto angelical, somos passionais e agimos com emoção. Daí você começa estudar de verdade e se informar sobre essa temática e um novo mundo surge a sua frente.

Essas características são impostas a nós como forma de opressão velada, são ideias pra nos fazer acreditar que temos um destino certo e nada mudará. Mas em verdade, essas idéias só servem pra manutenção do patriarcado, do capitalismo e do status quo. A igreja católica e a cultura ocidental reforçam esses estereótipos para que ainda sejamos vistas como meros objetos a disposição dos homens. Existem interesses por trás disto (assunto pra outra postagem) e é perceptível que toda mulher que tentou remar na direção oposta foi taxada de louca, bruxa, vagabunda, transgressora de uma maneira geral.

A filósofa Simone de Beauvoir [foto] em sua obra "O Segundo Sexo" levanta a ideia de que o mundo é visto sobre a óptica masculina, entendendo o homem como ser humano e a mulher como "fêmea". Isso quer dizer que a nós sempre foi reservada a posição de "avessidão". Simone não concorda com isto, ela apenas expõe de maneira filosófica o que já acontece desde os primórdios da humanidade e ninguém nunca questionou.

Como futura professora e estudante das Ciências Sociais, não digo que todos devam concordar com esta linha de pensamento até porque muitos vivem confortáveis com os papéis de gênero que lhes é imposto. Mas conhecer esta teoria tão rica e importante nos estudos de sociais te faz enxergar o mundo com outros olhos, inclusive a si mesmo.

Feliz Dia Internacional da Mulher 🌹

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Por que o Feminismo Liberal é nocivo às próprias Mulheres?

Muitas meninas começam a ter acesso a militância feminista sem saber onde está se metendo...
LibFem
Militou toda

A gente luta pra que todas as pessoas tenham uma vida digna, equilibrada, com seus direitos e deveres assegurados, tudo por um viés de gênero. Assim é o feminismo. Acreditar que a mulher deve ser equiparada (não igualada) ao homem é acreditar que isso é bom pra todos (afinal, o feminismo também é benéfico aos homens - assunto pra outro post).

Ser feminista é entender que existem "minorias" (no sentido social da palavra) que precisam de atenção, é lutar contra as opressões de gênero mas também de cor (racismo), credo (intolerância religiosa) e classe social (exploração do trabalhador).

Ser empática com causas anti-homofobia, anti-transfobia, anti-gordofobia, sobre discriminação de pessoas negras e pessoas com deficiência... enfim.

Ser feminista hoje em dia não é só querer direitos iguais, é ir na raiz do problema, é lutar por tudo mencionado acima. É fazer parte de uma sociedade e lutar por ela, é principalmente passar por cima do seu EGO.

O Feminismo LIBERAL prende-se apenas a pautas identitárias, não mergulha nas raízes dos problemas nem trabalha com a realidade. Por isso muitas meninas são seduzidas pelo LibFem, porque do alto de seus privilégios não conseguem enxergar as mazelas da sociedades, nunca viveram essas dificuldades e acham que com sua vida ganha, não precisam de mais nada.

É por isso que sou CONTRA discursos de empoderamento baseados em conquistas pessoais e/ exibição de corpos femininos (tão valorizados pelo feminismo liberal). Vivemos em sociedade e a devemos lutar por todos, passar por cima de nossa individualidade quando necessário.

Quando critico uma mulher por mostrar a bunda, não é por machismo, inveja ou qualquer merda que vocês acreditem. É por temer que isso torne-se símbolo da luta feminista...

Se você se acha bonita e quer mostrar seu corpo, faça isso pela sua auto estima (caso ache necessário). Não venha empurrar conversinha de empoderamento porque para o patriarcado somos meros pedaços de carne. Tente não reforçar isso 🙁

Sei que corro o risco de perder amizades por conta desse posicionamento mas estou cansada demais pra discutir e de homens nos tratando como merda.

sábado, 5 de janeiro de 2019

E a nova Ministra Damares, hein?

