quinta-feira, 19 de abril de 2018

Como celebrar o Dia do Índio?

Dia 19 de abril foi instituído, na década de 1940, como o Dia do Índio, graças a iniciativas de lideranças que participaram do Congresso Indigenista Interamericano, no México. E nesta data é comum vermos professores pintando seus alunos de índio, usando fantasias que reforçam estereótipos e ignoram a singularidade das diversas comunidades no país.

19 de Abril, dia do índio
Quando os portugueses chegaram a terra que hoje chamamos "Brasil", dividiram os grupos étnicos em dois: Os Tapuias (nome pejorativo) e os Tupi-Guaranis. Os Tapuias eram sociedades indígenas que viviam em regiões mais interioranas e os Tupi-Guaranis eram os grupos residentes na região compreendida entre São Vicente (atualmente, na área de São Paulo) e o sul do Maranhão, uma área mais voltada para o litoral.

Os Tupi-Guaranis eram assim denominados por compartilhar de um dialeto similar e os Tapuias eram basicamente os "não-tupis" mas não se identificavam como uma unidade, afinal, esse conceito foi criado pelos portugueses. Entre os dois grupos haviam diversas comunidades indígenas e nem todas viviam da mesma maneira; compreender as particularidades de cada grupo é importante pra nos despirmos da ideia que de "índio é tudo igual".

Além disto, é importante também eliminarmos a ideia do índio como ser indefeso que não se opôs à colonização portuguesa. Ao estudarmos a História dos povos indígenas e afro-descendentes no Brasil estaremos diante de muitos conflitos ocorridos na época e só há conflito quando há resistência, certo?

O nativo brasileiro/ latino-americano impôs-se muitas vezes para preservar sua cultura e espaços territoriais. Mas também graças mesmo a essa cultura cedeu em nome de acordos, alianças, ameças, etc.

Então, ao invés de pintarmos nossos alunos e ensinar-lhes que o índio caça, pesca e anda vestido com "penas", que tal ensinarmos que até hoje existe uma queda de braço entre imperialismo e sociedades indígenas? E que este conflito é alimentado pelo capitalismo, pela ganância e pela desunião, inclusive, desses povos? Porque as guerras vividas entre os indígenas à época da colonização enfraqueceram o povo de uma maneira que facilitou a dominação portuguesa.

Índios não são seres exóticos, não são ingênuos/ indefesos, não vivem sob as mesmas condições e não são todos iguais. Buscar fontes indígenas e ouvir o que elas tem a dizer também é de suma importância na valorização da cultura indígena. Nós não devemos falar por eles e sim ouvir o que há pra ser dito.

Que neste Dia do Índio nossas crianças tenham mais contato com esse universo através dele mesmo, conhecendo aldeias e quilombos, ouvindo lideranças dos povos indígenas e absorvendo o que for de bom para a construção do seu caráter.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Exemplos de atividades | Horas de Atividades Acadêmicas Complementares na Universidade

Nesta postagem quero dividir com vocês algumas dicas pra obter Horas de Atividades Acadêmicas Complementares (Horas AAC - Horas RAC).

Como dito anteriormente nesta postagem, as Horas de Atividades Acadêmicas são de suma importância pra formação acadêmica do aluno. Mas que tipo de Atividades podemos fazer pra alcançar o mínimo exigido pela Faculdade? Confira alguns exemplos no vídeo abaixo:


Veja a seguir a lista de Atividades Acadêmicas Complementares EXTERNAS aceitas pela Universidade Estácio de Sá:

  • Eventos Acadêmicos-Científicos: Feiras, Congressos, Trabalhar em exposições, etc.
  • Certificações na Área do Curso: Certificados de cursinhos relativos a graduação escolhida, prêmios/ premiações, etc.
  • Trabalho Publicado/ premiado: É quando revistas e jornais consagrados pela mídia publicam seus textos e/ ou você recebe algum tipo de premiação por ter desenvolvido um trabalho importante academicamente. Ex: Prêmio Professor Nota Dez, Prêmio Profissionais do Ano, etc.
  • Apresentações de Trabalho em Evento Acadêmico/ Científico: Dar palestras, entrevistas, etc.
  • Eventos Culturais Externos: Ir como visitante à Museus, Excursões Guiadas, Resenhar Filmes assistidos no cinema (na Estácio não pode ser filme assistido em casa), Exposições, etc.
  • Vivência Profissional na Área do Curso: Ter trabalhado no curso escolhido - ex: eu faço licenciatura e já trabalho na área de educação, logo, obtive as Horas.
  • Curso Online ou Presencial: Cursos de línguas, de informática, de qualquer coisa que enriqueça seu currículo são aceitos. Cursos na área da graduação, mais ainda. Cursos preparatórios pra concurso público, idem.
  • Trabalho Voluntário: Fiz uma postagem completa sobre esse assunto aqui.
  • Palestras Externas: Palestras de outras instituições (sem ser da Estácio) que emitam certificado de participação.
  • Competição Universitária/ Educacional nacional ou internacional
  • Intercâmbio para estudos de qualquer tipo

