domingo, 18 de junho de 2017

Profissão: Agente de Apoio à Educação Especial

Tem tempo que não passo por aqui, se você acompanha este Blog já deve ter notado.

Deixa eu contar pra vocês... Como alguns aqui sabem, sou formada em Direito mas não trabalho na área. Eu tive uma graduação mediana e não consegui me encontrar na profissão pois na época eu não tinha a cabeça que tenho hoje, logo, não entendia muito bem o papel social do advogado (hoje eu entendo, mas é assunto pra outra postagem).

Ano passado decidi começar uma nova graduação: História ⏳. Contei nesta postagem aqui. Sei que muitos tem preconceito com licenciaturas mas não estou nem aí: sou apaixonada por História e amando o curso.

No tempo em que estive desempregada entre o fim da primeira faculdade (2012) e o início da segunda (2016) comecei a vender doces e muitos que acompanham o Blog chegaram aqui por esse motivo, pelos vídeos de receitas pra vendas e também os motivacionais.

Eu adorava vender doces mas também é um serviço puxado pois não há uma renda fixa, há dias maravilhosos, mas há muitos dias difíceis.

Durante o tempo desempregada ou pulando de um emprego a outro eu fiz um concurso pra prefeitura do Rio, pra trabalhar na área de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação. O concurso rolou em 2014 e a prefeitura da época ficou se amarrando pra chamar os aprovados.

A Defensoria Pública entrou com ação obrigando o prefeito Eduardo Paes a chamar, pelo menos, os 150 primeiros colocados e como eu não estava entre eles pensei: "Ah, se convocaram por pressão judicial, não vão chamar mais ninguém". Ainda bem que me enganei...

Dia 10 de fevereiro, aproximadamente 21h, minha mãe me liga empolgada e emocionada: Meu nome tinha saído no Diário Oficial 😃😃😃 Como eu já não esperava mais nada deste concurso, eu não acompanhava mais as notícias, mas minha mãe não, ela sempre acompanhava por também ser funcionária da SME.

Fiquei MUITO feliz, finalmente iria ter um emprego fixo e seguro, mas estava com medo pois estava trabalhando num consultório de uma dentista muito querida, que, apesar do salário baixo, era uma função muito tranquila e confortável. Além disto, eu iria trabalhar com crianças deficientes e isso me dava um medo... Quem aqui acompanha sabe: fui Au pair no passado e achava o trabalho com crianças bem puxado. Mas eu fui, com a cara e a coragem...

Ontem fez 3 meses que comecei a trabalhar como Agente de Apoio à Educação Especial e quer saber? Estou MUITO FELIZ!!! Sempre ouvia as pessoas falando que quem trabalha com Educação Especial se apaixona e eu achava que era demagogia, mas hoje entendo porquê: é realmente apaixonante.

Educação Inclusiva


Cada dia que passa sinto mais orgulho da minha profissão e mais amor pelas minhas crianças (olha ela, já está até chamando de "minhas" hahaha). Elas são carinhosas, risonhas, cada uma tem uma história pra contar e eu amo todas sem distinção.

Claro que como todo trabalho, tem seus dias difíceis mas quando eu trabalhava em escritório, por exemplo, só tinha história triste pra contar; hoje chego em casa rindo sozinha, só com boas coisas pra contar 💝

Isto tem me ajudado também na faculdade, já que hoje estou vivenciando o que é a área da educação. Fazer História tem se mostrado o caminho mais acertado que tomei. A única coisa ruim é que estou sem tempo pra me dedicar aos vídeos do canal e a venda de doces (até porque pobre "nóis" continua). Mas agora que minhas provas da faculdade acabaram vou tentar arrumar um caminho pra voltar a fazer meus doces que amo e os vídeos também.

Enfim... é isso. Beijos, Thainá!!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Viagem à Penedo, em Itatiaia - Rio de Janeiro

No dia 11 de junho eu, realizei visita guiada ao bairro Penedo, em Itatiaia, no Rio de Janeiro. Este bairro tornou-se a principal colônia finlandesa no Brasil desde o início do séc. XX, e pode ser percebido na arquitetura de seus imóveis, bem como na presente cultura local, a forte influência européia.

