sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O que você precisa saber sobre a Idade Média? 🏰

Quando a Rede Globo anunciou a nova novela das 19h "Deus Salve o Rei", em estilo medieval, fiquei muito surpresa pois não me recordava de nenhuma novela global neste estilo. Nas redes sociais ainda questionou-se sobre a antiga "Que rei sou Eu", de 1989, mas esta última era ambientada no início da Idade Moderna, também conhecida como a época Iluminista (ou Renascença). Acredito que a Globo tenha criado esta novela para pegar carona do sucesso de Game of Thrones mas não sei ao certo, é apenas uma hipótese.

O que é Idade MédiaA Idade Média fascina a muitos graças a industria cinematográfica que a expõe como uma era de batalhas, dominações, castelos e dragões, mas a realidade é um pouco diferente. É uma época conhecida historicamente com a ideia de retrocesso, por muitas vezes chamada de "Idade das Trevas", mas isto também não é verdade: O nome "Idade Média" foi um conceito criado por iluministas no início da Idade Moderna com finalidade de desmerecer as conquistas da época e resgatar os valores clássicos da Antiguidade.

Devemos entender que a Idade Média é um período que começou com a Queda do Império Romano e com o advento das Invasões Germânicas (vulgarmente chamada de "Invasões Bárbaras"), sendo tais acontecimentos progressivos com o tempo, de forma que não ocorreram do dia pra noite.

Roma foi uma fortaleza imperialista difusora de sua cultura e dominadora de terras. Quando outros povos não-romanos começaram a se rebelar e atacar o Império, a instauração de novas crenças e estilos de vida marcaram o que chamamos de Idade Média. Visigodos, Saxões, Francos e Suevos foram apenas um desses povos conhecidos como sujos, mal educados e sem instrução, sendo, na realidade, apenas povos que não consumiam da cultura greco-romana.

Quais são as principais características deste período:

  • Descentralização do Poder: Se na Antiguidade a centralização do poder político era bem definida nas mãos de reis, faraós, imperadores, na Idade Média ocorre o contrário: Não há muito bem especificado a figura central de poder nas vilas e outros locais; o senhor feudal só aparece certo tempo depois como proprietário de um pedaço de terra, infinitamente menor, se comparado aos domínios antigos, caracterizando essa descentralização. Um dos maiores erros apontados nesta novela é justamente usarem da figura de reis, mais relevantes no chamando Antigo Regime: bola fora da Globo;
  • Ruralização e Colonato: As Batalhas decorrentes da Queda do Império Romano fizeram as pessoas migrarem para o campo novamente, para fugir da escassez de comida e das mazelas de possíveis novas batalhas. Voltou-se a plantar para sobreviver configurando a ruralização da época sendo a figura do camponês muito forte na Idade Média. Desse modo, o Colonato foi o regime de trabalho em que estes camponeses exploravam a terra para seu próprio consumo, mas também cediam a maior parte do produzido ao proprietário;
  • Cristianismo: A religião católica apostólica romana cresce na Idade Média como poderio governamental e controladora de atividades administrativas mas também do cotidiano das pessoas. Alguns livros e filmes como "O Nome da Rosa", por exemplo, mostram exatamente como funcionava o tipo de controle exercido pela Igreja na época, concentrando o saber a alcance de poucos;
  • Romanismo: Usar da cultura romana como parâmetro na criação de leis e imposição cultural foi comum na Idade Média e a Igreja Católica foi a principal responsável por isto. No entanto é importante observarmos que na História de todos os povos quase sempre há troca cultural e absorvição de hábitos de outros povos. Isso pode ser notado na mescla de comemorações pagãs que hoje são vistas como genuinamente católicas, por exemplo, nos mostrando que houve muita influência entre os romanos e os chamados "bárbaros" (ou barbaróis);

Sendo assim, na industria do entretenimento e no jornalismo muitas vezes são criados programas para prender a atenção dos expectadores, negligenciando a transmissão do conhecimento, por isto acho normal que novelas e filmes não sejam 100% fiéis à Historiografia. Contudo, deixo esta postagem pra dividir o conhecimento e quem achar relevante, sinta-se a vontade pra compartilhar. Beijos, Thainá 🙂

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Como são os Cursos da Fundação Getúlio Vargas (FGV)?

No início da Faculdade de História algumas pessoas me recomendaram fazer uns cursinhos online gratuitos disponibilizados pela Fundação Getúlio Vargas que, ao obter um certificado de conclusão, eu poderia ganhar horas de atividade complementar.

O site da FGV é bem simplório e nem funciona em todos os navegadores, a oferta de cursos é razoável e está mais focada num campo específico ao invés de apresentar uma vasta variedade (em tratando-se dos cursos gratuitos, pelo menos). A maioria deles é voltada para área de Economia e Negócios, mas, se você pesquisar com calma, dá pra extrair algo, pelo menos, próximo da sua área de estudos.

