sábado, 7 de janeiro de 2017

Principais argumentos anti feminismo da atualidade

De todas as consequências ruins do Machismo em nossa sociedade, ter mulher contra o feminismo, a meu ver, é uma das piores. Como pode uma mulher ser contra sua liberdade? Ser contra seu direito de ir e vir? Ser contra equiparação salarial e equidade em direitos? Pois é, isso infelizmente acontece.

Sou feminista sim e sempre vou apoiar o movimento, independentemente do que as pessoas façam, pois a atitude de certas mulheres não é o que o define como fenômeno social, não é o conceito principal de feminismo.
Argumentos anti feminismo

No nazismo, por exemplo, se sentir "raça superior" fazia parte da ideologia, está em suas raízes, logo, não posso apoiar uma ideologia genocida. Já nas raízes do Feminismo não há nenhum tipo de discurso de ódio, e, se hoje em dia muita coisa foi deturpada, é por causa de pessoas, indivíduos, não do Feminismo em si.

O machismo em nossa sociedade é tão forte, mas tão forte, que faz mulheres militarem contra feministas. É sério!!! Existem mulheres que se dedicam somente a distorcer a palavra de feministas e se dizerem contra o feminismo. Algumas por ingenuidade, falta de informação, outras por má fé. De qualquer maneira, o que usam esses grupos reacionários como argumentos?

  • Não sou Machista nem Feminista, sou Humanista/ Igualitarista: Machismo são atitudes e estruturas sociais que nos fazem se sentir pior por ser mulher. Iniciativas que fazem mulheres serem discriminadas pelo simples fato de ser do gênero feminino, por exercerem sua liberdade sexual, por exercerem seu direito de escolha, etc. Toda vez que você indica uma atitude negativa numa mulher e releva quando é um homem, você está sendo machista. Feminismo é um movimento social que surgiu no passado com finalidade de diminuir essas diferenças civis mas também sociais. Feminismo não é o contrário de machismo e em sua raiz tem o igualitarismo como principal pauta, logo, se dizer humanista e/ ou igualitarista é redundante;
  • Feministas são radicais: Primeiramente, a palavra radical não é sinônima à "injusta". Radical é cortar o mal pela raiz, e nem sempre isto comina numa atitude errada. Mas o que pessoas que nos chamam de radicais querem dizer com isto? A acusação de que feministas são "radicais" esconde o real medo por igualdade, um medo que muitos privilegiados possuem. Nós queremos que todas as mulheres possam se sentir livres (até pra serem casadas e donas de casa, caso desejem), recebam salários justos em igualdade com os homens exercendo a mesma função, dividam as tarefas domésticas com seus companheiros e tenham direitos civis e previdenciários resguardados, assim como dos homens. Isso é ser radical? A suposta misandria que muitos nos acusam nem tem força pra existir pois não há uma sociedade matriarcal que nos dê esse privilégio (nem queremos). O fim do patriarcado e a igualdade entre classes que é nossa principal missão enquanto feministas marxistas e não queremos instaurar uma sociedade "femista";
  • O feminismo foi criado por um homem: Já vi inúmeras bloggers e youtubers caindo nesta falácia. Dizem que a pessoa responsável pelo voto feminino foi um homem, dizem que um advogado que ajudou em relação a diversos direitos civis conquistados pelos movimentos feministas do passado, e eu me pergunto: E daí? Não há provas de que isto seja verdade, e ainda que seja, um homem não pode defender um direito feminista? Muitos não percebem que o machismo também afeta os homens. Quando um cara é cobrado de ser a principal fonte de renda de sua família, quando é impedido de fazer o que gosta por "ser coisa de viadinho", quando não pode demonstrar fraqueza "porque homem não chora", ele também está sendo vítima desse sistema patriarcal prejudicial até as pessoas do gênero masculino, logo, homens são bem vindos na luta feminista (desde que não tirem o protagonismo das mulheres). A principal pessoa neste mundo que me motivou a estudar e procurar independência financeira foi meu pai, logo, ele me criou num aspecto feminista e nem sabe...
  • "Isso" não foi uma conquista feminista, nessa época nem existia feminismo: Alguns importantes passos para a emancipação da mulher na nossa sociedade ocorreram antes do movimento feminista se fixar como tal, o que não impede de serem consideradas conquistas feministas. Se o Cristianismo, por exemplo, pegou pra si a pauta do perdão (?), da pobreza, do "não faça com os outros o que não gostaria de fizessem com você", é porque de alguma maneira acreditou que isto faz parte de sua natureza (o que não o torna "autor"). Em outras palavras, feministas ficam felizes com conquistas do passado, ainda que tenham ocorrido antes de sua consolidação como movimento social, porque feminismo é apenas um rótulo, um nome. Ser livre, respeitada e ter seu espaço na sociedade vai muito além de nomenclaturas. Nós admiramos mulheres (e homens também) que de alguma forma contribuíram para o fim da desigualdade entre gêneros e, mesmo que tenha ocorrido antes da década de 1960, perpetuaremos seus ideais dentro do Feminismo;
  • Simone de Beauvoir era pedófila - Alice Walker era contra a Família - fulana de tal disse que devemos matar filhos homens: Aqui é o típico argumento onde cita um caso específico pra definir toda uma situação. Falácia das piores pois não está no seio feminista certas atitues que as pessoas possam cometer... Primeiramente, estas menções são duvidosas, na história a gente nunca tem 100% de certeza do que ocorreu, mas vamos falar caso a caso. Simone de Beauvoir, filósofa francesa, é acusada pela direita de ser aliada ao partido nazista + ser pedófila... Como???? Não há comprovação de nenhum desses fatos, estudiosos da vida de Beauvoir afirmam isso de acordo com seus estudos (como Djamila Ribeiro, por exemplo). Até a Wikipédia Brasil impediu a ação de editores mal intencionados após a aparição de Beauvoir no Enem em 2015. De fato há indícios que apontam Alice Walker, escritora feminista do renomado romance "A Cor Púrpura", como uma mãe não tradicional. Sua filha atribui sua suposta ausência materna como causada pelo feminismo. Mas temos diversas feministas famosas (e anônimas também) que são mães bem tradicionais e mães ausentes que nem são feministas, logo, o que acontece no caso concreto não é culpa de um movimento social. Não há nenhuma cartilha feminista indicando que você não deva ser boa mãe, logo, se Alice Walker foi boa mãe ou não, é algo pessoal. Enfim, ainda que estes fatos possam ter ocorrido, em nada tem a ver com o feminismo. É a mesma coisa que eu falar mal de cristãos porque no vaticano há diversos pedófilos. Se alguém age mal em nome de sua religião ou posição política, deve-se analisar de que maneira houve essa influência, se está nas raízes do movimento ou se é algo proveniente de índole pessoal. Em nenhum momento feministas defendem que deva-se matar filhos homens, isso é mais um dos absurdos que a sociedade machista inventa pra deturpar o que defendemos.