De acordo com a historiografia, um grupo de finlandeses veio à região para tentar criar uma nova ordem, um novo estilo de vida, diferente do que estavam acostumados em suas terras natais. Desejam levar uma vida mais natural, longe do frio do norte europeu, onde praticariam cultura de subsistência (como hortas, por exemplo) num estilo mais vegetariano e naturalista. Criou-se um plano para a vinda de mais finlandeses à Penedo durante essa época com o fim de desenvolver a colônia; no entanto, a guerra e decepção com o trabalho na lavoura fizeram muitos desistirem.

Após tentativas (e falhas) de desenvolvimento de certas monoculturas, os colonos finlandeses conseguiram se unir em regime de cooperativa, o que originou uma das bases do atual Clube Finlândia, na Avenida dos Mangueirais. Atualmente vivem poucos finlandeses na região e Penedo tornou-se pólo turístico, especialmente para casais apaixonados.

O que fazer em Penedo. Itatiaia

A Gastronomia é ponto alto em Penedo, onde podemos nos satisfazer com as tradicionais trutas e chocolates caseiros. Na Fábrica de Chocolate, a segunda mais antiga de Penedo, é possível ver o processo de criação dos doces em sua etapa final. Outro ponto no coração de Penedo a ser visitado é a Casa do Fritz, tradicional restaurante com culinária típica alemã e suiça. É possível saborear chopes claros e escuros, bem como uma boa variedade de cervejas artesanais.

Enfim, Penedo é um ótimo destino romântico mas também mantém suas raízes naturalistas desde a vinda dos finlandeses, pois possui parques e cachoeiras com ótimo estado de preservação. No início do séc XX ainda perduravam as idéias de “braqueamento” da população brasileira iniciadas com a vinda da coroa portuguesa no séc. XIX, logo, os imigrantes finlandeses não encontraram grandes dificuldades pra se estabelecer nessas terras, mas hoje em dia são poucos os que ainda residem em Penedo.

OBS.: Este texto é de minha autoria, criado para apresentação de relatório de atividades acadêmicas complementares. Não copie e caso use-o para auxiliar em seus estudos, por favor, dê os créditos

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Dica para obter horas de atividades complementar e valorizar o currículo: Trabalho Voluntário

Sei que em época de crise estamos todos desesperados precisando de dinheiro e não sou a favor de escravidão, mas uma coisa que enriquece demais o currículo do estudante é o Trabalho Voluntário.

O Trabalho Voluntário não precisa ser nada de super elaborado nos mais remotos locais africanos e com certeza há diversos lugares na sua cidade precisando de seu conhecimento neste momento. Vivemos num período difícil no Brasil e qualquer coisa que valorize o trabalho dos outros já ajuda e muito. O Trabalho Voluntário cai como uma luva nesse sentido pois quando você ajuda um pequeno empreendedor local você está ajudando seu bairro.

Como fazer Trabalho Voluntário
Centro Educacional Pereira Araújo,
meu primeiro trabalho voluntuário
Além disto é comum as faculdades aceitarem como atividade acadêmica complementar a realização de trabalhos voluntários. Eu, por exemplo, realizei um tipo de trabalho numa creche próxima à minha casa pois na época que fui Au pair eu precisava comprovar algum tipo de experiência com crianças. Depois realizei novamente pra ganhar as horas de atividades acadêmicas complementares: super valeu a pena.

O Trabalho Voluntário valoriza o profissional que mostra não pensar somente em dinheiro, mas também em conhecimento. Em certas profissões a experiência conta até mais que o conhecimento teórico. Quem faz Direito, por exemplo, sabe que botar a mão na massa te faz aprender mais a elaborar peças que o ensinado nas aulas, isso é um fato.

Pense na sua graduação e nos campos em que pode atuar: pense fora da caixa pra buscar onde atuar. Na área de História, por exemplo, seria comum empregar o nosso conhecimento em museus, mas não existe só esta possibilidade: você pode, uma vez por mês, fazer alguma atividade relativa à História num asilo de idosos, por exemplo. Ou num orfanato. Ou em uma associação de moradores. Enfim...