Enfim, existem várias possibilidades, mas a dica que eu dou é pra você olhar a seu redor e observar seu dia-a-dia porque existem inúmeras atividades que podem ser aproveitas como Atividade Acadêmica Complementar. De que maneira? Vou dar exemplos do que já fiz:
  • Reunir mutirão pra fazer um conserto no bairro: quem pode te emitir uma "prova" da atividade seria a Associação de Moradores
  • Dê uma aula gratuita pra essa mesma associação
  • Promova uma Sessão de Cinema
  • Fazer trabalho voluntário em creches e asilos: Faça uma apresentação sobre sua profissão pra sanar curiosidades, leve atividades pra fazer em grupo, etc
  • Viaja todo fim de semana pra uma cidade diferente, pra ficar com seu pai ou namorada? Procure algum centro cultural e veja a programação. 

Enfim...

#FicaADica 😉

sábado, 31 de março de 2018

Páscoa: Você conhece a Verdadeira História?

No processo de sedentarização humana a natureza sempre assumiu um papel mais do que importante: era característica vital para o desenvolvimento de certos grupos comunitários. 

A chegada de uma estação (principalmente no hemisfério norte, onde há uma maior definição) em relação à Geografia de um local poderia ser essencial para definir progresso ou atraso social, no modo como são bem aproveitadas e/ou organizadas. Um exemplo disto foi o desenvolvimento do Egito como Estado soberano na Antiguidade: as cheias do Rio Nilo tornou àquele local rico e bem desenvolvido, valorizando suas terras férteis.

Sendo assim, nos locais onde o inverno é cruel, a chegada da primavera era celebrada com muito entusiasmo, eis que dela dependiam plantios, colheitas e, consequentemente, o comércio.

A Páscoa sempre foi uma celebração para saudar a chegada da primavera e o real sentido da palavra significa "passagem". Contudo, essa celebração mudou ao longo do tempo e, pelo que podemos chamar de "apropriação cultural", assumiu outros significados.

Quando os Hebreus foram escravizados no Egito (de acordo com registros bíblicos - e somente eles), a Páscoa tornou-se celebração em homenagem à libertação deste povo por Moisés (aquele mesmo, que "abriu" o Mar Vermelho e foi incumbido de proclamar "Os dez mandamentos"). Tempos depois, quando Jesus Cristo foi morto crucificado pelo exército Romano, diz-se que sua suposta ressurreição é o que originou o real significado da Páscoa. Enfim, a História nos mostra que quase nada é legítimo pois é muito mais fácil um povo assumir "autoria" de uma celebração já existente para incorporá-la à sua cultura do que criar um novo evento.

A verdade é que os fenômenos da natureza são tão importantes, mas tão importantes, que além do desenvolvimento social de um povo, ainda são usados para controlar o tempo. Nosso calendário é o Cristão e guia-se pelo suposto nascimento de Jesus, mas é organizado seguindo uma lógica natural, em que anos podem ser contados na passagem das estações. O homem contemporâneo já consegue se libertar melhor das imposições naturais graças à tecnologia mas até ela depende da natureza.

O que quero deixar registrado com esse texto?

* Que a natureza é muito mais importante do que sabemos: povos desenvolveram-se (ou arruinaram-se) graças a muitos eventos naturais (ou ação humana com cunho natural);
* Que na História é fácil perceber a apropriação cultural ocorrida ao longo do tempo e suas consequências (boas ou ruins);
* Que a Páscoa celebrada mundialmente, hoje em dia, é toda voltada para à mitologia cristã, mas possui diversos elementos de outras culturas (hebraica/ judia, germânica, etc);

Espero que este texto tenham ajudado a vocês conhecer um pouco melhor da História da Páscoa e entender como certos eventos foram modificados ao longo do tempo. Se você gostou deste texto, compartilhe com seus amigos, quem sabe alguém se interessa também. Um abraço, Thainá Santos.

Fontes: Bakos, Margaret Marchiori, Fatos e Mitos do Antigo Egito;
Bortolini, José, Quaresma, Páscoa e Pentecostes

sexta-feira, 16 de março de 2018

O que você precisa saber sobre Escravidão?