argumentos anti feminismo

Enfim, espero que depois deste texto todos saibam o que é o feminismo de verdade e enxerguem a maldade por trás desses grupos conservadores que fazem de tudo pra nos tratar como seres inferiores. Chega de violência contra a mulher!!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Por que o vídeo de Clarice Falcão é associado à Esquerda?

As vezes fico um pouco decepcionada de associarem certas pautas a nós da Esquerda e ultimamente o que tem sido visto é justamente o vídeo clipe da cantora Clarice Falcão, onde há nudez explícita. O mesmo aconteceu com aquela peça "Macaquinhos", onde havia sexo explícito.

Por que o vídeo de Clarice Falcão é associado à Esquerda?
Ser de Esquerda é defender um modelo econômico estatal, é defender liberdades individuais (desde que não afetem a vida de outras pessoas), é saber que numa sociedade há diferença entre as pessoas então todos devem colaborar para que elas sejam minimizadas... Ser de Esquerda não é querer ver pênis e vaginas coloridxs.

Sei que a liberdade sexual e a liberdade individual tornaram-se pautas da esquerda pelo simples fato do conservadorismo aliado ao capitalismo excluí-los. Respeitamos as causas onde isto é mais evidente, queremos a promoção da tolerância e da diversidade, mas parem de dizer que clipes como o da Clarice e atitudes onde há promiscuidade sexual é coisa de esquerdista pois 99% das pessoas na esquerda criticaram esse clipe e os outros 1% não se importaram. Não vi ninguém abraçar a causa e compartilhar tal vídeo querendo revolucionar. Não vi um militante na esquerda elogiar esse clipe.