As possibilidades são muitas na área de humanas e acredito que até nas áreas de exatas também haja oportunidades. Só tome cuidado pra não gastar sua energia e conhecimento com empresários exploradores e estar tomando a vaga de alguém que precise de emprego. Posteriormente farei uma postagem com ideias específicas para os estudantes de História e Direito, então, continuem acompanhando aqui no Blog as novas postagens. Um abraço, Thainá Santos.


sábado, 6 de maio de 2017

Teoria da História

O objetivo desta postagem é trazer conteúdo sobre a disciplina "Teoria da História", cursado na faculdade de História da Universidade Estácio de Sá. De forma resumida, vamos a primeira parte.

Nem sempre o ofício de Historiador existiu, haviam profissionais de outros campos escrevendo história sem necessariamente ter a intenção de perpetuar seus conteúdos. O conhecimento histórico é fruto de uma produção, é construído por alguém (sempre a posteriori), não devendo ser confundido com o "passado" propriamente dito. Em outras palavras, devemos ter consciência que o que aprendemos ao estudar História foi moldado e criado por alguém, não quer dizer que, de fato, tenha ocorrido.

Nós também devemos compreender o conceito de "sensação de verdade" trazido pelas metodologias históricas eis que seria impossível demonstrar o passado exatamente como foi. A história deve ser entendida como produto de uma operação intelectual caracterizada pela subjetividade autoral.

Em Teoria da História é importante destacarmos também o conceito de Metodologia e Teoria. A Metodologia (modo de fazer) é vital para a concretização de qualquer pesquisa bem sucedida. Quando, ao ler um texto historiográfico, sentimos facilidade na interpretação, é porque o historiador que escreveu foi coerente e soube relacionar o conteúdo abordado à uma metodologia adequada. Assim, metodologia é muito importante na condução do trabalho historiográfico.

Resumo de Teoria da HistóriaUma Teoria corresponde a uma determinada maneira de ver as coisas (visão de mundo): a palavra vem do grego que significa "teatro". Os "paradigmas" (modelos) correspondem a estas maneiras de conceber a História, ou seja, a História pode ser contada sobre diversas ópticas, cabe a nós conhecê-las.

O Materialismo Histórico, por exemplo, é um paradigma surgido a partir do século XIX e que até hoje permanece como alternativa teórica importante para o trabalho do historiador. Também temos o Positivismo (paradigma voltado exclusivamente à ciência) e o Historicismo (paradigma voltado a escrever a história por perspectivas "heroicas").

De tempos em tempos podem surgir novos paradigmas contestando os anteriores tornando assim a História um campo de confronto entre paradigmas dominantes. Mas também podem surgir para trabalharem juntos, um complementando o outro. A História não é uma ciência exata e fixa no tempo, podendo mudar e ser reescrita ao longo dos anos.

Para Thomas Kuhn, deve haver uma ideia de matriz disciplinar que equivaleria a um mega paradigma aceito por quase todos os praticantes de um campo do saber, até que surgissem novas modificações na matriz disciplinar. Em seu livro "Razão Histórica" (1983) Jörn Rüsen adaptou o conceito de matriz disciplinar para se referir a um sistema mais amplo que envolve a prática profissional de todos os historiadores. Ela pode ser entendida como a fixadora de alguns pressupostos que dificilmente seriam objetos de transgressão ou discordância.

O "Estruturalismo Histórico" têm enfase nas estruturas sociais, achando-se capaz de elaborar uma análise científica, suprimindo o indivíduo. Para Durkheim, quem deve se preocupar com o indivíduo é a psicologia. O Marxismo, por exemplo, trata o indivíduo como parte das estruturas produtivas, a Antropologia, como parte das estruturas culturais, etc.

A Metodologia na prática historiográfica relaciona-se visceralmente com as fontes históricas. Faz parte dela o planejamento de pesquisa. Também usamos os conceitos de "Escolas Históricas" para definir os historiadores. Uma Escola deve ser entendida como uma corrente de pensamento: o conceito de identidade comum é necessário para a sua determinação. Ela pode conter dentro de si uma certa diversidade de posicionamentos teóricos e tendências metodológicas, mas ainda sim é necessária a identidade comum.

A Escola dos Annales, por exemplo, foi um movimento intelectual francês em 1929 que reuniu historiadores em prol da criação de uma revista que perdura até os dias de hoje. Tinha inspiração estruturalista e desenvolveu o modelo de "História Social". Criticavam o historicismo e se definiam como "Nova História". No entanto, na década de 1970 houve uma grande crise nos modelos estruturalistas e as guerras do início do século XX fizeram com que os homens desacreditassem na ciência como algo 100% positivo (sim, estes fatos relacionam-se diretamente).

