terça-feira, 8 de maio de 2018

A mudança das palavras ao longo do Tempo

Antigamente quando você se definia uma pessoa justa e correta, você podia até se auto denominar "um cidadão de bem". Hoje em dia este nome, "cidadão de bem", virou sinônimo de sujeito hipócrita, que prega uma coisa e não faz. Este nome é muito usado pra indicar pessoas que normalmente pregam uma ideologia política conservadora, mas é o caso de uma expressão mais usada por determinado grupo social (não é uma expressão de significado unânime, de alcance geral).

Outro fato curioso a respeito da origem de certas palavras é entender e conhecer suas mudanças ao longo do tempo. Quando usamos a palavra "crioulo" para indicar uma pessoa de pele negra, estamos incorrendo em algo considerado ofensivo, mas esta palavra pode assumir diferente significado quando conhecemos sua origem. Explicando: quando da colonização espanhola na América no Sul, os "criollos" eram os filhos de espanhóis nascidos na América, pertencentes a uma elite econômica considerável na época.

Eu não sei como este nome tornou-se o que hoje consideramos repulsivo, mas é interessante saber que muitas palavras assumem novos significados ao longo do tempo e nossos atos sociais interferem muito nisto. Aliás, ainda hoje, existem condutas humanas que não são definidas com um nome exato, mas pode chegar a um momento futuro que se tornem objeto de nomeação/ definição.

Assim aconteceu com "homofobia", "gordofobia", e tantas outras palavras que hoje são usadas para definir uma conduta que já existe a muito tempo. O português é uma língua riquíssima e não é de hoje que prego pela valorização de sua fala (vamos evitar esses nomes em inglês que nos são empurrados diariamente).

Mas voltando a falar de semântica e das palavras, o preconceito com o gay sempre existiu na maioria das sociedades. E com o gordo também. Logo, criar uma palavra para definir isto não torna estes temas menos importante, ao contrário, serve para facilitar a identificação de um problema.

Acontece que muitos idiotas sentem-se ofendidos com essas nomenclaturas, acham que é exagero tocar nesse assunto e qualquer reclamação é chamada de "mimimi". Porém, independentemente destas palavras existirem ou não, estes problemas existem e estas pautas são reais.

Se você não é homofóbico nem gordofóbico, não tem porquê se doer, certo? A vontade de levar essas discussões a público não deveria incomodar quem alega não praticar esses atos de grosseria. Alias, tais condutas não devem ser consideradas mera opinião pois, opinião que não respeita o outro como ele é, é discurso de ódio, e deve ser punido com o rigor da lei.

Antes de dizer que qualquer reclamação sobre algo é mimimi, tente-se colocar no lugar daquele que discursa, o mundo está precisando mais disto, de pessoas que saibam se colocar no lugar do outro.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Como celebrar o Dia do Índio?

Dia 19 de abril foi instituído, na década de 1940, como o Dia do Índio, graças a iniciativas de lideranças que participaram do Congresso Indigenista Interamericano, no México. E nesta data é comum vermos professores pintando seus alunos de índio, usando fantasias que reforçam estereótipos e ignoram a singularidade das diversas comunidades no país.

19 de Abril, dia do índio
Quando os portugueses chegaram a terra que hoje chamamos "Brasil", dividiram os grupos étnicos em dois: Os Tapuias (nome pejorativo) e os Tupi-Guaranis. Os Tapuias eram sociedades indígenas que viviam em regiões mais interioranas e os Tupi-Guaranis eram os grupos residentes na região compreendida entre São Vicente (atualmente, na área de São Paulo) e o sul do Maranhão, uma área mais voltada para o litoral.

Os Tupi-Guaranis eram assim denominados por compartilhar de um dialeto similar e os Tapuias eram basicamente os "não-tupis" mas não se identificavam como uma unidade, afinal, esse conceito foi criado pelos portugueses. Entre os dois grupos haviam diversas comunidades indígenas e nem todas viviam da mesma maneira; compreender as particularidades de cada grupo é importante pra nos despirmos da ideia que de "índio é tudo igual".