Clarice Falcão é uma mulher que vive bem financeiramente, está dentro dos padrões impostos pelo conservadorismo/ machismo, é estudada e famosa. Talvez não precise tanto de apoio da esquerda para suas demandas mas ainda sim é bem vinda como militante. Eu, como feminista, sempre irei apoiar mulheres que falam por nós mesmas. No entanto, ela está promovendo sua carreira, isso nada tem a ver com política, com ativismo e se analisarmos no cenário atual, até afasta os trabalhadores da luta da esquerda. Esse é um ponto importante que a "nova esquerda" precisa se dar conta.

A maior parte da população pobre e trabalhadora teve criação conservadora, cristã e provavelmente se chocaria com um clipe deste (eu mesma achei super desnecessário). Se operários que sofrem as mazelas do capitalismo não se sentem confortáveis nessa luta podem procurar outras referências, enfraquecendo assim a luta de classes, consequentemente adotando um estilo de vida desrespeitoso e intolerante com a comunidade LGBT, por exemplo. O fim do capitalismo é a única maneira de se obter uma sociedade igualitária, onde homens e mulheres possam exercer suas liberdades individuais sem serem mal falados e consequentemente a nudez deixe de ser um tabu.

Muitas vezes é preciso entendermos o contexto social onde o conservadorismo ocorre, por que ocorre e lembrar que nem todo mundo que pratica um ato retrógrado é fascista. A essas pessoas pode ocorrer a falta de instrução, educação e não é expondo genitálias que farão se desconstruir. Precisamos nos organizar didaticamente pra atrair a militância mais necessária, que é a do pobre trabalhador. O fim dos tabus sexuais e do desrespeito para com a diversidade será apenas a consequência 😉

domingo, 18 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 4

Continuando os textos sobre "Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil", quero compartilhar com vocês uma visão totalmente diferente do que já vimos por aqui, eu diria até com um caráter reacionário, mas que também é abordada na faculdade de História, sobre africanidade, negritude, período escravocrata, etc.

Confira aqui as postagens anteriores:
Tive em mãos durante minhas aulas de Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil um texto do autor Mia Couto, escritor moçambicano, cujo objetivo é demonstrar que os problemas enfrentados na África subsaariana não são de exclusividade da colonização européia.

Sabemos que europeus e estadunidenses tentam dominar meio mundo, invadem países impondo sua cultura, seus modos de viver e roubando suas riquezas mas não podemos culpá-los 100% como responsáveis pelos problemas no planeta, até porque isto não ocorreria sem a conivência de nativos destes locais "colonizados".

Mia Couto cita em seu texto "Os sete sapatos sujos" sete atitudes que contribuem para que o estado de pobreza extrema se perpetue tanto tempo em certos locais na África. A questão não trata-se de responsabilizar o negro africano por seus problemas no geral mas entender como uma auto crítica. As mesmas coisas citadas por Mia podem facilmente ser aplicadas no Brasil, se pararmos pra analisar:

O que é entendido como problema para o desenvolvimento africano:

  • A ideia de que o culpado são sempre os outros e nós somos as vítimas: Mia Couto acredita que o domínio europeu na África causou seus enormes prejuízos mas também criou uma mentalidade de não responsabilidade por parte de alguns nativos africanos;
  • A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho: Muitos nativos africanos se acomodam em suas situações sociais por acreditar que quem avançou em escalas sócio-econômicas teve "sorte", é espiritalmente abençoado, coisas do tipo;
  • A ideia de que as críticas são sempre negativas: Acreditar que o quem orienta de forma correta e dura está fazendo-o apenas por inimizade;
  • A ideia de que mudar as palavras muda a realidade: Mia Couto entende que se importar com certas expressões usadas no dia a dia impede o progresso pois o que importa de fato seriam as "atitudes" das pessoas;
  • A vergonha de ser pobre e o culto das aparências: O nativo africano muitas vezes se sabota ao tentar ser o que não é, adotando um estilo de vida não condizente com suas condições financeiras. É um incentivo a um mundo de aparências. Aqui no Brasil chamamos de "ostentação";
  • A passividade perante as injustiças: Mia acredita que muitos nativos africanos são inertes em casos de violência, principalmente a contra às mulheres e crianças. Ainda existem comunidades africanas que mantém rituais violentos como a Excisão (mutilação genital feminina) e o "achatamento dos seios femininos" nas garotas mais jovens;
  • A ideia de que para sermos modernos devemos imitar os outros: Mia é específico em seu texto ao definir "os outros" como os colonizadores da maior parte da África;


