sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Conheça o IPN - Instituto Pretos Novos, no Rio de Janeiro


Em 1996 foi descoberto, numa área central do Rio de Janeiro, ossadas de africanos trazidos ao Brasil na condição de escravos. Isso ocorreu graças a uma obra que estava sendo realizada por um casal de moradores da área e foram surpreendidos com material arqueológico.


Após análise profissional de biólogos e arqueólogos, descobriu-se que naquela região eram enterrados, sem nenhum tipo de formalidade, estes africanos traficados e a área hoje tornou-se um centro cultural de preservação dessa memória.

Os negros trazidos ao Brasil passaram muitos anos tendo sua cultura e identidade apagadas e o IPN trás ao visitante uma tentativa de reavivar essa memória tão forte, mesmo com o advento da diáspora.

A visita começa com um vídeo explicando tudo isso e mostrando o que foi feito nestes últimos anos pra valorização do espaço e a guia nos mostra o material arqueológico. Além disso, também há uma sala de exposição de arte afro-brasileira e uma biblioteca com títulos de famosos escritores negros, principalmente os que tocam em assuntos referentes à escravidão e ao racismo.


Enfim, é um lugar muito importante para a História do Brasil porque nos mostra como a escravidão foi nociva em várias aspectos da sociedade e nunca deve ser esquecida no sentido de valorização dos direitos humanos fundamentais juntamente com a luta de combate a qualquer tipo de preconceito de natureza racial e social.

Além da questão histórica e social, o lugar tem uma energia fortíssima. Mal cheguei e, ao ver as ossadas, comecei a chorar. Não sou do tipo de pessoa religiosa mas estar naquele ambiente mexeu muito comigo. Vale a pena a visita!! A entrada é gratuita e o lugar é muito simples, não tem a estrutura de um super museu, então, vale a pena deixar aquela contribuição para a manutenção desse espaço tão importante 😉

Endereço: R. Pedro Ernesto, 32-34 - Gambôa, Rio de Janeiro - RJ, 20220-350

domingo, 23 de dezembro de 2018

Livro: Capitães da Areia, Jorge Amado

Eu nunca tinha lido nada de Jorge Amado nem fazia ideia que muitas séries e novelas eram inspiradas em seus livros (Gabriela Cravo e Canela, Tieta do Agreste, Porto dos Milagres, Dona Flor, etc) mas rondando a sala de leitura da escola onde trabalho achei um exemplar de Capitães da Areia e resolvi ler.



A leitura no início foi um pouco lenta e houve uma certa dificuldade por conta da "baianidade" expressa no livro: são muitas gírias e a estória é toda ambientada na Bahia, mais precisamente na praia, onde um grupo de meninos de rua vivem numa espécie de trapiche. 

O autor conta a vida desses meninos, fazendo-se única cada estória, e a riqueza de detalhes é tão grande que você acredita que estes meninos possam realmente ter existido: mas é apenas ficção.

Os personagens são riquíssimos em detalhes e cada um tem uma personalidade tão peculiar que quanto mais você lê mais você quer conhecer, entender e tornar-se íntimo daquele universo.

Jorge Amado tentou nos mostrar o dia a dia de meninos de rua e pra isso até chegou a dormir entre eles por algumas semanas antes de escrever Capitães da Areia. Ele escreve tão bem, mas tão bem que você fica imaginando que o próprio autor já passou necessidades, mesmo isto não tendo ocorrido.

No grupo de personagens há um líder, um mais sensato, um mais vida louca e também há o padre que, seguindo na contra-mão dos princípios católicos, ajuda esse grupo de meninos e deles obtém o respeito. Também há uma personagem feminina que entra no meio da estória e vira uma espécie de referência entre o grupo.

Cada estória é tão bem escrita que você passa a ter compaixão até com os "vilões". Eu considero não somente um livro mas uma obra de arte que deveria ser tombada como patrimônio histórico brasileiro. Sério, Capitães da Areia é um dos melhores livros que já li na vida!!