Desde que a História começou a postular status de ciência não cessou de se tornar cada vez mais complexa, a variedade de paradigmas demonstra isto facilmente. Na passagem do século XVIII ao século XIX incrementou-se a chamada "crítica documental", que é a orientação aos historiadores de como abordar suas fontes históricas, bem como usá-las. No século XIX a predominância das fontes textuais foi deixando espaço para novas maneiras de investigação e pesquisa. Registros informais, resíduos, etc também passaram a ser considerados fontes históricas.

Além dos estudos das fontes históricas, passou haver uma relação com outros campos do saber, como a literatura, economia, etc. A este conceito chamamos de interdisciplinaridade e é de grande importância no estudo da História.

História Econômica e Social


Estudar a Economia está diretamente ligado ao estudo da História Social: desigualdades podem surgir, hierarquias sociais podem surgir, etc. No Antigo Regime (sociedade pré-capitalista) a economia não era diretamente ligada ao valor possuído e sim ao prestígio nobre da atividade, mas hoje em dia não é mais assim.

Segundo Karl Marx a economia não é um aspecto autônomo - ela influencia na vida e recebe influencias também. Estudar economia refere-se a produção, distribuição, circulação e consumo.

A História Serial (estruturalismo) foi desenvolvida pelos Annales e possibilitou o desenvolvimento de uma História Econômica. Prioriza séries quantitativas de documentação e é considerada uma metodologia. Deve-se haver cuidado para não cair no erro da fetichização quantitativa (quando apenas narram fatos sem pensamento crítico).

A Economia está sempre sujeita a fatores externos como guerras, epidemias, e disto chamamos de teorias exógenas - isto explica flutuações econômicas. Quando a flutuação ocorre por razões encontradas na própria economia, chamamos de teorias endógenas.

História Política/ Formas de Poder


A História Política desenvolveu-se em relação às diversas formas de poder. Ambos NÃO constituem um conceito estático, sempre variando ao longo do tempo. O poder, por exemplo, muda com o tempo, nem sempre está associado à acumulo de capital como comumente achamos.

A crise dos paradigmas estruturalistas não foi uma crise "destrutiva" no geral, pelo contrário, ela abriu um leque de novas possibilidades de uso de outros paradigmas.

Podemos identificar um dos pioneiros da história política na Grécia Antiga: Tucidides, que escreveu a Guerra do Peloponeso através do método autópsia (sem fontes, apenas por sua própria experiência).

Já nos quadros do Historicismo, a História Política serviu para a formação de um caráter nacionalista. Temos Leopold Ranke como principal representante nesse sentido. Já Michel Foucault contribuiu com análises sobre o poder em dimensões menores.

Cultura e Sociedade


A História Cultural se tornou mais evidente nas últimas décadas do séc. XX. Cultura apresenta um conceito polissêmico. Assim como Tucidides foi importante no campo da História Política na Grécia, Heródoto foi importante no campo da História Cultural. Ele era Grego porém vivia exilado e escreveu sobre a Grécia no aspecto cultural.

A História Cultural também é conhecida como "História das Mentalidades" e se encontra dentro do Estruturalismo. Ela possui a ideia de que há uma estrutura cultural em determinado contexto histórico.

A Nova História Cultural visava superar a história das mentalidades. Voltou sua abordagem pra História Política, inspirando-se em Foucault (novo conceito de poder).

Na postagem anterior compartilhei um texto a cerca da disciplina Teoria da História, do curso de História da Universidade Estático de Sá. Agora, vamos a segunda parte.

Micro História


A Micro História é muito usada atualmente nos estudos historiográficos. Surgiu com a crise no estruturalismo na década de 1970. Esses modelos são chamados pejorativamente de Pós-Modernos mas não são todos iguais, cada um tem uma abordagem.

A modernidade é marcada pelo desencantamento religioso atrelado a um otimismo na ciência. Assim surgiu o modelo estruturalista de se contar história. No entanto, a descrença na ciência oriunda das guerras enfraqueceram os modelos estruturalistas e podem ser observadas com o filme "2001, uma Odisseia no espaço" de Stanley Kubrick, por exemplo.