Além dos cursos gratuitos online, há também cursos pagos (online e/ou presenciais), sendo estes divididos em cursos de aperfeiçoamento (voltados para a formação e o desenvolvimento de competências gerenciais estratégicas com ênfases em áreas do conhecimento específicas. Para a realização desses cursos, é compulsório já ter cursado uma graduação, segundo o próprio site da FGV) e atualização. Eu como bacharel em Direito acho fundamental cursos de atualização, afinal, a lei não é imutável e o profissional do Direito, mas do que todos, precisa sempre se atualizar.

Estes cursos de aperfeiçoamento e atualização são pagos e nada baratos (na faixa dos R$1.000,00), infelizmente, mas possuem uma carga horária grande e talvez seja um plus no seu currículo. Dinheiro em estudos não é gasto, é investimento.

Há também os cursos de graduação (na modalidade tecnólogo) e MBA's (cursos com status de mestrado que podem ser aproveitados no exterior). Mas vamos falar dos cursos online gratuitos que nos conferem horas de atividades complementares, ok? Afinal, é neles a minha experiência.

Infelizmente o curso que fiz foi MUITO chato, e olha que já estou acostumada com a modalidade de Educação à Distância (EAD). Foi o típico curso que fiquei rezando pra acabar: os textos eram extremamente massantes e olha que eu sou uma pessoa acostumada a ler muito. Para mim foi um sacrifício me concentrar nos estudos e sinceramente foi uma sorte ter passado na avaliação online.

Este curso em conferiu 5h de Carga Horária e seu tema era sobre História mas voltado para a área pedagógica. Estes cursos online gratuitos variam de 5h à 30h de carga horária, e nem quero imaginar como deve ser o conteúdo dos cursos com horas superiores ao que cursei, porque para mim foi uma profunda decepção.

Ainda quero tentar cursar outro não somente pelas horas conferidas, mas também pra "dar uma chance" e ver se outro tema possa ser mais atrativo, mas infelizmente minha primeira experiência cursando estas aulinhas online da FGV foi péssima.

Se você já cursou algum destes cursinhos online da FGV, deixa seu comentário abaixo para eu saber se sou a única ou não estou sozinha neste barco... huhaha. Um abraço, Thainá.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Série: The Handmaid's Tale (O Conto da Aia)

Dia destes comecei a assistir a série "The Handmaid's Tale" somente pelo incentivo das redes sociais. Quando, no auge dos delírios da bancada evangélica de nosso país pensou-se em criminalizar a prática do aborto (inclusive em casos de estupro), esta série foi muito exposta como exemplo de caminho que estávamos seguindo. Àquela velha sensação de volta da "Idade Média" em pleno 2018...

O Conto da Aia Seriado

De fato é uma série que se você é mulher (e tem consciência social) vai sentir um maior impacto, talvez mexa com seu psicológico e te faça refletir. Mas quando compartilhei um ponto interessante sobre The Handmaid's Tale no meu Facebook, senti um interesse por parte da militância ateísta, graças ao grande enredo religioso contido nessa estória.

The Handmaid's Tale é uma série inspirada no livro da autora canadense Margaret Atwood, de 1985, onde não há o país Estados Unidos como nação que conhecemos pois trata-se de uma distopia em que mulheres no geral não podem mais ter filhos, sendo algumas poucas capazes de engravidar. Estas moças que podem ter filhos são controladas pelo governo e forçadas a engravidar de chefes de Estados e outros homens influentes para dar continuidade à espécie: elas são as chamadas Aias e têm de renunciar a si mesmas (inclusive de seus nomes de batismo) para servir à estes homens.

Além de demonstrar a tortura que estas mulheres passam coercitivamente, a série mostra como a religião é capaz de influenciar nesse esquema horroroso baseado na premissa "Crescei e multiplicai-vos". Muitas vezes (se não todas) as ações que tais Aias são obrigadas a se submeter são justificadas pela Bíblia Cristã, escondendo o real intuito, impondo um sentido "sagrado" como já conhecemos e sabemos que não existe.

Quem nunca ouviu conselhos baseados na Bíblia Cristã? O grande problema não é ser uma bíblia, ou ser cristã, mas sim ser um livro de condutas escrito a muito tempo atrás cujo conteúdo nem sempre é apropriado aos dias de hoje. Quando alguém usa de seus dogmas para fazer o bem, ser generoso ou perpetuar um bom costume, não há problema algum. De fato, a Bíblia pode até ser usada como fator histórico. O problema é que as pessoas veem na Bíblia um livro sagrado, intocável e inquestionável, sendo ele escrito para atender interesses políticos da época somente e tal fato é ignorado no calor da emoção dos aficionados pelas suas religiões.