Quis deixar este texto bem resumido de acordo com o que foi dado em sala de aula, não digo que concordo com tudo que é mencionado mas alguns pontos achei importante. Nos próximos textos posso adentrar em cada tópico mencionado dando meu ponto de vista e de outros autores mas na postagem de hoje ficaremos somente com o lecionado na faculdade.

Um abraço, Thainá Santos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Por que há mulheres contra o Feminismo?

A tempos atrás conversando com uma amiga ela vira e diz que "odeia feministas". Pouco tempo depois conheci uma página no Facebook cujo título é: "Moça, não sou obrigada a ser feminista". Eu me perguntava: _Onde estas mulheres estão com a cabeça? Como elas podem ser contra nós mesmas? Porque Feminismo pra mim sempre foi um movimento político-social em busca de igualdade entre gêneros. Daí que comecei a perceber que pra muitos não é.

De 2013 pra cá fala-se MUITO sobre Feminismo nas redes sociais mas eu sempre ouvi falar, desde criança. Quando mais jovem assistia muito a novela "O Cravo e a Rosa" onde a Catarina, personagem principal, era feminista. Também assistia a série "Married with Children" (Um amor de família) em que a vizinha amiga da família protagonista também é feminista. Sempre conheci os estereótipos negativos (mulheres que odeiam os homens, não se depilam, não gostam de sexo) mas consciente de que eram apenas besteiras, que o real feminismo não é isto.

Daí quando comecei a ver páginas anti feminismo, mulheres postando contra o feminismo, eu pensava: Como assim gente? Feminismo não é isto!! A primeira reação é de ataque, a gente quer colocar na cabeça das pessoas a verdade, quer fazê-las enxergar que estão erradas e o risco de cometer um erro é grande. Nos tornamos pessoas agressivas e em nenhum momento paramos pra pensar porque muitos pensam diferente da gente.

A verdade que a militância feminista mudou. Antes, um movimento burguês meramente limitado a questões de gênero e direitos civis. Hoje em dia o Feminismo está diretamente ligado a esquerda, ao comunismo, aos movimentos sociais, a luta LGBT, ao movimento negro, etc. Claro que isto é ótimo mas também há pessoas exaltadas que não sabem ser didáticas, impacientes e que acham que todos vivem no ambiente de militância. Estas pessoas são a resposta do porquê muitos pensarem diferente da gente, do porquê muitas mulheres não gostarem do feminismo (fora o poder do patriarcado que faz certas moças acreditarem não precisar de direitos). 

A verdade que, em relação ao número de brasileiros, os militantes ativos da esquerda ainda são muito poucos. Nem todos tem acesso a universidades, ambientes acadêmicos e virtuais, páginas de feminismo e esquerda, bibliotecas, livros, etc. Nós devemos ser pacientes pra ensinar essas pessoas mas acima de tudo entender quem prefere se dizer "não-feminista".

Mulheres que odeiam o feminismo

Claro que fico triste das pessoas terem uma impressão ruim do feminismo, chegarem a informações distorcidas, mas ultimamente a pratica do feminismo na vida tem sido mais relevante que as palavras, pelo menos pra mim. A participante vencedora do Masterchef disse que não se sente ícone feminista e não se considera feminista, mas surpreendeu a todos vencendo numa competição onde o machismo impera, trabalha num ambiente onde mulheres são minoria (entre chefs de cozinha), mostrou seu talento e calou a boca de muita gente. Então Dayse, você não precisa se dizer feminista, não precisa se dizer nada, você praticou o feminismo sem saber, sem querer e pra mim isto que importa. Parabéns pela sua vitória 💛💓