O conceito de História Oral também é importante neste cenário de estudos. É um tipo bem específico onde o historiador provoca sua fonte diretamente em emergência, através de entrevistas. Na História Serial trabalhamos com documentação em série que deve ser constituída por um conjunto homogêneo. Trabalhar com um conjunto amplo de documentos do mesmo tipo, procurando enxergar sistematicamente neste as permanências, variações e evoluções que surgem na série, em concomitância com a indicação da passagem do tempo, é o que podemos definir como princípio desta abordagem que é a História Serial.

Não importa a abordagem na pesquisa histórica, em todas elas é importante demais definir o recorte (delimitação do tema). Precisa ter bem definido o tempo, problema e espaço. Daí também vemos o surgimento da História Comparada, que é uma modalidade bem específica que se constrói em torno da comparação entre dois recortes.

A História Local comumente é confundida com o conceito de Micro História, no entanto se distingui por restringir-se apenas a uma localidade dependendo fundamentalmente do conceito de espaço, enquanto que a segunda é o estudo ATRAVÉS do espaço. Em outras palavras, na micro história não importa tanto o espaço e sim a maneira de observa-lo. Quando a micro história estuda uma comunidade, por exemplo, seu intuito não é conhecer tal comunidade e sim entende-la para chegar a um fim mais amplo.

Fontes Históricas


“Fonte Histórica” é tudo aquilo que, produzido pelo homem ou trazendo vestígios de sua interferência, pode nos proporcionar um acesso à compreensão do passado humano. No séc XX e XXI as fontes tem se multiplicado cada dia mais, mas ainda são as textuais que guardam espaço em maior escala no trabalho histórico.

A definição de um "problema" bem específico e recortado é importante na pesquisa histórica para condicionar a escolha das fontes utilizadas. A concepção de tempo e espaço não é natural, foram construídas socialmente, e o tempo também é muito importante para o historiador. O espaço físico de acordo com a ideia de "Estado-Nação" é um conceito recente. Deve-se haver o cuidado no uso de certas fontes para não cair em estereótipos. 

História Oral, Memória e Biografia


A Historiografia é um lugar de memórias coletivas e não individuais. Para o historiador não é de modo nenhum uma tarefa fácil lidar com as memórias individuais. Ele deve estar sempre consciente de que a memória não é constituída de registros do que aconteceu, mas sim de releituras desses registros que são elaboradas e reelaboradas pelo indivíduo que lembra e que fala de suas lembranças.

Nos últimos tempos o texto biográfico ganhou forças e deve-se ter cuidado ao usar deste recurso como fonte. É indicado que sempre levemos em consideração a biografia de quem testemunha algo, para evitar parcialidades e não reproduzirmos informação errada.

A História Oral tem papel relevante no cenário de conservação e valorização de certos fatos históricos. Quando reunimos material e cuidamos para que ele seja preservado, é uma maneira que dizer ao mundo que o ocorrido foi importante e não deve jamais ser esquecido (ex: o holocausto).

As fontes históricas podem ser textuais ou não textuais. As textuais são todos os tipos de documentação escrita: reportagens, processos judiciais, testamentos, etc. Já as fontes históricas não textuais são as iconográficas (imagens) e também as sonoras. A partir de uma imagem podemos pensar num período histórico e as fontes sonoras também escrevem história. Um exemplo belíssimo disto eram os festivais de música na época da Ditadura Militar no Brasil, com alto teor de crítica política nas apresentações.

Cinema e História


A História não é exatamente a realidade, é uma pretensão de realidade. Todos os modelos pós estruturalistas são céticos em relação ao cientificismo estruturalista.

O Cinema deve ser considerado prática cultural sobre o prisma histórico, não deve ser considerado de forma isolada (não existe prática desinteressada).

O Cinema não é uma cópia mecânica da realidade mas sim como uma apropriação criativa do imaginário social da época em que foi realizada a apresentação fílmica. Existem filmes históricos que são considerados a estetização de uma realidade pretérita. O filme "A Vida é Bela" é comprometido com o heroísmo norte-americano na 2ª Guerra Mundial, mesmo sendo o exército soviético o pioneiro em combater os nazistas.

Também existem filmes de "ambientação histórica": eles traduzem e interpretam o ambiente histórico no qual estão inseridos.