Enfim, The Handmaid's Tale é uma série ótima pra demonstrar a cruel face do Cristianismo e talvez seja até um tapa na cara daqueles que insistem em apontar condutas radicais nas religiões do Oriente Médio, mas romantizam algumas de suas condutas, como o casamento monogâmico com ênfase no prazer do homem, a proibição ao aborto seguro e ao casamento homoafetivo. Ainda estou na primeira temporada, aguardando ansiosamente pela trama pois o fator entretenimento também é bem satisfatório.

A série não tem tanta ação como eu gostaria, mas ainda sim te prende a atenção e vale a pena dar uma conferida 😉

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Como é a Experiência de Fazer Intercâmbio?

Desde muito jovem eu sempre sonhei em fazer Intercâmbio nos Estados Unidos, pedi até meus pais pra me matricularem num curso de inglês muito nova só pra aprender a língua, mas isto era um sonho distante, já que na época só rico podia fazer isso. Era bem desanimador conscientizar-se disto porque eu não era rica (ainda não sou) e achava que intercâmbio só seria bem aproveitado por jovens, que era uma coisa voltada pra adolescentes somente; eu não sabia de pessoas adultas fazendo intercâmbio.

Tudo sobre Intercâmbio
A verdade é que eu queria conhecer outro país e obter aquele status de "consegui sair do Brasil", já que ninguém na minha família nunca tinha realizado uma viagem internacional, mas eu não sabia o que a experiência de intercâmbio é na prática nem seu significado pro mercado de trabalho atual.

Eu saí do Brasil pela agência Cultural Care, que só realiza intercâmbios na modalidade Au pair, mas existem diversas outras agências e tipos de intercâmbios diferentes, sendo a maioria voltados aos estudos. Você pode fazer em outro país o ensino médio, uma parte da faculdade, um trabalho voluntário, um curso de extensão, uma pós graduação, enfim, são muitas possibilidades.

Ter uma agência te auxiliando no processo de obtenção do intercâmbio ajuda muito, mas não é obrigatório, pois você só precisa, basicamente, de uma documentação comprobatória de que está matriculado onde quer estudar (obs: Esta documentação não é garantia de que você vai conseguir entrar naquele país). Quando você vai para os EUA, por exemplo, você tem que tirar o passaporte (documento de identificação internacional) e solicitar um visto, que é uma autorização pra entrar no país, além de outras etapas na imigração. O visto para estudantes é específico, pra turistas é outro tipo e pra trabalho é outro. Como eu fui Au pair, modalidade onde você trabalha e estuda, eu tirei o visto J-1, mas existem outros vistos possíveis.

Você pode ficar na casa de uma família ou habitação estudantil, o que geralmente é mais caro, neste último caso: eu fiquei numa casa de família e não é nenhum mar de rosas, há muita chance de conflitos de convivência, afinal, pessoas adultas dividindo um mesmo teto podem se estranhar, só que as dificuldades também podem ocorrer em residências estudantis, não se engane achando que intercâmbio é só passear e postar fotos no Instagram.

Intercâmbio é um experiência muito mais difícil que pensei: a maior parte do tempo é perrengue, tentativas e falhas, dificuldades de adaptações em vários sentidos: clima, comida, pessoas, idioma... Mas também são surpresas, diversão com coisas que jamais imaginávamos, experiências novas, troca cultural, conhecimento, amadurecimento e capacidade de se reinventar: conhecer lugares e pessoas incríveis.


Quase 100% das pessoas que voltam ao seu país de origem após o intercâmbio sentem-se deprimidas e tristes, não se adaptam a rotina e demoram a se acostumar. Isso ocorreu comigo mas ninguém morre por causa disso: como diria o poeta, segue o baile. Hoje estou refazendo minha vida no Brasil mas ainda sinto muita vontade de visitar o que não visitei.

O mercado de trabalho atual valoriza muito a experiência no exterior mas não ache que você precisa de um diploma em Harvard pra ser escalado: qualquer experiência que inclua estudos no exterior conta muito. O empregador sabe que viver em outro país mostra maleabilidade e jogo de cintura, capacidade de lidar com o novo e superar as diferenças, então, fazer intercâmbio sempre será um bom investimento.

Esqueça-se de modelos tradicionais de intercâmbio, engessados, como ir para uma residência estudantil fazer curso de inglês: Existem vários cursos diferentes, em países pouco explorados, que podem rechear seu currículo 🛨📚 Não tem uma pessoa que tenha feito intercâmbio, ido e voltado com o mesmo coração 💗 Se tiver oportunidade, faça, você não vai se arrepender.