Tem sido tempos difíceis para moradores do RJ, ainda mais para os pobres, negros e residentes de comunidades carentes. Na verdade, está difícil para mais gente, mas estes são os alvos mais fáceis dessa onda de ódio.

O Racismo no Brasil não acontece como em outros países, nem como em outras épocas: ele é estruturado socialmente de uma forma que a população preta e parda tem sido a maior parte da população carcerária, a maior parte de vítimas da violência e a maior parte dos sem acesso à educação. Isto não é achismo, infelizmente, são dados oficiais.

A História da Escravidão

E muita gente atribui essa desigualdade ao fato de negros terem sido escravizados na maior parte do tempo de nossa história, mas vamos conhecer alguns fatos importantes?

↘ A Escravidão é tão antiga quanto a humanidade: Povos dominadores de outros povos, quase sempre, escravizavam seus oponentes perdedores. A Escravidão também acontecia numa mesma comunidade entre seus membros, por questões de dívidas, promessas, religião, etc. Hoje em dia ela é combatida ferozmente porque, após o holocausto judeu na 2ª Guerra Mundial, criou-se a Comissão de Direitos Humanos (através da ONU) que impedem que isso ocorra (ou pelo menos, tentam - supostamente). Os Direitos Humanos entendem que, por pior que uma pessoa seja, ela é um ser humano, e deve ter sua dignidade e suas liberdades individuais respeitadas (desde que não represente riscos para outrem);

↘ A Escravidão não é um conceito estático: Cada povo considera ou considerou no passado "escravidão" algum tipo de relação (geralmente trabalhista) onde uma pessoa serve à outra. No Egito Antigo, por exemplo, os escravos eram "funcionários" do Governo e a ele servia de forma à contribuir com obras públicas. Claro que hoje em dia vemos isto como algo absurdo, mas e se eu te contar que existia menos desigualdade social naquele contexto em relação à atualmente? Pois é, a escravidão em certos povos era mais rígida ou mais branda, sempre atendendo interesses do Estado e moldada pela cultura local;

↘ A Escravidão nos Dias de Hoje: Infelizmente ainda existem métodos de "trabalho" que são considerados escravidão, como ocorrem nas fábricas de roupas na Ásia, onde até crianças trabalham a troco de centavos, produzindo produtos que são vendidos mil vezes mais caros do que elas já sonharam ter em vida. O Brasil tem recebido a imigração de coreanos e outros povos asiáticos em troca de moradia e trabalho que não há remuneração respeitada de acordo com nossas leis trabalhistas: eles são ludibriados com a promessa de vida melhor e pagam por essa mudança com sua própria força de trabalho;

↘ Europeus foram escravizados e até povos eslavos também passaram por isto: Nessa hora seu amigo reaça sorri de ponta a ponta, afinal, a História está aí para mostrar que o "pobre" europeu já foi escravizado e até ruivos perseguidos na Idade Média. O grande problema é que esses europeus já superaram o estigma da escravidão e até aplicaram a outros povos em suas jornadas de "colonização". No Brasil, índios também foram escravizados, mas por conhecerem a terra e por se comunicarem com mais facilidade entre si, conseguiram "escapar" da escravidão intensa; já os negros comprados na África chegaram ao Brasil sendo separado de seus conterrâneos propositalmente para dificultar fugas e revoltas. O comércio de escravos tornou-se uma lucrativa atividade para os nossos "colonizadores" e assim a escravidão negra cresceu de forma rápida e desumana;

↘ Índios e Negros não eram passivos diante da Escravidão: É comum pensarmos que os portugueses chegaram aqui, mandando e desmandando, sem encontrar nenhum tipo de resistência. Grande engano! Houveram revoltas, tanto da parte dos índios quanto da parte dos africanos, mas a historiografia tradicional sempre focou no "Europeu Salvador" e impôs a essas comunidades o estigma de passivos e/ ou não-civilizados (futuramente, farei um texto sobre esse assunto que é muito interessante e todo brasileiro devia conhecer);

Por mais que a História nos mostre que a escravidão não é exclusividade do povo negro é ele que, até hoje, sofre com suas consequências. Após a abolição, não houve sequer algum planejamento de inserção dessa comunidade afro-descendente na educação, no mercado de trabalho, no circuito cultural, etc.

Sendo assim, é muito fácil dizer que europeus foram escravizados, que negros vendiam seu próprio povo como forma de "justificativa", quando não se vive a realidade dos pretos e pardos brasileiros. Ainda é o povo mais discriminado, ainda é o povo nos piores locais de emprego e moradia. Tenham mais empatia e respeito por essas pessoas, que, apesar de eu não estar no lugar de fala, merecem respeito e voz para suas reivindicações.