Além disto, é importante também eliminarmos a ideia do índio como ser indefeso que não se opôs à colonização portuguesa. Ao estudarmos a História dos povos indígenas e afro-descendentes no Brasil estaremos diante de muitos conflitos ocorridos na época e só há conflito quando há resistência, certo?

O nativo brasileiro/ latino-americano impôs-se muitas vezes para preservar sua cultura e espaços territoriais. Mas também graças mesmo a essa cultura cedeu em nome de acordos, alianças, ameças, etc.

Então, ao invés de pintarmos nossos alunos e ensinar-lhes que o índio caça, pesca e anda vestido com "penas", que tal ensinarmos que até hoje existe uma queda de braço entre imperialismo e sociedades indígenas? E que este conflito é alimentado pelo capitalismo, pela ganância e pela desunião, inclusive, desses povos? Porque as guerras vividas entre os indígenas à época da colonização enfraqueceram o povo de uma maneira que facilitou a dominação portuguesa.

Índios não são seres exóticos, não são ingênuos/ indefesos, não vivem sob as mesmas condições e não são todos iguais. Buscar fontes indígenas e ouvir o que elas tem a dizer também é de suma importância na valorização da cultura indígena. Nós não devemos falar por eles e sim ouvir o que há pra ser dito.

Que neste Dia do Índio nossas crianças tenham mais contato com esse universo através dele mesmo, conhecendo aldeias e quilombos, ouvindo lideranças dos povos indígenas e absorvendo o que for de bom para a construção do seu caráter.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Exemplos de atividades | Horas de Atividades Acadêmicas Complementares na Universidade

Nesta postagem quero dividir com vocês algumas dicas pra obter Horas de Atividades Acadêmicas Complementares (Horas AAC - Horas RAC).

Como dito anteriormente nesta postagem, as Horas de Atividades Acadêmicas são de suma importância pra formação acadêmica do aluno. Mas que tipo de Atividades podemos fazer pra alcançar o mínimo exigido pela Faculdade? Confira alguns exemplos no vídeo abaixo:


Veja a seguir a lista de Atividades Acadêmicas Complementares EXTERNAS aceitas pela Universidade Estácio de Sá:

  • Eventos Acadêmicos-Científicos: Feiras, Congressos, Trabalhar em exposições, etc.
  • Certificações na Área do Curso: Certificados de cursinhos relativos a graduação escolhida, prêmios/ premiações, etc.
  • Trabalho Publicado/ premiado: É quando revistas e jornais consagrados pela mídia publicam seus textos e/ ou você recebe algum tipo de premiação por ter desenvolvido um trabalho importante academicamente. Ex: Prêmio Professor Nota Dez, Prêmio Profissionais do Ano, etc.
  • Apresentações de Trabalho em Evento Acadêmico/ Científico: Dar palestras, entrevistas, etc.
  • Eventos Culturais Externos: Ir como visitante à Museus, Excursões Guiadas, Resenhar Filmes assistidos no cinema (na Estácio não pode ser filme assistido em casa), Exposições, etc.
  • Vivência Profissional na Área do Curso: Ter trabalhado no curso escolhido - ex: eu faço licenciatura e já trabalho na área de educação, logo, obtive as Horas.
  • Curso Online ou Presencial: Cursos de línguas, de informática, de qualquer coisa que enriqueça seu currículo são aceitos. Cursos na área da graduação, mais ainda. Cursos preparatórios pra concurso público, idem.
  • Trabalho Voluntário: Fiz uma postagem completa sobre esse assunto aqui.
  • Palestras Externas: Palestras de outras instituições (sem ser da Estácio) que emitam certificado de participação.
  • Competição Universitária/ Educacional nacional ou internacional
  • Intercâmbio para estudos de qualquer tipo