A nova ministra do governo Bolsonaro mal chegou e já está dando o que falar. Num governo majoritariamente masculino, não é surpresa que uma das poucas mulheres seja escolhida como boba da côrte.

Damares Alves Ideologia de Gênero

Primeiramente ela é ridicularizada por dizer ter visto "Jesus" numa goiabeira (virou até meme) e numa sequência bizarra de conservadorismo + burrice, tem tomado conta da cena política brasileira.

Sua declaração mais recente diz que "meninas devem usar rosa e meninos devem usar azul" e a esquerda brasileira é dada como ignorante por "não entender a metáfora". Só que, na verdade, nós entendemos. Entendemos muito bem!

Ela pode falar que meninos vestem azul e meninas vestem rosa mas isso NUNCA vai mudar a sexualidade de ninguém porque a libido e a orientação sexual são coisas do ser humano, é algo que se nasce assim e nada é capaz de mudar isso (nem igreja).

Veja bem, a maioria dos homens gays são criados em ambientes hétero - normativos e os pais muitas vezes forçam os menino a agir com masculinidade, dão brinquedos tidos como masculinos, dão revista pornô, alguns levam até na prostituição, mas se teu filho nasceu gay, ele vai continuar gay.

E existem homens que não praticam a homossexualidade: eles entram na igreja e dizem que são "ex-gays" mas na verdade estão apenas se enganando porque a libido e a atração sexual ninguém controla: nada vai fazer ele sentir tesão por mulher.

Então, por mais que esse governo medieval fundamentalista queira doutrinar a sexualidade das crianças, quem nasceu homossexual não vai mudar. Qualquer pedagogo e psicólogo sério sabe disso. O melhor que se tem a fazer é aceitar e respeitar porque sexualidade não se muda e não atinge o direito de ninguém. Quem se incomoda com a orientação sexual do outro é gente insegura.

Além disso, estava eu vendo um vídeo de explicação dessa tal Damares sobre a fatídica declaração a respeito das cores usadas pelas crianças, afinal, a gente tem que estar sempre preparada para ouvir os dois lados.

Ela não é tão lunática ou louca como está sendo pintada (isso é estratégia pra desviar o foco de assuntos mais importantes) e ao analisar sua fala percebemos que tem um certo conhecimento sobre as teorias de gênero (ela demonstra mais conhecimento do tema do que a turma da "lacrolândia", da Rede Globo, do Pabllo Vittar)

Ela defende que esse tipo de debate seja feito somente nas universidades e não no espaço escolar. Ok, até aí tudo bem. O problema é que o tipo de visão pregada nas igrejas e que ela defende que seja ensinada que é verdadeira IDEOLOGIA DE GÊNERO.

Veja bem, ela quer atribuir à crianças em formação condutas de homem e de mulher. Quer limitar suas brincadeiras, estudos e comportamentos baseando-se apenas no sexo biológico. Esse tipo de coisa limita a criança que, ao não se identificar com esses padrões, fica infeliz e cai o rendimento escolar, podendo gerar até uma depressão.

Outro caso pode ocorrer quando uma criança nasce interssexual e os pais ou os médicos decidem qual será o sexo que eles preferem: também estão praticando uma ideologia pelo gênero.


Enfim... Toda história tem 2 lados e saber ouvir é a melhor maneira de conhece-los. Estudem o assunto e verão que o mundo é muito mais do que você vê nos filmes

domingo, 17 de junho de 2018

Indicações de Leitura Feminista

Nesta postagem quero dividir com vocês alguns livros que li recentemente e indico muito para quem quer entender um pouco do cerne que gera o movimento feminista. Além disto, mesmo que você não simpatize com o tema, são livros ficcionais com uma trama bem trabalhada e merecem uma atenção, mesmo se a intenção é mero divertimento.

Confira no vídeo abaixo indicações de livros feministas e deixe sua opinião, caso já os conheça ou queira conhecê-los melhor ♀️✊


Não esqueça de deixar um "like" caso goste do conteúdo e das indicações mencionadas no vídeo, isto ajuda muito na divulgação do conteúdo do canal ☺️

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