Depois de ler este livro fiquei mais apaixonada ainda pela cultura nordestina, pelas novelas e romances ambientados no nordeste brasileiro, coisa que sempre gostei desde meus tempos de criança. Essa cultura me faz lembrar coisas boas como férias na praia, reunião com a família pra assistir Tieta ou Mulheres de Areia mas também tem um apelo muito forte no meu imaginário social, pois vejo a luta nordestina como a verdadeira resistência brasileira, uma afronta ao imperialismo norte-americano e europeu e sou completamente apaixonada por tudo isso.

Quando recentemente foi lançada uma nova versão da mini série Gabriela Cravo e Canela (com a Juliana Paes) eu fiquei doida, pois mesmo sem saber desse histórico eu já adorava todas as novelas ambientadas no sertão nordestino, novelas sobre cangaço e cordel, e hoje como militante pró valorização nacional sou mais apegada ainda a essa temática.

Demorei a fazer esta resenha aqui no Blog mas como hoje fui marcada numa corrente sobre livros no Facebook, resolvi trazer a vocês essa dádiva que é a leitura desse livro. Sério, não deixem de ler, é muito MARAVILHOSO!!

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sábado, 24 de novembro de 2018

Minha Primeira Aula de História 💕

Esses dias eu, finalmente, dei minha primeira aula de História. No vídeo abaixo eu conto um pouco como foi esse momento tão especial da minha vida 🙂


Espero que tenham gostado do vídeo e sei que esse tipo de comentário, sobre um momento que foi feliz pra mim, pode gerar comentários negativos, já que a docência é tão desvalorizada e muitos professores trabalham sem ânimo, apenas com vontade de pagar suas contas. Mesmo assim quero deixar registrado o quanto estou feliz por ter me encontrado profissionalmente.

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Coisas que eu Gostaria de ter aprendido na Aula de História...

Eu só fui aprender, de fato, História, na faculdade. Eu não tenho quase recordação nenhuma das minhas aulas no Ginásio e no Ensino Médio. Lembro que no primário as aulas eram ministradas na matéria "Estudos Sociais" e eram raras. Lembro que no Ginásio só se falava em Mesopotâmia, Egito e só. História do Brasil? Só se falava nos portugueses "malvadões" ou "heróis" (dependia do professor), dos índios (ingênuas ovelhinhas ou ignorantes que "precisavam de educação") e dos escravos (sempre como injustiçados que caíram de para-quedas no Brasil ou selvagens que "precisavam" de educação - em outras palavras, se "europisar").

Dicas para Estudantes

A História é tão mais que isso que não sei nem por onde começar...

• Eu gostaria de ter aprendido que ninguém é santo, herói ou vilão - mesmo em grupos sociais específicos;
• Eu gostaria de saber que o conceito de escravidão varia até hoje - não é um conceito estático;
• Eu gostaria de saber que TODOS, eu disse TODOS os acontecimentos históricos sempre beneficiavam a algum grupo - por mais impossível que isso possa parecer;
• Também gostaria de saber que esses mesmos acontecimentos prejudicavam outros grupos - assim é a vida;
• Eu gostaria que os professores fossem sinceros a respeito de seus pontos de vista mas também expusessem pontos de vista contrários - e o que seus defensores alegam;
• Eu gostaria de saber que "país" é um conceito moderno e a centralização governamental é uma das coisas mais importantes pra se estudar História;
• Eu gostaria de saber que há poucas coisas legítimas, especiais e inéditas no mundo: A maioria são "cópias" ou inspiradas em outras coisas (ex: festividades)
• Enfim, eu gostaria de saber que a História não anda só, que a Filosofia, Sociologia e outras disciplinas dependem umas das outras...

E gostaria de saber que essa profissão é imensamente importante, têm campo de trabalho e não podemos viver sem ❤ Mas não encarem isso como uma crítica a meus antigos professores, é muito difícil estar numa sala de aula com mais de 40 crianças forçadas a estar lá 😊 Só queria deixar registrado o que considero importante pra facilitar o aprendizado dessa matéria tão linda ⌛ #História