Enfim, existem várias possibilidades, mas a dica que eu dou é pra você olhar a seu redor e observar seu dia-a-dia porque existem inúmeras atividades que podem ser aproveitas como Atividade Acadêmica Complementar. De que maneira? Vou dar exemplos do que já fiz:
  • Reunir mutirão pra fazer um conserto no bairro: quem pode te emitir uma "prova" da atividade seria a Associação de Moradores
  • Dê uma aula gratuita pra essa mesma associação
  • Promova uma Sessão de Cinema
  • Fazer trabalho voluntário em creches e asilos: Faça uma apresentação sobre sua profissão pra sanar curiosidades, leve atividades pra fazer em grupo, etc
  • Viaja todo fim de semana pra uma cidade diferente, pra ficar com seu pai ou namorada? Procure algum centro cultural e veja a programação. 

Enfim...

#FicaADica 😉

sábado, 31 de março de 2018

Páscoa: Você conhece a Verdadeira História?

No processo de sedentarização humana a natureza sempre assumiu um papel mais do que importante: era característica vital para o desenvolvimento de certos grupos comunitários. 

A chegada de uma estação (principalmente no hemisfério norte, onde há uma maior definição) em relação à Geografia de um local poderia ser essencial para definir progresso ou atraso social, no modo como são bem aproveitadas e/ou organizadas. Um exemplo disto foi o desenvolvimento do Egito como Estado soberano na Antiguidade: as cheias do Rio Nilo tornou àquele local rico e bem desenvolvido, valorizando suas terras férteis.

Sendo assim, nos locais onde o inverno é cruel, a chegada da primavera era celebrada com muito entusiasmo, eis que dela dependiam plantios, colheitas e, consequentemente, o comércio.

A Páscoa sempre foi uma celebração para saudar a chegada da primavera e o real sentido da palavra significa "passagem". Contudo, essa celebração mudou ao longo do tempo e, pelo que podemos chamar de "apropriação cultural", assumiu outros significados.

Quando os Hebreus foram escravizados no Egito (de acordo com registros bíblicos - e somente eles), a Páscoa tornou-se celebração em homenagem à libertação deste povo por Moisés (aquele mesmo, que "abriu" o Mar Vermelho e foi incumbido de proclamar "Os dez mandamentos"). Tempos depois, quando Jesus Cristo foi morto crucificado pelo exército Romano, diz-se que sua suposta ressurreição é o que originou o real significado da Páscoa. Enfim, a História nos mostra que quase nada é legítimo pois é muito mais fácil um povo assumir "autoria" de uma celebração já existente para incorporá-la à sua cultura do que criar um novo evento.

A verdade é que os fenômenos da natureza são tão importantes, mas tão importantes, que além do desenvolvimento social de um povo, ainda são usados para controlar o tempo. Nosso calendário é o Cristão e guia-se pelo suposto nascimento de Jesus, mas é organizado seguindo uma lógica natural, em que anos podem ser contados na passagem das estações. O homem contemporâneo já consegue se libertar melhor das imposições naturais graças à tecnologia mas até ela depende da natureza.

O que quero deixar registrado com esse texto?

* Que a natureza é muito mais importante do que sabemos: povos desenvolveram-se (ou arruinaram-se) graças a muitos eventos naturais (ou ação humana com cunho natural);
* Que na História é fácil perceber a apropriação cultural ocorrida ao longo do tempo e suas consequências (boas ou ruins);
* Que a Páscoa celebrada mundialmente, hoje em dia, é toda voltada para à mitologia cristã, mas possui diversos elementos de outras culturas (hebraica/ judia, germânica, etc);

Espero que este texto tenham ajudado a vocês conhecer um pouco melhor da História da Páscoa e entender como certos eventos foram modificados ao longo do tempo. Se você gostou deste texto, compartilhe com seus amigos, quem sabe alguém se interessa também. Um abraço, Thainá Santos.

Fontes: Bakos, Margaret Marchiori, Fatos e Mitos do Antigo Egito;
Bortolini, José, Quaresma, Páscoa e Pentecostes